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Pneumologia e Tisiologia

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Congresso da SBPT reúne mais de 2 mil participantes, apresenta 941 trabalhos científicos e homenageia nomes da Pneumologia brasileira

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) realizou, de 13 a 17 de outubro de 2026, em Natal (RN), o 42º Congresso Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia e o 18º Congresso Brasileiro de Endoscopia Respiratória. O encontro reuniu 2.015 participantes e 941 trabalhos científicos, entre 113 apresentações orais e 828 pôsteres.

A programação contemplou temas relevantes para a prática clínica e a pesquisa em saúde respiratória, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), câncer de pulmão, doenças pulmonares intersticiais, bronquiectasias, fibrose pulmonar, hipertensão pulmonar, distúrbios respiratórios do sono e infecções respiratórias. A agenda incluiu ainda os avanços da endoscopia respiratória, o uso da inteligência artificial na Pneumologia e os desafios relacionados ao cigarro eletrônico e a outros produtos de nicotina.

Abertura destaca ciência, acesso à saúde e história da Sociedade

Na cerimônia de abertura, o presidente da SBPT, Dr. Ricardo de Amorim Corrêa, ressaltou a importância de aproximar a produção científica das necessidades dos pacientes.

“É muito bom a gente discutir ciência, mas é muito importante aplicá-la. A saúde respiratória tem que chegar ao seu destinatário, que é o paciente”, disse.

Em seguida, ao apresentar iniciativas desenvolvidas pela Sociedade, o presidente destacou o trabalho em defesa da saúde respiratória, a atuação institucional, a formação profissional e a incorporação de novas tecnologias. Entre as ações mencionadas estiveram o fortalecimento da espirometria na atenção primária, as parcerias internacionais para intercâmbio de residentes, a criação de uma comissão voltada à inovação e ao empreendedorismo, com atenção à inteligência artificial, além de mudanças nos canais de comunicação e na publicação científica da Sociedade, que passou a se chamar Respiratory Research & Clinical Practice.

A diretora de Assuntos Científicos da SBPT, Dra. Fernanda Mello, chamou a atenção para a diversidade dos assuntos contemplados na programação, que reuniu desde os efeitos das mudanças climáticas, das queimadas e da poluição atmosférica sobre a saúde respiratória até os avanços terapêuticos e diagnósticos.

“Nosso compromisso foi tentar construir a maior diversidade possível nos próximos dias para as diferentes áreas envolvidas no conhecimento em prol da saúde respiratória”, explicou.

A presidente do 42º Congresso Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia, Dra. Suzianne Ruth Hosanah Lima Pinto, sublinhou o significado do retorno do evento a Natal, que havia sediado o congresso em 1994. Trinta e dois anos depois, a cidade voltou a receber o encontro, reunindo gerações de profissionais e pesquisadores.

“Voltar a Natal não é só relembrar o congresso em relação ao encontro científico, mas parece que remete às pessoas a memórias afetivas inesquecíveis, a momentos que foram muito especiais”, comentou.

A edição de 1994 também marcou a fala da presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Norte, Dra. Soraia Bernardo Monteiro Cardoso, que recordou sua experiência como residente naquele congresso e a trajetória que a levou à presidência da entidade estadual.

Representando a endoscopia respiratória, a presidente do 18º Congresso Brasileiro de Endoscopia Respiratória, Dra. Bianca Fidelix Espindula, abordou os desafios de incorporar os avanços tecnológicos à assistência. Técnicas como o ultrassom endobrônquico (EBUS), a navegação broncoscópica e a criobiópsia ampliam as possibilidades diagnósticas, mas ainda é preciso garantir que esses recursos cheguem aos pacientes.

“Mas acredito que o nosso maior desafio não seja apenas acompanhar toda essa evolução tecnológica, mas também ampliar o acesso e garantir que as inovações cheguem de fato a quem mais precisa”, alertou.

