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Portadores de doenças pulmonares terão prioridade para tomar a vacina Pneumocócica 13-valente

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) vai disponibilizar a vacina Pneumocócica Conjugada 13-valente temporariamente, até julho de 2021, para pacientes com doenças pulmonares e outros grupos prioritários.

Os grupos prioritários para tomar a vacina são os imunodeprimidos, com asplenia anatômica e funcional, portadores de implante coclear, pacientes com doenças cardíacas e pulmonares que ainda não tenham recebido uma vacina pneumocócica anteriormente.

O motivo é otimizar o uso das doses de vacina Pneumocócica Conjugada 13-valente disponíveis, cuja validade expira em fevereiro de 2022.

Entre as doenças pulmonares, o PNI inclui: DPOC; pneumonite alveolar; doença respiratória resultante de exposição ocupacional ou ambiental; bronquiectasias; bronquite crônica; sarcoidose; neurofibromatose de Wegener; doença pulmonar crônica do lactente (antiga displasia bronco-pulmonar); asma persistente moderada ou grave e fibrose cística.

As orientações para prescrição da vacina temporária são as seguintes:

Ainda que a utilização da Pneumocócica Polissacarídica 23-valente já tenha sido recomendada nas indicações citadas na figura, neste momento, o PNI sugere usar a Pneumocócica Conjugada 13-valente e dar continuidade com a Pneumocócica Polissacarídica 23-valente, conforme prevê o Manual dos CRIEs – 5ª edição.

A imunização previne infecções causadas pela bactéria Streptococcos pneumoniae, responsável por doenças graves como pneumonia, meningite, bacteremia/septicemia e otite média aguda.

Saiba mais: Programa Nacional de Imunizações (PNI) – Alerta para utilização da vacina Pneumocócica 13-valente.

Dia Mundial da Pneumonia: 12 de novembro

Todos os anos, no dia 12/11, as instituições de saúde e os especialistas da área chamam a atenção para a importância do acesso global à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da pneumonia.

O que causa a pneumonia?

Os principais agentes etiológicos das Pneumonias Adquiridas na Comunidade (PAC) são bactérias e vírus. Em cerca de 60% das infecções, é a bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo).

Pneumonia e COVID-19

Em 2020, a pandemia do coronavírus (SARS-CoV-2) evidenciou a importância da prevenção e cuidados com a pneumonia, especialmente em adultos.

Mais de 50 milhões de pessoas foram diagnosticadas com COVID-19 no mundo até agora. Alguns pacientes apresentam uma pneumonia viral específica, sem expectoração e com falta de ar.

A COVID-19 também pode predispor o paciente à infecção por bactérias, resultando nas duas condições associadas: pneumonia e COVID-19.

Sintomas, diagnóstico e tratamento

A coordenadora da Comissão Científica de Infecções Respiratórias e Micoses da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Dra. Rosemeri Maurici da Silva, explica que o quadro clássico de pneumonia se caracteriza por tosse, expectoração, dor torácica ventilatório-dependente e febre. Em situações específicas, a pneumonia pode causar confusão mental, hipotensão arterial, dispneia e taquipneia.

A radiografia de tórax, aliada à anamnese e ao exame físico, auxiliam na confirmação da suspeita e avaliação da extensão das lesões causadas pela pneumonia. A tomografia de tórax (TC) é a alternativa de escolha nos casos em que a radiografia de tórax tem menor acurácia, como em pacientes obesos, imunossuprimidos ou com alterações radiológicas prévias.

O tratamento da pneumonia adquirida na comunidade é realizado com antibióticos, medicação sintomática e tratamento de doença de base (se houver). Se não tratados, os quadros de pneumonia podem ter complicações, como insuficiência respiratória, septicemia, sequelas pulmonares, como bronquiectasias, e até a morte.

A pneumonia é a infecção que mais mata no mundo. Em 2019, cerca de 672 mil crianças com menos de cinco anos de idade morreram em decorrência da doença. Os idosos com mais de 70 anos e pessoas com comorbidades, como doenças crônicas (respiratórias ou não), cardiopatias, diabetes e doenças que causam imunossupressão também correm mais riscos.

