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SBPT participa de audiência pública no Senado sobre desafios da hipertensão pulmonar no SUS

Nesta segunda-feira (22/06), o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Dr. Ricardo de Amorim Corrêa, participou de audiência pública promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) do Senado Federal para discutir os desafios enfrentados por pacientes com hipertensão pulmonar no diagnóstico e no acesso aos tratamentos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Proposta pelo senador Flávio Arns (PSB-PR), presidente da comissão, a audiência foi realizada de forma remota e reuniu representantes do Ministério da Saúde, sociedades médicas e entidades de apoio aos pacientes.

“Quero, em primeiro lugar, dar as boas-vindas aos convidados e convidadas e dizer da alegria de poder contar, no Senado Federal, nesta Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática, para debatermos o tema hipertensão pulmonar e os encaminhamentos decorrentes desse quadro”, disse o senador Flávio Arns na abertura da audiência.

O parlamentar ressaltou ainda que a hipertensão pulmonar deve ser discutida de forma transversal pelas diferentes áreas das políticas públicas. Segundo ele, o tema envolve não apenas a saúde, mas também direitos humanos, assistência social, previdência, ciência, tecnologia e financiamento público. “Temos que olhar para a pesquisa, a inovação, a produção de medicamentos, o acompanhamento dos pacientes e para todas as pesquisas que apontam para a estabilização e até para a cura”, pontuou.

O diagnóstico precoce e a ampliação do acesso ao tratamento, apontados pelo senador como desafios centrais para o enfrentamento da doença, também estiveram entre os principais temas abordados pelo presidente da SBPT, Dr. Ricardo de Amorim Corrêa. Em sua apresentação, o pneumologista confirmou que a hipertensão pulmonar continua sendo uma doença frequentemente diagnosticada em estágios avançados.

Segundo ele, muitos pacientes convivem com sintomas por anos antes de receberem o diagnóstico correto. “A maioria dos pacientes tem cerca de dois anos de sintomas antes de chegar a um centro de referência. Isso significa uma jornada em que ele perambulou pela assistência, atrasando o início do tratamento”, observou.

Para o presidente da SBPT, encurtar a jornada do paciente até os centros de referência é fundamental para ampliar as chances de resposta ao tratamento e melhorar os desfechos clínicos.

Nesse sentido, o pneumologista defendeu o fortalecimento das ações de conscientização e da capacitação dos profissionais de saúde para identificar precocemente os sinais da doença. “Sintomas como falta de ar progressiva, cansaço excessivo e limitação para atividades cotidianas não devem ser ignorados. É fundamental que pacientes e profissionais de saúde estejam atentos a esses sinais para que o diagnóstico seja realizado o mais cedo possível”, alertou.

O especialista também chamou atenção para a necessidade de ampliar o acesso aos centros especializados e aos tratamentos disponíveis. “Nós precisamos avançar na inovação e na oferta de novas tecnologias de tratamento”, defendeu. Segundo ele, é fundamental que pacientes com maior gravidade tenham acesso oportuno às terapias recomendadas e às novas tecnologias em avaliação, reduzindo atrasos que podem comprometer a evolução clínica.

Entre as principais lacunas apontadas, Ricardo de Amorim Corrêa destacou a necessidade de ampliar o conhecimento epidemiológico sobre a doença, fortalecer a atenção primária e reduzir as desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Nesse contexto, informou que a SBPT já trabalha na construção de um registro nacional de hipertensão pulmonar, iniciativa que permitirá conhecer melhor o perfil dos pacientes e subsidiar estratégias voltadas ao aprimoramento da assistência em todo o país. “A SBPT se coloca à disposição para colaborar com esse esforço”, afirmou, ao reforçar o compromisso da entidade com o aprimoramento do cuidado às pessoas que vivem com hipertensão pulmonar.

Além do presidente da SBPT, participaram do debate representantes do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF). Entre os convidados estiveram Carmen Cristina Moura dos Santos, coordenadora-geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde; Cecília Menezes Farinasso, tecnologista da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde; Dra. Flavia Navarro, presidente do Grupo de Estudos de Circulação Pulmonar da SBC; e Débora Lima, vice-presidente da ABRAF.

A audiência também contou com a participação do público, que contribuiu para enriquecer o debate. As manifestações encaminhadas abordaram temas como os obstáculos burocráticos para acesso a medicamentos de alto custo, a capacitação da atenção básica para o reconhecimento dos sintomas da doença, a ampliação do acesso a exames diagnósticos e novas terapias no SUS e a integração entre os diferentes níveis de atenção à saúde para reduzir o tempo entre o surgimento dos sintomas e o diagnóstico.

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