Caso clínico – Fevereiro 2019
Título
Fibrose pulmonar intersticial numa mulher de 57 anos.
Autor
Dr. Eduardo Algranti
Pneumologista, Chefe do Serviço de Medicina da FUNDACENTRO, São Paulo
Identificação do caso
Paciente feminina, 57 anos, viúva, procedente de São Paulo, SP.
História Clínica
Em 1995 iniciou quadro de dispneia aos esforços, de caráter progressivo. Posteriormente, passou a apresentar espirros, obstrução nasal e piora da dispnéia quando exposta a produtos químicos domésticos. Não Fumante. Relata quadro de pneumonia em 1992.
Encaminhada para avaliação pneumológica em outubro de 1998 por apresentar como queixa principal dispneia progressiva, alterações na radiografia de tórax e antecedentes de trabalho em indústria de artefatos de cerâmica
História Ocupacional
Iniciou atividades externas aos 18 anos. De 10/1959 a 09/1965 trabalhou como prensista de azulejos na Cerâmica A. De 01/1966 a 05/1968, trabalhou na mesma função na Cerâmica B. Posteriormente, trabalhou como passadeira por 30 anos.


Exames iniciais
1. Radiografia de tórax: presença de opacidades nodulares difusas de baixa densidade, interpretadas como grau de profusão 3/2, tamanho nodular p/q e símbolo ax.
2. Espirometria: CVF=1,85 (75%), VEF1=1,66 (91%), VEF1/CVF=0,89
Questão 1: Com os dados de história e exames complementares apresentados é possível inferir que:
a) A hipótese de silicose é provável
b) As queixas de espirros, obstrução nasal e dispnéia associadas à exposição a produtos químicos sugerem sintomas compatíveis com asma
c) A confluência de pequenas opacidades na radiografia é sinal indicativo de doença evolutiva
d) Todas as alternativas acima estão corretas.
Exames solicitados a posteriori
1. Tomografia computadorizada de tórax
Infiltrado nodular de baixa densidade, com aspecto em vidro fosco centrolobular. Nódulos ao longo da cisura e nódulos subpleurais. Áreas de alçaponamento aéreo, septos espessados. Gânglios calcificados em projeção hilar e na janela aorto-pulmonar.
2. Anatomopatológico de material de biópsia pulmonar a céu aberto
Fibrose intersticial predominantemente peribrônquica e perivascular. Presença de infiltrado linfocitário intenso, com deposição de material particulado fino, birrefringente à luz polarizada, com raras células gigantes.
Questão 2 – Com relação à biópsia pulmonar no diagnóstico de pneumoconioses:
a) Por serem doenças difusas, o método de biópsia transbrônquica é o de eleição
b) É indicada em casos em que os achados de imagem não correspondem às história ocupacional e clínica
c) É indicada para fins de comprovação objetiva em pleitos previdenciários e/ou legais
d) Os achados histológicos são homogêneos em qualquer segmento pulmonar amostrado
Questão 3 – Com as informações de história, exames de imagem e biópsia, é possível concluir que:
a) Os achados são compatíveis com silicose clássica
b) A etiologia do processo pode ser tanto ocupacional como não ocupacional
c) Os achados sugerem pneumoconiose por poeira mista
d) O quadro é reversível com tratamento apropriado
Bibliografia
- Honma K, Abraham JL, Chiyotani K, De Vuyst P, Dumortier P, Gibbs AR, Green FH, Hosoda Y, Iwai K, Williams WJ, Kohyama N, Ostiguy G, Roggli VL, Shida H, Taguchi O, Vallyathan V
Proposed criteria for mixed-dust pneumoconiosis: definition, descriptions, and guidelines for pathologic diagnosis and clinical correlation Hum Pathol. 2004 Dec;35(12):1515-23. - Baur X, Sanyal S, Abraham JL Mixed-dust pneumoconiosis: Review of diagnostic and classification problems with presentation of a work-related case, Sci Total Environ. 2019 Feb 20;652:413-421. doi: 10.1016/j.scitotenv.2018.10.083. Epub 2018 Oct 12.
Diagnóstico final
pneumoconiose por poeiras mistas
Respostas
Questão 01: D
Questão 02: C
Questão 03: C
🔒 Conteudo restrito somente para associados.







