SBPT promove encontro no Congresso Nacional para fortalecer políticas públicas de saúde respiratória
Com o objetivo de aproximar ciência e política na construção de políticas públicas para a saúde respiratória no Brasil, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) promoveu, na terça-feira (04/11), o “Encontro SBPT & Parlamento”, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília. A iniciativa integra as ações contínuas de advocacy que a SBPT vem desenvolvendo junto ao Congresso Nacional para ampliar o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e à qualidade da assistência em doenças respiratórias no país.
Apoiado pela deputada Flávia Morais (PDT-GO) e pelo deputado Luiz Ovando (PP-MS), ambos membros da Comissão de Saúde da Câmara, a iniciativa reuniu gestores públicos, parlamentares, associações de pacientes, vereadores e servidores, fortalecendo o diálogo entre ciência, política e sociedade civil.
“A asma é uma das doenças mais comuns e, ao mesmo tempo, uma das mais negligenciadas. Apesar dos avanços, o acesso ao tratamento ainda é desigual. É nosso dever transformar o conhecimento científico em políticas públicas eficazes”, ressaltou Flávia Morais na abertura do evento.
Luiz Ovando complementou a fala da colega destacando a relevância da iniciativa. “Cuidar da respiração é cuidar da vida. O diálogo entre os pneumologistas e o parlamento é essencial para que o país avance na prevenção e no tratamento das doenças respiratórias”, declarou.
O presidente da SBPT, Dr. Ricardo Amorim Corrêa, agradeceu o apoio dos parlamentares e enfatizou o papel da entidade na formulação de propostas conjuntas. “A SBPT entende que políticas públicas eficazes nascem do diálogo entre ciência e gestão. Nosso objetivo é ampliar o acesso ao tratamento e ao diagnóstico adequado, fortalecendo a atenção primária e reduzindo desigualdades. Por isso, temos trabalhado para expandir o acesso à espirometria, um exame fundamental para o diagnóstico precoce das doenças respiratórias e para o direcionamento do tratamento correto”, relatou.
Ele também reforçou que, apesar dos avanços terapêuticos, o acesso aos medicamentos de controle ainda é insuficiente e precisa ser prioridade. “Há mais de 20 anos temos disponíveis medicamentos combinados eficazes para o controle da asma, mas a atenção primária ainda não tem acesso pleno a eles. A ausência desse tratamento é inaceitável. Por isso, encaminhamos ofício ao Ministério da Saúde solicitando a inclusão desses medicamentos nos programas de Assistência Farmacêutica, como o Componente Básico e a Farmácia Popular. O desenvolvimento científico não pode caminhar sem o acesso”, acrescentou.
O presidente eleito da SBPT (biênio 2027-2028), Dr. Marcelo Rabahi, reforçou a importância do tratamento contínuo e do uso correto das terapias inalatórias. “Muitos pacientes ainda utilizam apenas os inaladores de alívio imediato, sem o tratamento de controle. Essa falha contribui para o agravamento da doença e para o aumento das internações. É preciso garantir que o tratamento completo chegue à atenção básica e seja utilizado de forma adequada”, afirmou.
O coordenador da Comissão de Asma da SBPT, Dr. Emilio Pizzichini, defendeu que ampliar o acesso às terapias combinadas é um passo essencial para melhorar o controle da doença e otimizar o uso dos recursos públicos. “O controle da asma está diretamente ligado à qualidade de vida dos pacientes. Quando o tratamento adequado chega à atenção primária, evitamos crises, reduzimos internações e diminuímos o uso de medicamentos sistêmicos que trazem mais efeitos adversos. A combinação do corticoide inalatório com o broncodilatador de longa duração, disponível de forma contínua, representa uma solução simples, segura e custo-efetiva para o sistema de saúde”, explicou.
O especialista disse ainda que o fortalecimento da rede básica e a capacitação dos profissionais são fatores decisivos para mudar o cenário da asma no país. “A equidade no acesso ao tratamento é fundamental para garantir que o paciente, independentemente de onde viva, tenha a chance de respirar melhor e viver com mais qualidade”, complementou.
A presidente da Associação Brasileira de Asmáticos (ASBAG), Raíssa Cipriano, agradeceu o convite e reforçou a importância de dar voz aos pacientes e famílias que convivem com a doença. “Como mãe de uma menina com asma grave, vivi de perto as dificuldades do diagnóstico, da falta de informação e das barreiras no acesso ao tratamento. Esses desafios ainda fazem parte da realidade de muitos brasileiros”, afirmou. Ela destacou o trabalho da associação e a urgência de políticas públicas que assegurem continuidade terapêutica. “A ASBAG atua para apoiar os pacientes e fortalecer a conscientização sobre a asma. É essencial garantir o fornecimento regular de medicamentos e ampliar o acesso aos serviços especializados, para que ninguém precise interromper o tratamento por falta de acesso”, pontuou.
O encontro também contou com a participação do diretor de Defesa Profissional da SBPT, Dr. Thúlio Marquez Cunha; da secretária-geral da Sociedade, Dra. Flávia Fonseca; do membro da Comissão Científica de Asma da SBPT, Dr. Eduardo Cançado; do presidente da Fundação ProAr, Dr. Álvaro Cruz; além do pneumologista Dr. Rodrigo Scabello, integrante do corpo médico-científico do Laboratório Aché, que também apoiou o evento.
“Este é mais um passo no fortalecimento do diálogo entre a SBPT, os parlamentares e as associações de pacientes. Somente com união e conhecimento técnico conseguiremos aprimorar a assistência e garantir mais qualidade de vida aos pacientes com doenças respiratórias em todo o país”, arrematou o presidente da SBPT ao final do evento.