Homenagens celebram legados da Pneumologia brasileira

A abertura foi marcada ainda por homenagens a profissionais que ajudaram a construir a história da Pneumologia brasileira. Foram lembrados o Prof. Dr. Jorge Luiz Pereira e Silva, o Prof. Dr. Paulo Augusto Moreira Camargos, o Prof. Dr. José Manoel Jansen, o Dr. Fernando Antônio Mendonça Guimarães, o Dr. Leo Choma, o Dr. Manoel Ximenes Neto e o Dr. Antônio Teodoro de Andrade Filho.

Na entrega dos reconhecimentos institucionais, o prêmio SBPT 2026 – Legado e Estruturação foi concedido ao Prof. Francisco Elmano Marques Souza, por seu papel na reorganização da Sociedade na década de 1990. O prêmio SBPT 2026 – Mérito Associativo Local foi entregue ao Dr. Marcelo Montoril Filho, pela contribuição à Pneumologia e à cirurgia torácica no Rio Grande do Norte.

A Profa. Dra. Ana Maria Baptista Menezes foi agraciada com o prêmio SBPT 2026 – Excelência em Ensino e Pesquisa, e a Dra. Margareth Maria Pretti Dalcolmo recebeu o prêmio SBPT 2026 – Reconhecimento Institucional por sua atuação na presidência da Sociedade no biênio 2023–2024.

Ao receber a homenagem, Margareth falou sobre o significado da SBPT em sua trajetória profissional. “Vocês sabem que eu sou muito franca, sincera, gosto de uma boa retórica, mas sobretudo gosto de uma boa causa, e a SBPT sempre foi para mim uma causa extraordinária”, declarou.

As homenagens se estenderam à equipe da Sociedade. O prêmio SBPT 2026 – Mérito e Excelência Administrativa foi concedido a Isabela Otoni Pimenta Felizatto, gerente científica e funcionária com a trajetória mais longa na instituição.

A distinção valorizou sua dedicação ao longo de décadas e sua contribuição para a organização e a continuidade das atividades da entidade. Presente em diferentes gestões, Isabela tornou-se uma referência para a equipe e uma ligação entre gerações, participando da realização de congressos, projetos e iniciativas voltadas aos associados. A homenagem ocorreu em um momento próximo à sua aposentadoria e celebrou uma trajetória marcada pelo compromisso com a SBPT e com o desenvolvimento da Pneumologia brasileira.

A produção científica também foi premiada. Referente ao biênio 2024–2025, o prêmio SBPT-JBP 2026 – Melhor Artigo Científico teve como vencedor o estudo “Sociodemographic and clinical characteristics of individuals exposed to smoking or biomass smoke and followed at primary health care centers in Brazil: a multicenter study”, de Juliana O. Barros e colaboradores. Em nome da autora, o Prof. José Roberto Jardim recebeu a medalha de ouro.

A medalha de prata foi concedida à Dra. Simone Lobo Krupok Matias, pelo artigo “Relative incidence of interstitial lung disease in Brazil”. Já a medalha de bronze reconheceu o trabalho “Baseline characteristics of patients from the Brazilian Severe Asthma Registry (REBRAG) study”, de Paulo Márcio Pitrez e colaboradores, e foi recebida pela Dra. Denise Rossato em nome do grupo.

Programação científica aborda desafios atuais da especialidade

Ao longo dos cinco dias, o congresso promoveu debates sobre diagnóstico, tratamento e acompanhamento de diferentes doenças respiratórias, além de apresentar resultados de pesquisas e novas perspectivas para a prática clínica.

As discussões incluíram o uso de medicamentos biológicos no tratamento da asma e da DPOC, a investigação de nódulos pulmonares, os avanços nos exames funcionais e moleculares, a fibrose pulmonar e a hipertensão pulmonar. O papel da inteligência artificial na assistência e na pesquisa em saúde também esteve em pauta.

As atividades pré-congresso, realizadas em 13 de outubro, ofereceram oportunidades de atualização e aprofundamento em diferentes áreas. Foram nove cursos simultâneos, que combinaram aulas, discussões de casos clínicos e estações práticas voltadas à aplicação do conhecimento no cotidiano dos profissionais.

