SBPT participa de seminário no Congresso Nacional sobre os impactos do tabagismo

Na quarta-feira (27/05), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) participou do seminário “O Fôlego da Vida – Os Impactos do Tabagismo na Saúde Pulmonar”, realizado no Auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
A iniciativa, em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, foi promovida pela Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF), em parceria com a deputada federal Flávia Morais (PDT-GO), e contou com o apoio da SBPT e de outras entidades ligadas à saúde respiratória.
O encontro reuniu parlamentares, especialistas, gestores públicos, sociedades médicas, representantes de pacientes e organizações da sociedade civil para discutir os impactos do tabagismo e dos cigarros eletrônicos na saúde da população brasileira. Também foram destacados dados que reforçam a dimensão do problema no país, como os cerca de 20 milhões de fumantes e as mais de 174 mil mortes anuais relacionadas ao tabaco.
Na cerimônia de abertura, a deputada federal Flávia Morais, responsável pelo requerimento para realização do seminário no Congresso Nacional, ressaltou a importância da aproximação entre Parlamento, sociedade civil e especialistas para fortalecer políticas públicas voltadas à saúde respiratória.
“Esse seminário é um espaço importante para que nós possamos estar discutindo tanto a tramitação do processo legislativo como as demandas mais atuais. Nós realizamos o ano passado uma sessão solene em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco e hoje achamos muito apropriada a realização desse seminário, que vai trazer à luz a atualização dessa discussão”, explicou.
A parlamentar também elencou propostas em tramitação no Congresso Nacional voltadas ao enfrentamento das doenças pulmonares crônicas e ao avanço do uso de dispositivos eletrônicos para fumar no país. “Temos um projeto de lei que proíbe fabricação, uso, comercialização e armazenamento de cigarros eletrônicos. Também temos um projeto que obriga a notificação do EVALI, o que permitirá conhecer o real tamanho do problema em nosso país. Tenho certeza de que o avanço dessas iniciativas representará um passo importante no combate às doenças pulmonares crônicas”.
Os deputados Luiz Ovando (PP-MS) e Gilberto Nascimento (PODE – SP) também participaram do encontro.
Ao abordar os impactos do tabagismo na prática médica, Luiz Ovando chamou atenção para o sofrimento causado pelas doenças respiratórias e reforçou a importância da prevenção, especialmente entre os jovens. “Não há sintoma pior do que a falta de ar. Ao longo de mais de 50 anos de medicina, atuando em pronto-socorro, CTI e salas de emergência, o grande drama do paciente sempre foi o comprometimento do fôlego. Precisamos investir cada vez mais em prevenção, principalmente entre os jovens, porque o cigarro eletrônico tem retomado de forma preocupante o crescimento do tabagismo”, advertiu.
A programação seguiu com mesa de debates mediada pela vice-presidente da ABRAF, Débora Lima, e composta pela coordenadora da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT, Dra. Maria Enedina Scuarcialupi; pela Dra. Fernanda Miranda, presidente da Sociedade Goiana de Pneumologia e Tisiologia; e pela Dra. Sandra Marques, coordenadora estadual da Política Nacional de Controle do Tabaco da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
Ao abrir a discussão, Débora Lima lembrou que o Brasil já foi referência mundial no controle do tabagismo, mas alertou para a necessidade de retomada do engajamento coletivo diante dos sinais recentes de aumento no número de fumantes.
“O Brasil já mostrou que é possível avançar. Reduzimos a prevalência do tabagismo de 35% para menos de 10%, mas os dados mais recentes mostram uma reversão desse cenário. Por isso, é fundamental que pacientes, médicos, parlamentares e sociedade civil estejam juntos para discutir caminhos e fortalecer as políticas públicas.”, enfatizou.
Em seguida, a Dra. Maria Enedina Scuarcialupi destacou que o Brasil é reconhecido internacionalmente pelas políticas de controle do tabaco, mas alertou para a necessidade de fortalecer a fiscalização e garantir a aplicação efetiva das medidas já existentes, especialmente diante do avanço dos cigarros eletrônicos no país. “Somos referência mundial em programas de cessação do tabagismo e em legislação. Temos todo um arsenal que só precisa ser de fato aplicado. É preciso fiscalizar e punir de verdade empresas que vendem ou permitem o uso de cigarros eletrônicos nos seus estabelecimentos”.
Segundo a pneumologista, o tabagismo é uma verdadeira catástrofe sob todos os aspectos: social, econômico, ambiental e de saúde pública. “Não estamos falando apenas de DPOC ou câncer de pulmão. O cigarro interfere no sono, na produtividade, na qualidade de vida e impacta diretamente o meio ambiente. Faço parte do Médicos pelo Clima e essa discussão é fundamental. O descarte de bitucas no litoral brasileiro, as baterias dos cigarros eletrônicos e o plástico desses dispositivos também geram danos ambientais importantes. A complexidade desse problema é muito maior do que a maioria das pessoas imagina.”, complementou.
Na sequência, a Dra. Fernanda Miranda reforçou que o país precisa retomar campanhas nacionais de conscientização em larga escala, semelhantes às que marcaram os avanços históricos no combate ao cigarro nas últimas décadas. “Precisamos estabelecer de novo uma campanha nacional massiva. O Ministério da Saúde costumava fazer algo massivo. E essas campanhas ajudaram a transformar a cultura do tabagismo no Brasil. Os ambientes livres de fumaça, a proibição da publicidade e o aumento da tributação mudaram completamente o cenário”, recordou.
Como consequência, Fernanda ressalta que as novas gerações já não conhecem os avanços conquistados pela Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco e defendeu estratégias de comunicação mais modernas e direcionadas aos jovens. “Precisamos nos comunicar de outra forma, com tecnologia, redes sociais e linguagem adequada para alcançar esse público. Precisamos de uma campanha nacional forte”, concluiu.
O seminário seguiu ao longo da tarde com novas mesas voltadas aos impactos do tabagismo e dos cigarros eletrônicos na saúde pulmonar. Entre os participantes estiveram os pneumologistas Dra. Fernanda Miranda, Dra. Maria Enedina Scuarcialupi, Licia Zanol Lorencini e o Dr. Ramiro Dourado, que deram continuidade aos debates sobre prevenção, cessação do tabagismo, políticas públicas e os desafios relacionados ao avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil. O deputado Raniery Paulino (REPUBLICANOS – PB) também acompanhou as discussões.
Durante os debates, os especialistas alertaram para a defasagem do tratamento do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS), destacando as opções limitadas de medicamentos e a necessidade de modernização e digitalização dos grupos terapêuticos. Fernanda Miranda, Maria Enedina Scuarcialupi e Ramiro Dourado defenderam que o Ministério da Saúde e o INCA ampliem e atualizem as estratégias de tratamento diante do crescimento do uso de cigarros eletrônicos no país.
Paralelamente à programação científica, o evento também contou com a exposição “(IN)visível”, no Hall da Taquigrafia da Câmara dos Deputados, além de ações de conscientização e realização de espirometrias para o público presente.
A participação da SBPT no seminário reforça o compromisso da entidade com o fortalecimento das políticas públicas de controle do tabagismo e com a promoção da saúde respiratória no Brasil.