Prevenção

Para prevenir a pneumonia, é necessário manter o sistema imunológico saudável, com boa alimentação, exercício físico regular e bons hábitos de higiene.

Além disso, é importante tratar as doenças concomitantes, vacinar-se anualmente contra a gripe e imunizar-se também contra o pneumococo, quando houver indicação médica.

A vacina anti pneumocócica 13 valente e, seis meses depois, a anti pneumocócica 23 valente, repetidas a cada cinco anos, são eficazes contra a Streptococcus pneumoniae.

Mais informações

Corrêa1 RA, A, Costa2 AN, B, Lundgren3c F, Michelim4 L, et al. Recomendações para o manejo da pneumonia adquirida na comunidade 2018. J Bras Pneumol. 2018;44(5):405-423

GBD 2019 Diseases and Injuries Collaborators. Global burden of 369 diseases and injuries, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. The Lancet. 17 October 2020. doi:10.1016/S0140-6736(20)30925-9.

SMPCT realiza o simpósio virtual “Controvérsias em Pneumologia”

A Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SMPCT) convida para o Simpósio virtual “Controvérsias em Pneumologia”.

O evento será realizado no dia 07/11/2020 (sábado), das 9h a 12h30. O Simpósio é gratuito e as vagas são limitadas.

Inscreva-se aqui.

Na programação científica, estão previstas discussões sobre infecções pulmonares e fibrose pulmonar.

Acesse o programa completo.

16º Curso Internacional de Infecções Respiratórias

Nos dias 9 e 10 / 16 e 17 de outubro de 2020, a Asociación Argentina de Medicina Respiratoria e a Asociación Latinoamericana de Tórax (ALAT) realizarão o 16º Curso Internacional de Infecções Respiratórias. As inscrições são gratuitas.

O curso de Infecções Respiratórias é organizado há 23 anos. Este ano, metade das aulas vai tratar sobre a COVID-19, em uma edição totalmente virtual, com a participação de 27 palestrantes, sendo quatro médicos brasileiros: Dr. Fernando Lundgren, Dr. Ricardo Correa, Dr. Otávio Ranzani e Dra. Juliana Ferreira.

As vagas são limitadas.

Clique aqui para acessar o site oficial do evento.

JBP: papel da imagem no diagnóstico da pneumonia causada por COVID-19

O Jornal Brasileiro de Pneumologia vol. 46 n. 2 (março/abril) publicou uma Carta ao Editor sobre os desafios do diagnóstico da doença respiratória aguda causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

No momento de intenso debate da comunidade científica sobre a COVID-19, os pesquisadores Jose de Arimateia Batista Araujo-Filho, Marcio Valente Yamada Sawamura, André Nathan Costa, Giovanni Guido Cerri, Cesar Higa Nomura redigiram uma carta ao JBP.

Os autores relatam que, até o presente momento, a reverse-transcriptase polymerase chain reaction (RT-PCR, reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa) permanece como padrão de referência para o diagnóstico definitivo de infecção por COVID-19, apesar dos relatos de resultados falso-negativos.

Além disso, os especialistas concluem que a TC não deve ser usada na triagem de COVID-19 em pacientes assintomáticos, devendo ser considerada em pacientes hospitalizados, sintomáticos ou em situações clínicas específicas.

Leia a carta completa aqui.

Novo coronavírus causa ocorrências de infecção pulmonar aguda

Proveniente da China, o vírus nCoV causa febre e manifestações respiratórias de gravidade variável, incluindo dispneia, além de infiltrados nas radiografias de tórax.

A declaração abaixo foi divulgada pelo Prof. Dr. Carlos M. Luna, do Departamento de Infecções Respiratórias da Associação Latinoamericana de Tórax (ALAT), e aprovado através da Dra. Rosemeri Maurici, coordenadora da Comissão de Infecções Respiratórias da SBPT.

Segue o texto original (em espanhol):

De manera semejante a la aparición inesperada del coronavirus productor del SARS (del inglés severe acute respiratory syndrome), SARS-CoV en 2002-2003 y del MERS (middle east respiratory syndrome) MERS-CoV más recientemente, apareció en escena hace menos de un mes una nueva enfermedad respiratoria aguda que puede acompañarse de grave compromiso pulmonar y muerte, producida por otro virus de la misma familia denominado nCoV (simplemente new coronavirus).