No campo do diagnóstico, o curso de Função Pulmonar abordou espirometria, volumes pulmonares e DLCO, testes de hiper-responsividade brônquica e testes de exercício, como o teste cardiopulmonar e o teste de caminhada de seis minutos. O curso de Imagem reuniu dicas práticas sobre nódulos, infecções e tromboembolismo pulmonar, além de temas como rastreamento do câncer de pulmão, doenças intersticiais e tomografia quantitativa. Já o curso de Ultrassonografia do Tórax tratou de síndromes intersticiais, consolidações, doenças pleurais e avaliação diafragmática, com estações práticas que incluíram a toracocentese guiada por ultrassom.

Na área de procedimentos e suporte respiratório, o pré-congresso de Endoscopia Respiratória apresentou técnicas de desobstrução traqueobrônquica com energias térmicas e criotécnicas, broncoscopia rígida, manejo de estenoses com balões e stents, métodos de navegação e EBUS, com atividades práticas em seis estações. O curso de Ventilação Mecânica percorreu desde o acesso à via aérea na UTI e na emergência até os modos ventilatórios, a ventilação em pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), DPOC e quadros neurocríticos, as assincronias e o desmame. O curso de Distúrbios do Sono, por sua vez, discutiu o diagnóstico e a estratificação de gravidade da apneia obstrutiva do sono, o tratamento com CPAP e outras alternativas, a síndrome da hipoventilação da obesidade e o suporte ventilatório não invasivo, com estações de polissonografia, CPAP, ventiladores e telemonitoramento.

Com foco na atenção primária, o curso de Asma e DPOC na Atenção Primária foi organizado em discussões de casos clínicos em mesas, que abordaram tosse crônica, asma moderada com comorbidades, DPOC, exacerbações e o diagnóstico diferencial entre as duas doenças, além de oficinas de espirometria e dispositivos inalatórios. Completaram a programação o curso Evidência Científica: Como Transformar Dados em Decisões, dedicado a diretrizes, epidemiologia, leitura crítica e escrita e publicação científicas, e o curso de IA na Pneumologia, que tratou dos fundamentos da inteligência artificial, da construção de agentes e de aplicações no consultório, na curadoria científica e na gestão em saúde.

Em 14 de outubro, a programação incluiu as Oficinas Práticas para Ligas Acadêmicas, coordenadas pela Dra. Juliana Carvalho Ferreira e voltadas a estudantes de Medicina. Ao longo do dia, os participantes alternaram aulas sobre a avaliação de sintomas respiratórios, asma e DPOC, infecções respiratórias e doenças intersticiais com oficinas práticas de exame físico respiratório, uso de dispositivos inalatórios e espirometria, interpretação de exames de imagem do tórax e simulação de casos clínicos. A atividade terminou com uma avaliação de conhecimentos e uma discussão com os alunos.

Top 10 destaca pesquisas sobre doenças respiratórias e função pulmonar

O primeiro lugar do Top 10 do congresso ficou com o trabalho “Repensando o TC6: o que o monitoramento contínuo de SpO₂ revela sobre a dessaturação induzida pelo exercício na DPI fibrosante?”, de autoria de Artur Zanelatto Santos, Bruno Natanael Vieira, Alice Scussel, Frances Kopplin Crespo, Franciele Plachi, Marcelo Basso Gazzana e Danilo Cortozi Berton. A pesquisa aborda o monitoramento contínuo da saturação de oxigênio durante o teste de caminhada de seis minutos em pacientes com doença pulmonar intersticial fibrosante.

Outro destaque foi o desempenho de uma equipe de pesquisadores da área de função pulmonar, responsável por metade do Top 10. Os cinco estudos, classificados em segundo, terceiro, quinto, sétimo e oitavo lugares, abordaram valores de referência para espirometria, difusão do monóxido de carbono, volumes pulmonares por pletismografia, resistência específica das vias aéreas e diferenças entre parâmetros espirométricos em adultos brasileiros.

Entre os pesquisadores presentes nos cinco trabalhos estão Eliane Viana Mancuzo, Rodrigo Russo, Maria Raquel Soares e Carlos Alberto de Castro Pereira. Também participam dos estudos Thalita Amaral Mota, Amanda Portela Silva, Luan Fhellipe dos Santos e Danilo Cortozi Berton, entre outros autores. O resultado evidencia a contribuição dessa equipe para a produção científica em função pulmonar apresentada no congresso.

