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SBPT e Laura Beatriz alertam estudantes do DF sobre os riscos dos cigarros eletrônicos

Atendendo ao convite do Centro de Ensino Fundamental 10 de Taguatinga Sul, no Distrito Federal, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), em parceria com a influencer e ex-fumante Laura Beatriz, realizou uma palestra sobre tabagismo para cerca de 150 alunos do 8º e 9º ano. A atividade ocorreu às 10h e teve como foco os riscos dos cigarros eletrônicos, vapes, pods e outros dispositivos eletrônicos para fumar.

O encontro uniu ciência e experiência pessoal para conversar com os adolescentes sobre os efeitos da nicotina, a dependência e os impactos do tabagismo sobre a saúde física e o bem-estar emocional, além de estimular a reflexão sobre hábitos e escolhas nessa fase da vida.

O pneumologista Dr. Ricardo Martins, professor da Universidade de Brasília (UnB) e representante da SBPT, explicou como funcionam os dispositivos eletrônicos para fumar e chamou a atenção para os riscos associados ao seu consumo. Apesar dos diferentes formatos, aromas e sabores, esses produtos têm em comum a presença de nicotina, substância capaz de provocar dependência.

“Tudo é cigarro, tudo é vender nicotina, tudo é ter a indústria em cima do consumidor final”, alertou.

Ricardo destacou que os efeitos do tabagismo vão muito além dos danos aos pulmões. Na adolescência, período de desenvolvimento do cérebro, o contato com a nicotina pode interferir em funções como atenção, memória e aprendizagem, além de estar associado a alterações de humor e outros impactos que podem repercutir na vida escolar e na qualidade de vida.

O médico lembrou aos alunos que eles estão em uma fase importante de formação de hábitos e tomada de decisões. “Vocês estão em uma fase de decisão da vida futura. Embora não pensem nisso, têm que pensar: ‘Não fumo’”, afirmou.

Ao abordar situações em que cigarros ou dispositivos eletrônicos são oferecidos, Ricardo orientou os estudantes a recusarem e a buscarem alternativas mais saudáveis. “Se a pessoa oferecer, recuse. Não precisa brigar. Diga: ‘Obrigado, eu prefiro jogar bola, correr, nadar, fazer atividade física’. Isso é muito mais saudável”, aconselhou.

Para o pneumologista, o esporte é um dos grandes aliados na construção de uma vida saudável. Além dos benefícios para a saúde física e respiratória, a prática esportiva favorece o bem-estar, a socialização e a construção de uma rotina com hábitos positivos.

Depois da abordagem médica, foi a vez de Laura Beatriz contar aos alunos a sua história com o cigarro. O primeiro contato com a nicotina aconteceu na adolescência e, ao longo dos anos, o consumo evoluiu para uma dependência. Mais tarde, Laura passou a utilizar cigarros eletrônicos e pods com frequência, acreditando que esses dispositivos poderiam ser uma alternativa menos prejudicial ao cigarro convencional. Nesse período tentou parar de fumar várias vezes, sem sucesso.

Então, aos 26 anos, o diagnóstico de câncer de pulmão mudaria sua vida. A descoberta ocorreu no fim de 2024, após o surgimento de sintomas que levaram à realização de exames. A investigação identificou um tumor maligno no pulmão direito, e Laura precisou passar por uma cirurgia para a retirada do tumor e de parte do órgão afetado.

A experiência com a doença transformou completamente a sua relação com o tabagismo. Durante a recuperação, ela decidiu tornar pública sua história e passou a utilizar as redes sociais para falar sobre os riscos da nicotina e dos dispositivos eletrônicos para fumar, especialmente entre adolescentes e jovens.

Hoje, Laura participa de ações educativas e compartilha sua trajetória para mostrar como a dependência pode começar com uma experiência aparentemente casual e evoluir para um sério problema de saúde.

O esporte também ganhou um novo significado nessa fase. Depois de enfrentar a doença, Laura encontrou na atividade física uma importante ferramenta para retomar a rotina e cuidar da saúde. A prática passou a fazer parte de seu cotidiano e também da mensagem que leva por meio de suas palestras, mostrando que há caminhos mais saudáveis para cuidar de si, construir relações e ocupar o tempo livre.

No CEF 10 de Taguatinga Sul, as duas perspectivas se complementaram. Dr. Ricardo trouxe aos alunos o conhecimento médico sobre a nicotina e os riscos dos dispositivos eletrônicos enquanto Laura mostrou, por meio da própria trajetória, as consequências que o tabagismo pode trazer.

A conversa despertou o interesse dos estudantes, que participaram com perguntas e dúvidas sobre vapes, pods, dependência e os motivos que tornam esses produtos tão atrativos para o público adolescente.

A mensagem deixada foi direta e reforçou que, antes de experimentar, é preciso conhecer os riscos por trás de produtos que podem parecer modernos e inofensivos. Ao levar esse diálogo para dentro das escolas, a SBPT busca contribuir para que os adolescentes tenham informação e autonomia para fazer escolhas mais saudáveis.

A Sociedade agradece ao Centro de Ensino Fundamental 10 de Taguatinga Sul pela oportunidade e reforça seu compromisso com iniciativas de educação em saúde e enfrentamento ao tabagismo, especialmente entre as novas gerações.

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