Nesta terça-feira (01/04), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) marcou presença no Ato Solene “Dê Um Fôlego”, promovido pela deputada Flávia Morais (PDT-GO) em parceria com a iniciativa Colabore com o Futuro. Realizado no Salão Nobre do Congresso Nacional, o evento teve como foco o debate sobre políticas de saúde voltadas para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), condição prevalente e silenciosa que afeta milhões de brasileiros.
A composição da mesa de honra contou com a presença da deputada Gisela Simona (União Brasil) – representando a deputada Flávia Morais; do presidente da SBPT, Dr. Ricardo de Amorim Corrêa; do presidente eleito da SBPT para 2027-2028, Dr. Marcelo Rabahi; do representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Dr. Leonardo Moura Vilela; da Gerente de Economia da Saúde e Avaliação de Valor na Sanofi, Sarah Franco Watanabe – representando o Dr. Paulo Faleiros; e da presidente da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF), Iara Machado – representando famílias, pacientes e organizações da sociedade civil engajadas na luta contra a DPOC.
Ao dar as boas-vindas aos participantes, a deputada Gisela Simona destacou a importância do evento e convidou a todos para contribuir com o Projeto de Lei 1949/2024, que trata da criação do Plano Nacional de Atenção à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). “Estamos numa fase do projeto em que é possível fazer alterações para enriquecê-lo e ajustá-lo, garantindo que realmente contemple a todos os envolvidos. Que este seja um momento rico de escuta e colaboração para que possamos entregar um projeto de lei que atenda aos interesses de toda a população brasileira”, afirmou.
Na ocasião, o presidente da SBPT, Ricardo de Amorim Corrêa apresentou um panorama da DPOC no Brasil, com números e algumas iniciativas da SBPT, no sentido de colaborar com o poder público para que o Plano Nacional de Atenção à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica seja implementado. Ele também destacou a necessidade de uma maior conscientização sobre a doença, que muitas vezes é negligenciada até que atinja estágios mais avançados.
“Segundo critérios espirométricos, a prevalência da doença é de 15%- 17%, mas há 70% de subdiagnóstico. Entre os pacientes diagnosticados, 55% estão subtratados, o que significa que não estão recebendo o tratamento adequado para a fase de sua doença’”, destacou. “Isso é alarmante e exige nossa atenção imediata, pois a DPOC é uma das principais causas de internação no Brasil, e se a tendência continuar, a situação só tende a piorar”, alertou o presidente da SBPT.
Segundo Amorim, são necessárias políticas públicas robustas que assegurem aos pacientes o suporte necessário desde os primeiros sintomas. “A SBPT tem trabalhado arduamente para melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento da DPOC, contribuindo com diretrizes e capacitação de profissionais de saúde. Um exemplo disso é o Projeto de Espirometria, que realizamos em parceria com o Ministério da Saúde, o qual prevê a aquisição de espirômetros e a formação de técnicos especializados em todo o país. Essa iniciativa visa qualificar os profissionais da Atenção Primária, reduzindo, assim, a incidência de complicações associadas à DPOC em todo o Brasil”, relatou.
O especialista cobrou ainda a publicação dos novos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), incluindo a terapia tríplice para a DPOC, que estão atrasados desde que a terapia foi incorporada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) no SUS, em setembro de 2024. O prazo é de 180 dias para iniciar a dispensação após a incorporação.
Amorim destacou ainda a importância da colaboração das entidades médicas na formulação dos PCDT. “É fundamental que sejamos incluídos no processo desde o início da revisão ou concepção dos PCDT, e não apenas ao final. Isso assegura que a experiência prática e o conhecimento técnico dos profissionais que lidam diretamente com os pacientes sejam considerados, resultando em um documento mais eficaz e relevante”, pontuou.
