Dia Mundial da DPOC – Conscientizar é Respirar Melhor
O Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), celebrado anualmente em novembro, é um momento para refletirmos sobre o impacto dessa enfermidade que afeta mais de 390 milhões de pessoas no mundo e figura entre as principais causas de mortalidade global.
A DPOC não é apenas “falta de ar” — trata-se de uma doença crônica, progressiva e inflamatória, que compromete a função pulmonar, reduz a capacidade de realizar atividades simples do cotidiano e afeta de forma profunda a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias. No Brasil, o impacto é expressivo: a DPOC é responsável por milhares de internações hospitalares todos os anos, sendo uma das principais causas de atendimento em prontos-socorros e hospitalizações evitáveis. As exacerbações — episódios de piora aguda dos sintomas — aumentam o risco de morte, acarretam custos significativos ao sistema de saúde e aceleram a perda funcional pulmonar.
Estudos nacionais indicam que a DPOC é uma das principais causas de mortalidade respiratória no país, superando diversas doenças infecciosas. Mesmo após a alta hospitalar, muitos pacientes não recuperam plenamente sua função pulmonar ou capacidade física, o que gera um ciclo de limitações, readmissões e alto ônus social e econômico.
Outro aspecto crítico é a presença de comorbidades, especialmente as cardiovasculares, como hipertensão, insuficiência cardíaca e doença coronariana. A inflamação sistêmica crônica e o tabagismo, fatores comuns à DPOC, potencializam esse risco. Além das doenças cardiovasculares, são frequentes o diabetes, osteoporose, ansiedade e depressão, que agravam o curso clínico e aumentam a complexidade do manejo.
O diagnóstico precoce continua sendo um dos maiores desafios. No Brasil, estima-se que menos da metade dos portadores tenha diagnóstico confirmado, o que reforça o problema do subdiagnóstico. A espirometria, exame simples, rápido e de baixo custo, é fundamental para confirmar a limitação ao fluxo aéreo e identificar a doença antes do aparecimento de sintomas mais graves. Ampliar o acesso à espirometria — tanto na rede pública quanto na privada — é essencial para permitir o início precoce do tratamento e a implementação de medidas preventivas e educativas.
Hoje dispomos de tratamentos modernos e individualizados, que incluem broncodilatadores de longa ação, combinações com corticoides inalatórios, reabilitação pulmonar, vacinação, cessação do tabagismo e, em casos selecionados, terapias com oxigênio, intervenções endoscópicas e imunobiológicos. O cuidado deve ser multidisciplinar, envolvendo pneumologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, garantindo um acompanhamento integral e humanizado.
Neste Dia Mundial da DPOC, reforçamos a importância da consciência coletiva: prevenir é possível, diagnosticar precocemente é essencial e tratar é salvar vidas. O enfrentamento da DPOC exige o engajamento conjunto de profissionais de saúde, gestores, pacientes e sociedade — respiramos melhor quando cuidamos juntos.
Dr. Roberto Stirbulov – Coordenador da Comissão Científica de DPOC.

