HUOL celebra 6 anos do Grupo de Tabagismo com índice médio de 70% de cessação
Em 2025, o Grupo de Tratamento de Tabagismo do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), completa seis anos de trabalho e celebra uma trajetória marcada por acolhimento, ciência e histórias de superação.
Criado em 2019, o projeto nasceu para suprir uma necessidade muito clara: atender de forma individualizada o tabagista, que muitas vezes não se sentia incluído em grupos tradicionais voltados à dependência química. “Como o cigarro é uma droga liberada, os tabagistas não se viam inseridos nesse contexto e muitas vezes se sentiam desconfortáveis”, relata a pneumologista Dra. Suzianne Lima Pinto, coordenadora do projeto no HUOL. Além disso, ela destaca que havia uma lacuna na formação dos alunos de medicina em relação ao tabagismo. “Eles precisavam ver mais, principalmente acompanhar na prática esses pacientes, pois cada tratamento é muito individualizado.”, analisou.
Suzianne Lima Pinto é secretária-geral da Associação de Pneumologia e Cirurgia Torácica do Rio Grande do Norte, membro atuante da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e presidente do Congresso Brasileiro de Pneumologia e Endoscopia Respiratória 2026, que será realizado em outubro do ano que vem em Natal (RN). Reconhecida pelo seu engajamento científico e multiplicidade de funções, ela une conhecimento prático e visão ampliada para garantir que o grupo do HUOL mantenha-se atualizado e inovador no atendimento aos pacientes.
Segundo a pneumologista, a implantação do grupo não foi simples. Nos primeiros anos, a enfrentaram obstáculos para obter medicação específica para o tratamento do tabagismo. “Mas hoje já temos de forma bem mais acessível. Às vezes, encontramos algum entrave”, comenta Suzianne.
Montar e engajar uma equipe multidisciplinar – composta por pneumologistas, psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos, entre outros – também exigiu empenho, assim como sensibilizar os próprios pacientes sobre a importância do tratamento direcionado, do acompanhamento e do apoio mútuo. Para que todo esse trabalho aconteça, a Dra. Suzianne conta com o apoio do enfermeiro Marcelo Sid, vice-coordenador do projeto, que tem papel fundamental na condução das atividades do grupo.
Com o passar dos anos, a integração dos alunos de medicina e dos voluntários se tornou um dos trunfos do grupo. Para Suzianne, os estudantes aprendem a enxergar o paciente de maneira realmente integral. “Eles conseguem ver o paciente de uma maneira holística, entendendo o contexto social e familiar, além do tratamento medicamentoso. Passam a compreender os grandes obstáculos para parar de fumar, auxiliando também em questões psicológicas.” Outro ponto destacado por ela é a riqueza do ambiente multidisciplinar. “É um grupo muito rico em termos de ajuda, de informação. Então, o apoio é muito maior. Além disso, conseguimos oferecer tratamento gratuito e também a terapia cognitivo-comportamental.”, acrescentou.
Os resultados do grupo impressionam tanto em números quanto em histórias pessoais. A taxa de cessação do tabagismo entre os participantes gira em torno de 70% após as seis sessões iniciais do programa. “Nós temos uma taxa de cessação em torno de 70% por grupo. E desses, mais de 60% continuam sem fumar mesmo anos depois. Pacientes que pararam há seis anos permanecem conosco, frequentando as reuniões mensais”, celebra a coordenadora.
Para além do abandono do cigarro, muitos participantes relatam mudanças ainda mais profundas. “Temos histórias de pessoas que mudaram de emprego, passaram a se cuidar, fazer exercícios, viajar, se engajar em grupos de terceira idade… Vão percebendo que a vida vai muito além do prazer de fumar, encontram prazer em muitas outras coisas.”, sublinhou.
A estratégia de manutenção e engajamento dos pacientes é baseada, acima de tudo, em acolhimento e criação de laços. “Temos um laço de amizade muito forte entre os participantes. A equipe de psicologia faz muitas dinâmicas, estimulamos o contato fora dos encontros. Eles realmente criaram grupos de amizade. Tornam-se portos seguros uns para os outros”, compartilha Suzianne. Ela ressalta que, mesmo após o fim do tratamento inicial, muitos seguem se encontrando com frequência, se comunicando por telefone e apoiando uns aos outros na trajetória de vida sem cigarro.
Com o aumento da demanda, especialmente diante do crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre jovens, o grupo já planeja expansão. “Estamos com a intenção de abrir mais um dia na semana, porque nossa demanda é enorme. Agora, com os jovens fumando cigarros eletrônicos, a abordagem deve ser diferenciada”, adianta. A ideia é criar novas estratégias e atendimentos ainda mais personalizados para este público, garantindo que ninguém fique sem suporte.
Como recado para quem deseja largar o tabagismo, a pneumologista é enfática e motivadora: “Parar de fumar é totalmente possível. Mas, é preciso realmente querer. Procure ajuda, procure seu médico de confiança. Se conseguir um grupo como o nosso, melhor ainda. O apoio faz toda diferença e você pode contar com tratamento, equipe multidisciplinar, medicamentos gratuitos e, acima de tudo, acolhimento. Fumar não é um destino, é um desafio superável.”, arremata.
Ao completar seis anos de existência, o Grupo de Tratamento de Tabagismo do HUOL mostra que, quando ciência, cuidado e empatia se somam, deixar o cigarro é só o começo de verdadeiras transformações na vida de cada um dos participantes.