Completam a lista estudos sobre o desenvolvimento de uma ferramenta digital para avaliação e monitoramento da asma, as diferenças no acesso ao diagnóstico e ao controle clínico da doença entre usuários do SUS e da rede privada e a concordância entre testes moleculares e cultura convencional em amostras de lavado broncoalveolar de doadores de pulmão.

Especialistas internacionais ampliam o intercâmbio científico

A programação internacional reuniu especialistas de diferentes países para discutir avanços no conhecimento e no tratamento das doenças respiratórias, com apresentações sobre asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), terapias biológicas e hipertensão pulmonar.

Na sessão internacional sobre doenças pulmonares obstrutivas, o português Jorge Alberto Magalhães Ferreira abordou a relação entre o microbioma respiratório e a asma, destacando as interações entre as comunidades microbianas e a resposta imunológica. Ricardo Lima, também de Portugal, discutiu a medicina de precisão na DPOC, com foco na integração entre fenótipo, risco e resposta terapêutica. A mexicana Catalina Casillas apresentou aspectos do fenótipo exacerbador da doença, incluindo fatores que contribuem para novas crises e a importância de reavaliar o perfil dos pacientes ao longo do tempo.

O espanhol Juan Pablo de Torres discutiu a hipótese de utilização da metformina para combater o envelhecimento pulmonar associado à DPOC. A apresentação abordou evidências preliminares e o estudo AMICO, em andamento na Espanha, que investiga possíveis efeitos do medicamento sobre a função pulmonar e a progressão do enfisema. Os resultados ainda estão em investigação, e a metformina não foi apresentada como tratamento estabelecido para a DPOC. Já o britânico Dave Singh apresentou uma análise sobre o papel dos medicamentos biológicos no tratamento da doença.

Na programação dedicada à asma, o pneumologista Fernando Holguin apresentou atualizações sobre o manejo da doença com medicamentos biológicos. Dave Singh também discutiu o papel dos antagonistas muscarínicos de longa ação (LAMA) no tratamento da asma, com base nas evidências recentes.

A hipertensão pulmonar foi tema de uma sessão conjunta da SBPT com o Pulmonary Vascular Research Institute (PVRI), intitulada The IPVD Consortium Perspective on Pulmonary Hypertension and Global Health. Rubin Tuder abordou a fisiopatologia da hipertensão pulmonar sob uma perspectiva translacional. Suellen D’Arc discutiu o possível papel do eixo intestinal e vascular no remodelamento vascular. Já Ricardo de Amorim Corrêa apresentou a abordagem do rastreamento e da caracterização da hipertensão arterial pulmonar associada à esquistossomose em áreas endêmicas, considerando a realidade brasileira e as perspectivas de colaboração com o consórcio do National Institutes of Health (NIH).

As sessões ampliaram o intercâmbio científico do congresso, com discussões que incluíram desde mecanismos biológicos das doenças respiratórias até estratégias de diagnóstico e perspectivas terapêuticas em investigação.

Fórum NONECO debate desafios da DPOC no SUS

O XIX Fórum Norte-Nordeste e Centro-Oeste de DPOC integrou a programação do congresso com discussões sobre o cenário da doença no Brasil, os desafios para o diagnóstico e as perspectivas de ampliar o acesso ao tratamento. Na abertura, a Dra. Suzianne Ruth Hosanah Lima Pinto salientou a importância da integração entre organizadores e parceiros para fortalecer a iniciativa e promover a troca de experiências entre as três regiões.

Abrindo o ciclo de palestras, o Dr. Marcelo Fouad Rabahi, presidente eleito da SBPT para o biênio 2027–2028, apresentou um panorama da DPOC no país. Entre os desafios apontados estiveram o elevado índice de subdiagnóstico e o acesso tardio à espirometria, exame fundamental para confirmar a doença. A palestra tratou ainda de fatores de risco, como tabagismo, uso de dispositivos eletrônicos para fumar, exposição à fumaça de biomassa e poluição.

