SBPT participa de debate nacional sobre atenção integral ao câncer de pulmão

Nesta terça-feira (26/05), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) participou de audiência pública conjunta promovida pelas Comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e de Prevenção e Combate ao Câncer, AVC e Doenças do Coração da Câmara dos Deputados. O encontro reuniu especialistas, gestores públicos, sociedades médicas e entidades de pacientes para discutir os desafios assistenciais, tecnológicos e regulatórios do câncer de pulmão.
Proposta pelo deputado federal Weliton Prado (PSD/MG), a audiência teve como objetivo debater a situação epidemiológica, assistencial e de financiamento do câncer de pulmão no país, no contexto da implementação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (Lei nº 14.758/2023).
Na ocasião, o presidente da SBPT, Ricardo de Amorim Corrêa, defendeu o fortalecimento da linha de cuidado do câncer de pulmão no SUS, com foco no diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e incorporação de tecnologias.
“Como especialistas da área respiratória, lidamos diariamente com o diagnóstico e o tratamento de pacientes com doenças respiratórias crônicas e graves, sendo que o câncer de pulmão é uma das nossas principais dificuldades, preocupações e desafios”, afirmou.
Durante a audiência, o pneumologista também apresentou o posicionamento técnico da SBPT e da Aliança Brasileira contra o Câncer de Pulmão, da qual a entidade é cofundadora ao lado de outras sociedades científicas, como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT). Segundo ele, o principal desafio segue sendo o diagnóstico tardio.
“Apenas 15% dos casos são diagnosticados em estágio inicial. Infelizmente, a grande maioria dos pacientes chega aos serviços de saúde em fases avançadas da doença, o que reduz significativamente as chances de sobrevida e aumenta o custo do tratamento”, ressaltou.
Ricardo de Amorim Corrêa alertou ainda para o impacto do tabagismo e do aumento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar. “Mais de 85% dos diagnósticos são relacionados ao tabagismo. Embora o Brasil tenha políticas públicas exitosas de controle do tabaco, os levantamentos mais recentes mostram aumento do número de fumantes no país, muito relacionado ao consumo de nicotina por dispositivos eletrônicos”, observou.
Entre os pontos defendidos pela SBPT esteve a implementação do rastreamento do câncer de pulmão no SUS com tomografia computadorizada de baixa dose para grupos de risco, além da incorporação da tecnologia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Segundo o especialista, estudos mostram que o rastreamento reduz em cerca de 20% a mortalidade pela doença, percentual que pode chegar a 38% quando associado à cessação do tabagismo.
O presidente da SBPT ressaltou, porém, que a estratégia precisa estar inserida em uma linha de cuidado organizada, com acesso rápido à biópsia e cirurgia. Também defendeu investimentos em modernização tecnológica da rede pública, incluindo padronização de laudos e uso de inteligência artificial para reduzir resultados falso-positivos e tornar mais eficiente a jornada assistencial.
“A falta dessa estruturação gera uma disparidade muito grande no acesso. O rastreamento ocorre de forma pontual na rede privada, enquanto grande parte da população permanece sem essa cobertura preventiva”, destacou.
Também participaram da audiência Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica; Helena Esteves, do Instituto Oncoguia; Leonardo Vilela, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde; Denise Blaques, do Instituto Lado a Lado pela Vida; Fernando Cotait Maluf, do Instituto Vencer o Câncer; Nina Melo, do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer; Maria José Domingues da Silva Giongo, do Instituto Nacional de Câncer; e Paula Elaine Diniz dos Reis, representante do Ministério da Saúde.


