Em audiência pública, SBPT discute impactos da DPOC em idosos
Na terça-feira (16/09), o coordenador da Comissão Científica de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Dr. Roberto Stirbulov participou de audiência pública sobre os impactos da DPOC na população idosa, realizada na Câmara dos Deputados. O evento foi proposto pela deputada Flávia Morais (PDT-GO), autora dos Requerimentos nº 52/2025 (Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa) e nº 201/2025 (Comissão de Saúde), e conduzido pelo deputado Geraldo Resende (PSDB-MS).
A audiência reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), da iniciativa Colabore com o Futuro, além de pacientes, familiares e membros da sociedade civil. O debate buscou dar visibilidade à necessidade de aprimorar as políticas públicas para prevenção, diagnóstico e tratamento da DPOC, especialmente na população idosa, segmento cada vez mais impactado pela doença.
Além do Dr. Stirbulov, compuseram a mesa de debates Danielle Moreira de Castro Lima, Coordenadora-Geral de Prevenção às Condições Crônicas na Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde; Rafaela Alves Marinho, Tecnologista do Ministério da Saúde; Leonardo Pitta, Presidente da SBGG; Soraya Araújo, Especialista em Relações Institucionais e Ciências Políticas do Colabore com o Futuro; e Leonardo Moura Vilela, representante do CONASS.
Durante sua participação, Roberto Stirbulov destacou que a DPOC vai muito além dos sintomas respiratórios, apresentando diversas comorbidades que afetam gravemente a autonomia e a qualidade de vida dos idosos. “Além do componente respiratório, a DPOC traz doenças associadas e, muitas vezes, seu diagnóstico é atrasado, pois o paciente procura outros especialistas, como cardiologistas, devido à falta de ar ou aperto no peito”, explicou.
Segundo o representante da SBPT, fatores como perda de massa muscular, exaustão, baixa atividade física e lentidão são agravados pela falta de diagnóstico precoce e de acesso aos programas de reabilitação multidisciplinar. “O paciente idoso com DPOC acumula fragilidades: imunossenescência, maior predisposição a infecções respiratórias, limitação funcional e alto risco de ansiedade e depressão, nem sempre reconhecidos e tratados”, afirmou Stirbulov.
Diante desse cenário, o pneumologista salientou a importância de uma abordagem holística. “É necessário garantir vacinação adequada, cessação do tabagismo – que é o principal fator de risco – acesso a reabilitação pulmonar e incentivo à atividade física para recuperar massa muscular e funcionalidade, reduzindo hospitalizações e mortalidade”, ressaltou.
Ele também reforçou o papel fundamental de atualização dos protocolos clínicos e terapêuticos no SUS, facilitando o acesso dos pacientes aos tratamentos modernos e adequados.
A SBPT acredita que a participação em espaços públicos de debate é fundamental para garantir que as evidências científicas orientem a formulação de políticas públicas, ampliem o acesso à espirometria, atualizem os protocolos do SUS e promovam a qualidade da atenção ao paciente idoso.
O aprimoramento do diagnóstico, tratamento e cuidado do paciente com DPOC em idade avançada depende do envolvimento de toda a sociedade. Juntos, podemos transformar o cenário da doença e garantir dignidade, autonomia e qualidade de vida para a população idosa.
A íntegra da audiência está disponível no canal da Câmara dos Deputados no YouTube.