Outro ponto discutido foi a importância de uma anamnese cuidadosa para identificar sinais e fatores de risco, além da capacitação de médicos da atenção primária. Essas estratégias são fundamentais para favorecer o reconhecimento precoce da DPOC e melhorar o acompanhamento dos pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS).

O fórum seguiu até o fim do dia, com outras palestras dedicadas à doença e aos desafios relacionados ao diagnóstico e ao tratamento.

A próxima edição do Fórum NONECO de DPOC será realizada em agosto de 2027, durante o congresso da SBPT em Goiânia (GO), dando continuidade à troca de experiências e à integração científica entre as três regiões.

III Fórum das Mulheres destaca trajetórias e desafios da carreira na Pneumologia

Realizado em 14 de outubro, durante o congresso, o III Fórum das Mulheres teve como tema “Mulheres que inspiram: trajetórias, desafios e oportunidades” e reuniu profissionais para compartilhar experiências, discutir os desafios enfrentados ao longo da carreira e refletir sobre a presença feminina na medicina e na produção científica.

A atividade teve como convidadas as pneumologistas Patrícia Rocco (RJ) e Betânia Caldas (RN), com moderação de Juliana Ferreira (SP) e Fernanda Mello (RJ). Cada uma apresentou sua perspectiva sobre a construção da própria trajetória profissional, com ênfase na importância da formação, da determinação e das pessoas que contribuíram para suas conquistas.

Patrícia Rocco compartilhou sua experiência na pesquisa e na formação de novos profissionais. Ao longo da carreira, participou da formação de mais de 300 alunos, entre estudantes de iniciação científica, graduação, pós-graduação e pós-doutorado, e contribuiu para a publicação de mais de 600 artigos científicos. A pneumologista frisou a importância da colaboração internacional e da orientação de jovens pesquisadores, mas reconheceu as desigualdades que ainda persistem no ambiente acadêmico.

“Minha trajetória foi possível, mas não significa que as oportunidades sejam iguais”, pontuou. Ao refletir sobre o papel das mulheres na ciência, completou: “Nenhuma trajetória é construída sozinha. Fui inspirada, tive oportunidades e, agora, minha responsabilidade é criar oportunidades para outras mulheres”.

Já Betânia Caldas apresentou uma trajetória marcada pela atuação assistencial, pelo empreendedorismo e pela busca de novos conhecimentos. Natural do Rio de Janeiro e criada em Natal, a médica iniciou sua formação na Infectologia e depois se especializou em Pneumologia e Broncoscopia. Em seu relato, relembrou os desafios de se mudar para São Paulo com o filho pequeno para dar continuidade à formação e a importância do apoio familiar nessa etapa.

De volta ao Rio Grande do Norte, desenvolveu sua carreira na assistência médica e participou da estruturação de serviços de saúde. Dos aprendizados acumulados ao longo dos anos, elencou três características que considera fundamentais em sua trajetória: coragem, determinação e dedicação. Segundo ela, esses valores foram essenciais para enfrentar os desafios e levar adiante os projetos profissionais.

O encontro mostrou diferentes possibilidades de atuação na Pneumologia e reforçou a importância de ampliar as oportunidades para as mulheres, tanto na assistência quanto na pesquisa e na formação de novas gerações de profissionais.

Reunião nacional fortalece a integração entre a SBPT e as sociedades estaduais

A reunião do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) reuniu representantes da entidade para discutir os resultados da gestão 2025–2026, as ações institucionais em andamento e os desafios para ampliar a atuação da Pneumologia no país. Conduzido pelo presidente da SBPT, Dr. Ricardo de Amorim Corrêa, o encontro abordou temas relacionados a advocacy, relações institucionais, ao projeto TeleResp e a assuntos gerais da Sociedade.

Entre os pontos discutidos estiveram a articulação com o poder público, o papel das sociedades estaduais na defesa da saúde respiratória e as iniciativas para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento de doenças pulmonares no Sistema Único de Saúde (SUS). A pauta incluiu os desafios para expandir a realização de espirometria na atenção primária, ampliar o acesso a medicamentos e incorporar novas tecnologias à rede pública, além das discussões relacionadas ao Ministério da Saúde e à atuação da Comissão de Gestão e Tecnologia Médica (CGTM/MS).