Por fim, o presidente da SBPT ressaltou que, por Lei, os protocolos possuem validade de apenas dois anos, e a demora em sua atualização impede que o cenário da doença no país acompanhe os avanços necessários. “Estamos perdendo cinco, seis anos valiosos, enquanto os pacientes não recebem o tratamento adequado e continuam sofrendo as consequências da doença. Muitas vezes, os gestores não percebem o custo desse atraso – não apenas em termos financeiros, com internações recorrentes, mas também em vidas perdidas precocemente”, concluiu.
Além de todo o contexto da saúde, a DPOC também tem um impacto significativo na economia brasileira devido à perda de produtividade e ao alto custo do tratamento da doença. Estudos mostram que pacientes com DPOC apresentam maior taxa de absenteísmo e aposentadoria precoce, bem como maior utilização dos serviços de saúde. O peso econômico da doença inclui custos diretos, como internações e medicamentos, e indiretos, como perda de produtividade e encargos previdenciários.
De acordo com a Gerente de Economia da Saúde e Avaliação de Valor na Sanofi, Sarah Franco Watanabe, só os gastos com aposentadoria precoce nos últimos dez anos foram de 567 milhões de reais. “No total, considerando as três categorias de benefícios, o impacto financeiro da DPOC no INSS ultrapassou 1 bilhão de reais nesse período. Precisamos de políticas mais eficazes para reduzir esse impacto e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, ressaltou.
O presidente eleito da SBPT para o biênio 2027-2028, Dr. Marcelo Rabahi foi ainda mais além no debate e mostrou o impacto bilionário da DPOC no PIB Brasileiro.
“Calculamos que entre 2017 e 2022 a DPOC resultou em mais de 240 bilhões de reais em custos diretos e indiretos, incluindo 200 milhões de dias de trabalho perdidos. Este valor é expressivo e sublinha a urgência de ações efetivas. Se não agirmos agora, a pressão sobre o nosso sistema de saúde e sobre a economia do país só tende a crescer. Precisamos unir esforços para mudar esse cenário e garantir um futuro mais saudável para todos”, destacou Rabahi.
Para finalizar, a presidente da ABRAF, Iara Machado fez um discurso emocionante que expressa a profunda dor e a luta diária dos pacientes que enfrentam a DPOC. “Estamos diante de uma realidade difícil, que não pode ser mensurada. Cada dia que passa é uma batalha silenciosa, cheia de desafios que precisam ser reconhecidos. Existe uma vida inteira por trás de cada diagnóstico, são histórias de famílias que se unem em busca de compreensão, ajuda e esperança. Precisamos urgentemente de mais visibilidade e suporte para aqueles que lutam contra esta doença”, começou.
Iara também abordou a questão da inclusão e da importância de se ouvir os pacientes na formulação de políticas e diretrizes. “Não podemos pensar em soluções sem considerar as necessidades reais de quem vive com a DPOC. Precisamos criar ambientes de escuta e acolhimento, onde as vozes dos pacientes sejam ouvidas e levadas em conta. Somente assim poderemos construir um futuro onde aqueles que sofrem dessa condição possam acessar a ajuda de que precisam e ter a qualidade de vida que merecem”, pontuou.
Ao concluir seu discurso, fez um apelo às autoridades e à sociedade civil: “Cada um de nós tem um papel a desempenhar. Sejamos agentes de mudança, garantindo que a DPOC deixe de ser uma doença invisível e que os pacientes recebam a atenção e o respeito que necessitam. Juntos, podemos fazer a diferença e trazer ‘um fôlego’ de esperança para todos que enfrentam essa condição”.
Ao final do evento, todos os participantes encheram balões azuis com a mensagem “+ Fôlego para essa causa”.
A SBPT reafirma seu compromisso com a promoção da saúde respiratória e com a luta por melhores condições de atendimento para pacientes com DPOC. A entidade segue atuando junto a parlamentares e gestores públicos para avançar em políticas que garantam mais qualidade de vida a esses pacientes.