A fines de diciembre de 2019, las autoridades de la ciudad de Wuhan en la provincia de Hubei, China, informaron acerca de la aparición de 27 casos de síndrome respiratorio agudo, 7 de ellos severos, de etiología desconocida entre personas vinculadas en este caso a un mercado de venta de pescado en Wuhan, capital de la provincia de Hubei del, sureste de China. Se trata de cuadros de fiebre, disnea y presencia de infiltrados pulmonares de gravedad variable, cambios neumónicos en las radiografías del tórax (lesiones infiltrativas del pulmón bilaterales). Las autoridades chinas informaron la identificación de esta cepa antes desconocida de coronavirus como posible etiología, habiéndose descartado SARS-CoV, MERS-CoV, influenza, influenza aviar, adenovirus y otras infecciones respiratorias virales o bacterianas comunes.

Fuera de Wuhan se han registrado casos aislados, siempre conectados con alguna persona proveniente de esta ciudad en otros países incluyendo un caso en Tokio y otro en New York, y es de prever que esto ocurra en otros lugares del mundo dado el intenso tránsito aéreo internacional que hoy existe. Un informe de la Organización Panamericana de la Salud menciona que no se han comunicado nuevos casos en China desde el 3 de enero de 2020.

Tanto la OPS como la OMS recomiendan a los Estados Miembros, a la luz de la posible ocurrencia de eventos relacionados con el nCoV, que garanticen que los trabajadores de la salud tengan acceso a información actualizada sobre esta enfermedad, que estén familiarizados con los principios y procedimientos para manejar las infecciones por nCoV y estar capacitados para consultar sobre el historial de viajes de un paciente para vincular esta información con datos clínicos.

Como corresponde, en los lugares del mundo con alto flujo de pasajeros provenientes de China, los aeropuertos internacionales están intensificando la detección de pasajeros que exhiban síntomas posiblemente relacionados con nCoV. Tres aeropuertos principales de EE UU, San Francisco, Los Ángeles y Nueva York, han anunciado que evaluarán a los viajeros que lleguen desde Wuhan y serán examinados para detectar síntomas del virus similar a la neumonía, con un adicional de 100 trabajadores de salud desplegados en los aeropuertos, indicó el CDC.

Si bien la información disponible sugiere que no hay evidencia clara de transmisión de persona a persona, es necesaria investigación adicional para determinar los modos de transmisión, la fuente común de exposición y la presencia de casos asintomáticos o levemente sintomáticos que no se detectan. Es crítico revisar toda la información disponible para comprender completamente la posible transmisibilidad entre humanos, cabe recordar que el SARS; proveniente de gatos infectados por un murciélago y el MERS, proveniente de camellos, resultaron en muchos casos confirmados altamente contagioso entre humanos.

El diagnóstico de estas infecciones por coronavirus se hace habitualmente por PCR transcriptasa reversa tanto en secreciones respiratorias altas o bajas o en suero.

Respecto al tratamiento, lo importante son las medidas de sostén, si bien hay un importante número de antivirales en estudio no existe ningún antiviral de uso corriente que haya mostrado ser efectivo contra estos coronavirus.

En relación con la prevención, la misma se limita al control del contacto con las posibles vías de contagio, hasta donde se sabe limitadas en este caso al contacto con peces en el mercado de Wuhan, pero es prudente hasta tanto se conozca la posibilidad de contagio interhumano, considerar evitar el contacto con personas presuntamente enfermas. Como es de esperar, tampoco existen vacunas. Las medidas de prevención estándar incluyen:

• higiene de manos,
• uso de equipos de protección personal según evaluación de riesgo,
• higiene respiratoria y cubrirse la boca y nariz con pañuelo al toser,
• descarte seguro de materiales cortopunzantes,
• manejo adecuado del ambiente y del desecho hospitalario,
• esterilización y desinfección de dispositivos médicos y hospitalarios,
• instituir precauciones de gotitas y contacto frente a casos sospechosos,
• instituir precauciones de contacto y de núcleo de gotitas/aerosoles acaso se realicen.