Ricardo destacou a importância de fortalecer o diálogo com o Ministério da Saúde, as secretarias estaduais e municipais, as agências reguladoras e o Congresso Nacional. Também ressaltou o papel da comunicação na divulgação das demandas da Pneumologia e na articulação com gestores públicos, além da necessidade de ampliar a participação das sociedades estaduais nas iniciativas da SBPT.

Para o presidente, o conhecimento científico precisa se traduzir em benefícios concretos para os pacientes, especialmente em países com grandes desigualdades de acesso. “A saúde pública é muito ampla, o país é muito grande, e não se consegue com a assistência privada garantir esse acesso para todos”, afirmou. A fala sintetiza uma das prioridades apresentadas por ele: aproximar a Pneumologia das necessidades da população e contribuir para que os avanços da especialidade alcancem também quem depende do sistema público de saúde.

O projeto TeleResp também integrou as discussões, no contexto dos esforços para qualificar a assistência respiratória e ampliar o acesso a exames e serviços especializados. A iniciativa prevê apoio técnico e capacitação de profissionais da atenção primária, contribuindo para melhorar a capacidade de diagnóstico das doenças respiratórias.

Os representantes das sociedades estaduais compartilharam experiências locais, como parcerias com gestores públicos para capacitar profissionais, desenvolver protocolos e ampliar o acesso a exames e tratamentos. A discussão reforçou a importância de manter a integração entre a diretoria nacional e as entidades estaduais, tanto na implementação de iniciativas quanto na defesa de pautas de interesse da especialidade. Entre as propostas apresentadas, surgiu a realização de reuniões mais frequentes do Conselho Consultivo, inclusive on-line, para ampliar a troca de experiências e dar continuidade aos encaminhamentos.

Reunião internacional amplia a cooperação entre sociedades de Pneumologia

A diretoria da SBPT se reuniu com presidentes e representantes de sociedades internacionais de Pneumologia para apresentar os resultados da gestão 2025–2026 e discutir oportunidades de cooperação nas áreas de educação médica, produção científica e defesa da saúde respiratória.

Durante o encontro, Ricardo de Amorim Corrêa apresentou iniciativas voltadas à ampliação da participação da Sociedade na formulação de políticas públicas, à aproximação com gestores e parlamentares e à melhoria do acesso ao diagnóstico e ao tratamento das doenças respiratórias. Entre os exemplos citados esteve o trabalho para expandir a realização de espirometria na atenção primária, com capacitação de profissionais e apoio técnico aos municípios.

A cooperação internacional teve destaque na apresentação das oportunidades de intercâmbio de residentes com a Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR). A iniciativa permite estágios de curta duração em centros espanhóis, proporcionando contato com diferentes serviços, troca de experiências e aproximação entre profissionais. A proposta se soma às parcerias e ao diálogo mantidos pela SBPT com a American Thoracic Society (ATS), a European Respiratory Society (ERS) e outras entidades internacionais, além da articulação promovida pelo Fórum Ibero-Americano, que reúne representantes do Brasil, de países da América Latina, de Portugal e da Espanha.

Na área de formação, Ricardo também apresentou o SBPT Acolhe, programa que oferece aos residentes uma experiência prática abrangente em diferentes áreas da Pneumologia, incluindo interpretação de exames e procedimentos especializados. Inspirada no bootcamp da ATS, a iniciativa busca contribuir para a formação de novos especialistas e aproximá-los das atividades científicas e institucionais da Sociedade.

Outro assunto foi a mudança de nome da revista científica da SBPT, agora Respiratory Research & Clinical Practice (RRCP). A alteração integra os esforços para ampliar a presença internacional da publicação e atrair contribuições de pesquisadores de diferentes países. Durante a discussão, um representante da sociedade espanhola compartilhou a experiência da revista Archivos de Bronconeumología, que também passou por uma mudança de denominação em meio aos esforços para ampliar seu alcance na comunidade científica de língua inglesa. Segundo o relato, a transição levou cerca de dez anos, oferecendo uma perspectiva prática sobre os desafios envolvidos nesse processo.

