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SBPT e Laura Beatriz palestram sobre os perigos dos vapes em escola no DF

Atendendo ao convite do Centro de Ensino Fundamental 10 de Taguatinga (DF), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) participou de uma ação educativa sobre os perigos do cigarro eletrônico, voltada aos estudantes da instituição. A palestra foi conduzida conjuntamente pelo pneumologista Dr. Ricardo Martins, membro da Comissão de Tabagismo da SBPT, e pela influencer e ex-fumante Laura Beatriz.

Ricardo Martins abriu a apresentação trazendo uma abordagem científica e acessível sobre os dispositivos eletrônicos para fumar. Ele explicou como os vapes funcionam, quais substâncias estão presentes nos aerossóis inalados — incluindo nicotina, produtos tóxicos e metais pesados — e como essas partículas podem causar dependência, inflamação e danos ao sistema respiratório, sobretudo em organismos ainda em desenvolvimento.

O especialista também destacou o crescimento acelerado do uso desses dispositivos entre adolescentes e os riscos associados ao início precoce do tabagismo. “O Brasil vinha reduzindo o consumo de tabaco nos últimos 30 anos. E, infelizmente, tivemos um aumento no consumo de produtos de tabaco no último ano, muito em decorrência dos cigarros eletrônicos. Não se iludam com as falácias da indústria do tabaco. Cigarro eletrônico é cigarro”, alertou o pneumologista.

Na sequência, Laura Beatriz compartilhou sua história de vida, trazendo uma perspectiva pessoal sobre as consequências do consumo de produtos derivados do tabaco. Ela relatou como começou a fumar ainda jovem, descreveu os desafios para largar o vício e a difícil trajetória que enfrentou após o diagnóstico de câncer de pulmão.

Recuperada, hoje utiliza suas redes sociais para alertar outras pessoas sobre os impactos negativos do tabagismo e do cigarro eletrônico, reforçando aos alunos que cuidar da saúde começa por escolhas conscientes. “A cada momento é possível decidir parar de fumar. Sempre existe a chance de escolher um caminho diferente”, afirmou a influencer, recebida com atenção e carinho pelos alunos.

A interação com os estudantes se destacou pela participação ativa, com perguntas e reflexões sobre hábitos e escolhas. Professores e gestores escolares acompanharam toda a atividade e reforçaram a importância do diálogo aproximado com o público jovem.

“Após a palestra de hoje, tive a certeza da importância de ter um jovem como a Laura compartilhando suas experiências. Essa abordagem transmite uma mensagem valiosa aos seus pares: a possibilidade de escolha. De escolher outros rumos, de buscar uma rotina diferente, e de que é possível superar dificuldades e melhorar a qualidade de vida”, destacou Adriana Bento, orientadora educacional que organizou o evento.

Ela enfatizou ainda a importância da manutenção dessas palestras e da expansão para outras escolas do DF. “Nossa escola possui turmas de 8º e 9º ano, com alunos na faixa etária de 13 e 14 anos, período em que, infelizmente, inicia-se a experimentação do cigarro. Fico feliz com a participação dos estudantes e professores, que se envolveram ativamente. Vimos a relevância deste momento, ao compartilhar informações que contribuem para a saúde e o aprendizado dos jovens. O tabagismo prejudica o aprendizado, as funções cognitivas e a qualidade de vida, causando problemas não só na escola, mas também em casa, na família e na comunidade em geral”, concluiu.

O professor de geografia, Toni Martins também fez questão de contribuir para o debate, primeiro parabenizando a Laura e, em seguida, compartilhando sua própria experiência familiar com o tabagismo.

“Quero parabenizar você, Laura, pela sua coragem, pela sua vontade de viver, refazer a sua vida. Você é uma pessoa jovem, uma moça bonita, tem grande tempo pela frente, tá legal? Meu pai morreu de câncer de pulmão. Ele foi um super pai, mas fumou a vida inteira e dizia que o maior desgosto que teria é se um dos filhos fumasse. Eu tenho nove irmãos. Quando mudei para o Brasil, muitos colegas fumavam. Diziam: ‘Mas é teu pai, não é você’. E eu respondia: ‘Eu já decidi que não vou fumar’. Nos últimos dias de vida, ele ficou uma semana na UTI. Entrar lá e ver tudo aquilo… foi quando a ficha caiu. Muitos alunos acham que nada vai acontecer, que são de aço. Repensem tudo isso”, sugeriu.

A SBPT agradece o convite do CEF 10 de Taguatinga, parabeniza a iniciativa e reforça seu compromisso com ações educativas que contribuam para a proteção da saúde respiratória das novas gerações, fortalecendo o enfrentamento à desinformação propagada pela indústria do tabaco.

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