Prof. Carlos M. Luna
Departamento Infecciones Respiratorias
Asociación Latinoamericana de Tórax

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), por meio da Comissão Científica de Infecções Respiratórias e da Diretoria de Comunicação, está comprometida em informar aos seus associados, à população e aos meios de comunicação sobre eventuais mudanças do quadro clínico e epidemiológico.

Injúria pulmonar relacionada ao uso de cigarro eletrônico (EVALI)

Foram confirmados três casos de E-cigarette, or Vaping, product use–Associated Lung Injury (EVALI) no Brasil nas últimas semanas. Os pacientes usaram cigarro eletrônico com tetrahidrocanabinol (THC) em dispositivos adquiridos nos EUA.

Frente a este fato relevante, a SBPT sugere aos pneumologistas e clínicos em geral que utilizem os critérios diagnósticos e classificatórios divulgados pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC)¹ descritos nesta comunicação.

Os sintomas respiratórios da EVALI costumam incluir tosse, dor torácica e dispneia. Também são comuns sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia e sintomas inespecíficos, como febre, calafrios e perda de peso.

As alterações nos exames de imagem também são inespecíficas, com predomínio das consolidações e/ou vidro fosco em ambos os pulmões. O aumento dos leucócitos, do PCR e das enzimas hepáticas também é frequente.

O tratamento consiste na suspensão do uso do cigarro eletrônico, medidas de suporte clínico, incluindo oxigênio e, quando necessário, ventilação não invasiva ou invasiva.

O uso dos antivirais e/ou antimicrobiano é reservado para os pacientes com suspeita de infecção concomitante.

A EVALI é facilmente confundida com a doença respiratória causada pelo vírus influenza e, nessa situação, o paciente deve receber antiviral precocemente e colher exames para confirmação desse diagnóstico.

Os pacientes dispneicos ou com saturação de oxigênio inferior a 95%, com comorbidades ou outros fatores, a critério do médico assistente, devem ser internados. Os pacientes ambulatoriais devem ser reavaliados dentro de 24 a 48h.

O corticoide sistêmico pode ser útil em pacientes hospitalizados. No entanto, seu papel ainda não foi avaliado nos pacientes ambulatoriais.

Critérios de classificação para casos de EVALI¹

CONFIRMADO PROVÁVEL
Uso de e-cig nos últimos 90 dias. Uso de e-cig nos últimos 90 dias.
Consolidações na radiografia ou vidro fosco na tomografia de tórax. Consolidações na radiografia ou vidro fosco na tomografia de tórax.
Ausência de diagnósticos alternativos, como:

  • Doenças cardiológicas, reumatológicas, neoplásicas, etc.
  • Doenças infecciosas – fazer no mínimo painel viral negativo e PCR influenza (se indicado). Outros testes (antígenos, culturas, HIV), quando indicados, devem ser negativos.
Ausência de diagnósticos alternativos não infecciosos.
  Identificação de infecção através de cultura ou PCR, mas os médicos assistentes não acreditam que esta seja única causa da doença respiratória.

A comercialização, importação e propaganda de todos os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas no Brasil, por meio da Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa: RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009.

A SBPT solicita que casos suspeitos e confirmados sejam enviados para o e-mail: sbpt@sbpt.org.br para posterior encaminhamento e registro em agências nacionais.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pede aos médicos que preencham um formulário de notificação de casos. Clique aqui para acessar o formulário.

José Miguel Chatkin
Presidente da SBPT.
Luiz Fernando Pereira
Coordenador da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT.


Referências

¹Jatlaoui TC, Wiltz JL, Kabbani S, et al. Update: Interim Guidance for Health Care Providers for Managing Patients with Suspected E-cigarette, or Vaping, Product Use–Associated Lung Injury — United States, November 2019. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2019;68:1081-1086. DOI: http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm6846e2.

²Centers For Disease Control and Prevention. 2019 Lung Injury Surveillance Primary Case Definitions. September, 18. https://www.cdc.gov/tobacco/basic_information/e-cigarettes/assets/2019-Lung-Injury-Surveillance-Case-Definition-508.pdf.