Ao concluir a apresentação, Ricardo reforçou o papel da Sociedade na articulação entre ciência, cooperação internacional e atuação pública. “A SBPT é isso, é mais inspiração para o Brasil, muita ciência, muita parceria”, resumiu.

Além desse encontro, a SBPT também manteve uma agenda específica de aproximação científica com a SEPAR, dedicada às relações entre as duas instituições.

Assembleia Geral apresenta balanço da gestão e empossa nova diretoria

A Assembleia Geral da SBPT, realizada em 16 de outubro, marcou a apresentação do balanço da gestão 2025–2026, a apreciação das contas e a posse da nova diretoria para o biênio 2027–2028.

O Conselho Fiscal recomendou a aprovação das contas referentes ao período de janeiro de 2025 a junho de 2026. Ao apresentar o relatório da diretoria, o presidente Ricardo de Amorim Corrêa valorizou o caráter coletivo do trabalho desenvolvido pela Sociedade e a importância da continuidade das iniciativas institucionais.

“A SBPT é fruto de trabalho coletivo de meus antecessores, presidentes, suas diretorias, que dedicaram boa parte de suas vidas à estruturação da nossa maior entidade”, lembrou.

Nessa linha, Ricardo insistiu que a Sociedade precisa preservar uma agenda institucional contínua, independentemente das mudanças de gestão. “Não podemos depender de uma Margareth, depender do Ricardo ou do Marcelo. É preciso que haja uma agenda constante da sociedade”, ponderou.

O presidente também defendeu uma relação propositiva com o poder público. “O que sempre nos norteou foi tornar a SBPT uma parceira efetiva e perene, não um reclamador, um reclamante chato que falta isso, que falta aquilo, mas sim como um parceiro do poder público”, acrescentou.

Durante a assembleia, o Rio de Janeiro foi anunciado como sede do 43º Congresso Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia, em 2028, sob a presidência do Dr. Rogério Lopes Rufino Alves. Ao falar sobre a importância da participação dos associados, Rogério assinalou que a força da entidade está nas pessoas que a compõem. “A sociedade é feita de pessoas, a riqueza da sociedade é o seu conhecimento, é a sua paixão, é a sua união.”

Na mesma sessão, a assembleia homologou a composição do Conselho Fiscal para o biênio 2027–2028. Como membros efetivos, foram definidos Mara Rúbia Fernandes Lundgren, Flávia Fonseca Fernandes e Benedito Francisco Cabral Júnior. Os suplentes são Alexandre Pinto Cardoso, Carla Cristina Curado e Daniel Curujas Bretas.

Na sequência, o Dr. Marcelo Fouad Rabahi tomou posse como presidente da SBPT para o biênio 2027–2028. Em seu pronunciamento, apontou o significado histórico de assumir a liderança da Sociedade como médico oriundo de Goiás.

“É uma responsabilidade muito grande, porque nesses 90 anos de história da SBPT é a primeira vez que um médico oriundo do estado de Goiás assume a presidência”, observou.

Marcelo também enfatizou o compromisso compartilhado com os integrantes da nova diretoria. “Eu carrego esse marco como uma responsabilidade imensa, mas também com a certeza absoluta de que vocês todos estão aqui comigo tomando posse hoje na direção da SBPT”, arrematou.

Na reta final da assembleia, Margareth Dalcolmo dirigiu palavras de reconhecimento ao novo presidente e mencionou a consideração e o afeto dos colegas da Sociedade.

Coube a Ricardo de Amorim Corrêa encerrar a sessão, reforçando o compromisso coletivo com a saúde respiratória. “Todos nós trabalhamos por mais respiração para o Brasil.”, arrematou.

O sucesso do 42º Congresso também foi resultado do trabalho de muitas mãos. A SBPT agradece à sua equipe administrativa, que trabalhou na organização do evento, e às empresas da indústria farmacêutica, que marcaram presença com belos estandes, sessões especiais e outras atividades ao longo de toda a programação.

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Até o Congresso 2027 em Goiânia!

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