SBPT manifesta preocupação com liberação de cigarros eletrônicos na Argentina

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) manifestou preocupação diante da decisão do governo argentino de liberar a comercialização de cigarros eletrônicos, vapes e outros produtos de tabaco aquecido no país.
A medida, oficializada pelo Ministério da Saúde da Argentina e pela Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica (ANMAT), encerra a proibição histórica vigente desde 2011 e passa a regulamentar a venda desses dispositivos. Uma decisão que contraria anos de políticas públicas voltadas à redução do tabagismo na Argentina.
Em mensagem compartilhada no grupo do Fórum Latino-Americano de Sociedades de Medicina Respiratória (FOLASOR), o presidente da Associação Argentina de Medicina Respiratória (AAMR), Carlos Brescacin, alertou para o que classificou como um “grave retrocesso em saúde pública” e solicitou apoio das sociedades científicas da região para mobilização em defesa da revisão da medida. Prontamente, representantes de diferentes sociedades latino-americanas demonstraram apoio à entidade irmã.
Segundo a AAMR, a nova regulamentação argentina encerra a proibição da importação e comercialização desses dispositivos no país e estabelece regras para sua venda legal, incluindo exigência de registro sanitário. A comercialização, no entanto, continua proibida para menores de 18 anos.
Para o presidente da SBPT, Ricardo de Amorim Corrêa, a decisão representa um sinal de alerta para toda a região. “Nos preocupa especialmente que esta medida seja o início de uma ofensiva ainda mais agressiva da indústria tabagista em todo o continente, tentando enfraquecer políticas de saúde que levaram décadas para serem construídas”, afirmou em resposta encaminhada à associação argentina.
Ricardo Corrêa também reforçou a solidariedade institucional da SBPT à AAMR e destacou a importância de uma atuação coordenada das sociedades científicas latino-americanas diante do avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar. “Precisamos permanecer atentos para que medidas semelhantes não avancem em outros países da região. A defesa da saúde pública deve estar acima dos interesses econômicos da indústria do tabaco”, ressaltou.
A SBPT reafirma sua posição histórica de defesa das políticas de controle do tabagismo e alerta para os riscos associados ao uso de cigarros eletrônicos, incluindo dependência de nicotina, doenças cardiovasculares e lesões pulmonares graves.
A entidade também informou que irá antecipar discussões e ações científicas sobre o tema, incluindo um workshop voltado ao enfrentamento dos dispositivos eletrônicos para fumar.