³Layden J, Guinai I, Pray I et al. Pulmonary illness related to e-cigarette use in Illinois and Wisconsin – Preliminary report. New Engl J Med. DOI: 10.1056/NEJMoa1911614.

Dia Mundial da Pneumonia: como prevenir as mortes pela doença?

Em 12 de novembro, as Sociedades Respiratórias de todo o mundo se unem para a campanha do Dia Mundial da Pneumonia, divulgando informações sobre prevenção.

O Fórum Internacional de Sociedades Respiratórias (FIRS) alertou sobre a importância de garantir acesso igualitário à prevenção e controle da pneumonia em todos os países.

A pneumonia é a infecção que mais mata no mundo. A cada minuto, duas crianças morrem por causa da doença, o que representa 16% das mortes infantis em todo o mundo e 80% dos óbitos abaixo dos dois anos de idade. É causa comum de mortes entre os idosos também.

Na maioria dos casos, é possível prevenir a pneumonia

Uma boa nutrição, incluindo a lactação materna exclusiva entre os primeiros quatro a seis meses de vida, protegem contra a pneumonia. Atualmente, apenas 40% das crianças recebem o leite materno no primeiro semestre de vida.

A imunização integral contra pneumococo, sarampo, influenza, difteria e coqueluche deve ser disponibilizada para todas as crianças.

Evitar a exposição à fumaça de tabaco e reduzir o contato com contaminações pelo ar reduzem o risco de pneumonia em crianças.

A prevenção da transmissão materno-infantil de HIV, o uso antecipado da terapia antirretroviral nas crianças infectadas pelo vírus e a profilaxia com cotrimoxazol para crianças infectadas e expostas ao HIV também pode reduzir a incidência de pneumonia infantil.

Pneumonia é tratável

Para tratar a pneumonia, é necessário prover acesso aos antibióticos, às internações e à suplementação de oxigênio, quando necessário.

Cerca de 170 milhões de crianças de países de baixa e média renda não são vacinadas contra a pneumonia. Mundialmente, apenas 35% recebem as três doses da vacina antipneumocócica.

Somente dois terços das crianças aderem ao tratamento.

Para pôr fim ao alto índice de pneumonia e mortes infantis pela doença, é necessário:

– Criar consciência sobre a pneumonia, principal causa de morte entre as crianças pequenas.

– Fortalecer, acelerar e manter as intervenções para prevenir e tratar a doença.

– Prover acesso aos programas de prevenção e controle e desenvolver estratégias específicas para melhorar o acesso das populações mais carentes a esses programas.

– Realizar pesquisas para fomentar estratégias inovadoras de redução do problema.


Fontes: Forum of International Respiratory Societies e Asociación Latinoamericana de Tórax.

JBP publica artigo sobre doença intersticial pulmonar familiar

Há sugestões que até 20% das PIF possam ser de cunho familiar. A edição do Jornal Brasileiro de Pneumologia volume 45, n. 5, traz o artigo “Fibrose pulmonar familiar: um espectro heterogêneo de apresentações“.

Na pesquisa de Hortense et al¹, recém publicada no JBP, foram descritas as características clínicas de 35 casos índice de FPF, avaliados entre 2014 e 2017 no Brasil.

Fibrose Pulmonar Familiar

A fibrose pulmonar familiar (FPF) é definida como a ocorrência de pelo menos dois casos de algum tipo de pneumonia intersticial fibrosante (PIF) em membros de uma mesma família biológica.

A mediana da idade do diagnóstico foi elevada (66 anos) e não houve predomínio de sexo. História de tabagismo e exposição ambiental, em especial a aves, foi muito comum (45% e 80% dos casos).

Achados

Os padrões tomográficos encontrados foram bastante heterogêneos, incluindo pneumonia intersticial não específica (26%) e pneumonia de hipersensibilidade crônica (2%). O padrão tomográfico de pneumonia intersticial usual só foi detectado em 17% dos casos. Somente 4% dos pacientes mostraram evidências sugestivas de telomeropatias.

De seis pacientes em que foram realizadas biópsias pulmonares, a pneumonite de hipersensibilidade crônica foi diagnosticada em quatro.

Conclusões

De acordo com o Dr. José Antônio Baddini-Martinez, um dos autores do estudo, “é importante investigar antecedentes familiares nos pacientes com suspeita de doença intersticial pulmonar”.

“Além disso, familiares de pacientes com FPF devem ter cuidado especial de não se expor a agentes possivelmente nocivos à respiração, em especial tabagismo e criação de aves”, explica.

“Finalmente, os pneumologistas devem estar cientes que FPF pode englobar uma heterogeneidade de apresentações radiológicas e histológicas. Infelizmente, as dúvidas relacionadas com a melhor condução clínica nesses casos ainda são substanciais”.


¹Hortense AB, Santos MKD, Wada D, Fabro AT, Lima M, Rodrigues S, Calado RT, Baddini-Martinez J. Familial pulmonary fibrosis: a heterogeneous spectrum of presentations. J Bras Pneumol. 2019 Jun 10;45(5):e20180079. doi: 10.1590/1806-3713/e20180079.

Vacina antipneumocócica é incorporada no Programa Nacional de Imunizações

A vacina antipneumocócica conjugada 13-valente Prevenar 13® será oferecida na rede pública de saúde para pacientes de alto risco. A coordenadora da Comissão Científica de Infecções da SBPT, Dra. Rosemeri Maurici, esclarece dúvidas sobre o assunto.

  • A incorporação da CONITEC da vacina antipneumocócica contempla os pacientes portadores de pneumopatias graves (DPOC, asma grave, bronquiectasias, etc.)?

“Não. Houve a recomendação de inclusão (incorporação) da vacina pneumocócica conjugada 13-valente no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para um perfil específico de pacientes considerados de risco gravíssimo para o desenvolvimento de doença pneumocócica.

A vacina estará disponível no Sistema Único de Saúde para pacientes acima de 5 anos de idade que apresentem alguma das seguintes condições clínicas: pacientes oncológicos, pacientes vivendo com HIV/AIDS, indivíduos submetidos a transplante de medula óssea e indivíduos submetidos a transplantes de órgãos sólidos”.

  • Como se dá o procedimento da imunização? Há evidências científicas de uso da vacina anti-pneumocócica 13-valente dose única seguida de vacina pneumocócica 23-valente dose única após seis meses?

“O esquema sequencial PCV13 e VPP23 é recomendado. Deve-se iniciar com uma dose da PCV13, seguida de uma dose de VPP23 após entre seis e doze meses, além de uma segunda dose de VPP23, cinco anos após a primeira. No caso de pessoas que já receberam uma dose de VPP23, recomenda-se o intervalo de 1 ano para a aplicação de PCV13. A segunda dose de VPP23 deve ser feita 5 anos após a primeira, mantendo-se um intervalo de 6-12 meses da PCV13”.

  • A vacina tem contraindicações?

“A Prevenar 13® é contraindicada para pacientes hipersensíveis aos componentes da vacina, incluindo o toxoide diftérico. Cada 0,5 mL de dose intramuscular é formulada para conter 2,2 μg de sacarídeo por sorotipo 1, 3, 4, 5, 6A, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F; 4,4 μg de sacarídeo para o sorotipo 6B; aproximadamente 32 μg de proteína CRM197 e 0,125 mg de fosfato de alumínio como adjuvante. Os excipientes são cloreto de sódio, ácido succínico, polissorbato 80 e água para injeção.

“A Prevenar 13® não contém ovo. As vacinas que contém ovo são as da Influenza (gripe) e Febre Amarela. Sarampo, caxumba, rubéola (Tríplice Viral) ou a conjugada com a Varicela (tetraviral) são cultivada em fibroblastos de frango e podem conter resíduos”.

  • Quais são os efeitos adversos mais comuns?

“Em adultos, mais de 10% apresentam diminuição do apetite, dor de cabeça, diarreia, erupção cutânea, dor nas articulações, dor muscular, calafrios, cansaço e reações locais (endurecimento, inchaço, dor, limitação do movimento do braço). Em 1% a 10% ocorrem vômitos e febre. Entre 0,1% e 1% dos vacinados relatam náusea, alergia grave ou gânglios no braço vacinado”.


Informações: Profª. Dra. Rosemeri Maurici.
Coordenadora da Comissão de Infecções Respiratórias e Micoses da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
Gerente de Ensino e Pesquisa HU – UFSC – EBSERH.
Professora do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas (UFSC).
Médica Pneumologista do Hospital Universitário da UFSC.

CONITEC abre consulta pública para incorporação da vacina pneumocócica conjugada 13-valente no SUS

A CONITEC abriu consulta pública sobre a incorporação da vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC-13) – Prevenar 13® no âmbito do SUS para prevenção da doença pneumocócica em pacientes acima de cinco anos de idade.

Acesse a Consulta Pública de nº 69 no site da CONITEC para opinar sobre a incorporação.

A VPC-13, aprovada pela ANVISA, é indicada para a prevenção de doença invasiva, pneumonia e otite média causadas pelo Streptococcus pneumoniae de treze sorotipos em lactentes, crianças e adolescentes de até 17 anos e 11 meses de idade. Também é indicada para a prevenção de doença pneumocócica (incluindo pneumonia e doença invasiva) causada pelo Streptococcus pneumoniae em adultos com 18 anos ou mais .

O uso da vacina VPC-13 no esquema sequencial com a VPP-23 foi considerado importante pelos especialistas, principalmente para o público de risco, que convive com HIV/Aids, pacientes oncológicos e indivíduos submetidos a transplante de medula óssea.

Por esse motivo, é recomendado o voto a favor da incorporação.

12 de novembro: Dia Mundial da Pneumonia

O Dia Mundial da Pneumonia (12/11) foi proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da prevenção da doença, que segue sendo a principal causa de morte em crianças de até 5 anos de idade.

A pneumonia é uma infecção nos pulmões provocada por bactérias, vírus ou fungos. O Streptococcus pneumoniae é o agente causador em 60% dos casos.

Embora a taxa de mortalidade da pneumonia esteja em queda (redução de 25,5% entre 1990 e 2015), a quantidade de internações e o alto custo do tratamento ainda são desafios para a saúde pública e a sociedade como um todo.

Entre janeiro e agosto deste ano, 417.924 pacientes foram hospitalizados por causa de pneumonia no Brasil, totalizando gastos totais de mais de R$ 378 milhões com serviços hospitalares. No mesmo período do ano passado, foram 430.077 internações, de acordo com informações do Datasus.

Se a pneumonia é diagnosticada e tratada de forma adequada, dificilmente acontece um agravamento do quadro. Por isso, para auxiliar na padronização e na qualidade do atendimento médico em cada caso, a SBPT recomenda ao profissional de saúde que leia a atualização das recomendações de manejo da pneumonia adquirida em comunidade.

Clique na imagem para ler o artigo.

As principais manifestações clínicas da pneumonia são tosse com produção de expectoração; dor torácica, que piora com os movimentos respiratórios; mal-estar geral e febre.

“Devemos ficar atentos para os sinais e sintomas e procurar auxílio médico precocemente, principalmente no caso de pacientes que apresentam maior risco de complicações e de morte, como crianças e idosos, além de portadores de outras doenças crônicas ou situações em que ocorre deficiência do sistema imunológico”, informa a pneumologista Dra. Rosemeire Maurici da Silva, membro da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da SBPT. 

A radiografia de tórax auxilia no diagnóstico e também na avaliação da extensão da pneumonia. O tratamento é feito com antibióticos que devem sempre ser prescritos após avaliação médica detalhada.

Quadros de resfriado comum e gripe podem se agravar e contribuir para o desenvolvimento da pneumonia causada por bactérias. Por isso, tomar a vacina da gripe é extremamente importante para a prevenção.

Há ainda a vacina anti-pneumocócica, opção de prevenção para pneumonias causadas pela bactéria denominada pneumococo, que deve ser prescrita pelo médico. Em caso de contágio, a imunização diminui a intensidade dos sintomas, além de evitar as formas graves da doença e a mortalidade para esse tipo específico de pneumonia.

Algumas das populações prioritárias para a vacinação são: adultos com idade igual ou superior a 60 anos, portadores de doenças crônicas, indivíduos em situação de imunossupressão, gestantes, residentes em lares de idosos, profissionais da saúde, cuidadores de crianças, indígenas, população carcerária, tabagistas e portadores de asma.