{"id":39372,"date":"2026-04-08T08:52:31","date_gmt":"2026-04-08T11:52:31","guid":{"rendered":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/?p=39372"},"modified":"2026-04-15T12:37:06","modified_gmt":"2026-04-15T15:37:06","slug":"sbpt-alerta-para-avanco-dos-cigarros-eletronicos-entre-jovens-em-audiencia-publica-no-senado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/sbpt-alerta-para-avanco-dos-cigarros-eletronicos-entre-jovens-em-audiencia-publica-no-senado\/","title":{"rendered":"SBPT alerta para avan\u00e7o dos cigarros eletr\u00f4nicos entre jovens em audi\u00eancia p\u00fablica no Senado."},"content":{"rendered":"\n<p>Na segunda-feira (06\/04), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) participou de audi\u00eancia p\u00fablica realizada no Senado Federal para discutir o uso de cigarros eletr\u00f4nicos e seus impactos na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, especialmente entre crian\u00e7as e adolescentes.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O debate foi proposto pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), diante da crescente preocupa\u00e7\u00e3o com a populariza\u00e7\u00e3o desses dispositivos no pa\u00eds. A SBPT esteve representada pela&nbsp;secret\u00e1ria-geral, Fl\u00e1via Fonseca Fernandes, refor\u00e7ando o compromisso da entidade com a qualifica\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico e a defesa de pol\u00edticas baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido de audi\u00eancia p\u00fablica foi aprovado ainda em 2024 na Comiss\u00e3o de Assuntos Sociais, em um momento em que a regulamenta\u00e7\u00e3o dos cigarros eletr\u00f4nicos estava em destaque no notici\u00e1rio. \u00c0 \u00e9poca, os senadores optaram por ampliar a discuss\u00e3o, promovendo debates conjuntos com outras comiss\u00f5es, como a de Assuntos Econ\u00f4micos, al\u00e9m de realizarem sess\u00e3o tem\u00e1tica no Plen\u00e1rio sobre o combate ao c\u00e2ncer \u2014 ocasi\u00e3o em que os cigarros eletr\u00f4nicos ganharam centralidade nas discuss\u00f5es. Agora, o colegiado retoma o tema, com foco espec\u00edfico nos impactos \u00e0 sa\u00fade infantojuvenil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da secret\u00e1ria-geral da SBPT, a audi\u00eancia reuniu convidados de diferentes \u00e1reas, como o pediatra Jo\u00e3o Paulo Becker Lotufo, coordenador do Grupo de Trabalho de Drogas na Inf\u00e2ncia e na Adolesc\u00eancia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP); Marcelo Couto Dias, secret\u00e1rio da Fam\u00edlia, Cidadania e Seguran\u00e7a Alimentar da Prefeitura de Osasco; e Andr\u00e9 Salem Szklo, tecnologista da Divis\u00e3o de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA), respons\u00e1vel pela apresenta\u00e7\u00e3o de dados t\u00e9cnicos durante o encontro. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao justificar a realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia, a senadora Damares Alves destacou a urg\u00eancia do tema e o apelo desses produtos junto ao p\u00fablico jovem. \u201cN\u00f3s j\u00e1 temos no mercado o tal do cigarro eletr\u00f4nico todo coloridinho, bonitinho, fofinho, como um objeto de papelaria, atraindo um p\u00fablico cada vez mais jovem. Ent\u00e3o, esse \u00e9 um debate sobre o que n\u00f3s podemos fazer agora. Essa audi\u00eancia n\u00e3o tem como objetivo o tipo de regulamenta\u00e7\u00e3o, mas discutir o problema em si.\u201d, destacou a parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a audi\u00eancia, os palestrantes destacaram o avan\u00e7o do uso dos chamados \u201cvapes\u201d, sobretudo entre jovens, impulsionado por estrat\u00e9gias de marketing atrativas e pela percep\u00e7\u00e3o equivocada de que seriam menos prejudiciais do que os cigarros convencionais. Dados mais recentes do IBGE, por meio da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSE) 2024, confirmam esse cen\u00e1rio e mostram o crescimento do consumo entre estudantes de 13 a 17 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados indicam que as meninas experimentam mais os dispositivos (31,7%) do que os meninos (27,4%), e que o uso \u00e9 mais frequente entre alunos da rede p\u00fablica (30,4%) em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 rede privada (24,9%). Regionalmente, os maiores \u00edndices de experimenta\u00e7\u00e3o concentram-se no Centro-Oeste (42,0%) e no Sul (38,3%), enquanto Norte (21,5%) e Nordeste (22,5%) apresentam os menores percentuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, houve queda na experimenta\u00e7\u00e3o de outros produtos, como o cigarro convencional, que recuou de 22,6% para 18,5%, e o narguil\u00e9, que caiu de 26,9% para 16,4%. Para os especialistas, esse movimento sugere uma poss\u00edvel substitui\u00e7\u00e3o do narguil\u00e9 pelo cigarro eletr\u00f4nico entre adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a SBPT levou ao Senado sua posi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, consolidada ao longo dos anos, contr\u00e1ria \u00e0 libera\u00e7\u00e3o e ao uso desses dispositivos, ressaltando os riscos \u00e0 sa\u00fade respirat\u00f3ria e o potencial de depend\u00eancia \u00e0 nicotina em idades cada vez mais precoces.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao iniciar sua apresenta\u00e7\u00e3o, Fl\u00e1via Fonseca Fernandes adotou um tom que mesclou a formalidade cient\u00edfica com uma provoca\u00e7\u00e3o bem-humorada, ao abordar o tradicional tema dos conflitos de interesse. \u201cEsses s\u00e3o meus conflitos de interesse\u2026 talvez o maior deles seja dizer que eu sou pneumologista\u201d, afirmou. Em seguida, destacou que sua pr\u00e1tica cl\u00ednica di\u00e1ria molda sua vis\u00e3o sobre o tema. \u201cEu cuido de pessoas com doen\u00e7as respirat\u00f3rias, acompanho o sofrimento delas por d\u00e9cadas. Ent\u00e3o, sim, eu tenho um enorme conflito de interesse: sou completamente enviesada contra qualquer droga inalat\u00f3ria, porque isso faz mal! E eu vejo as consequ\u00eancias disso todos os dias, em cada paciente, em cada fam\u00edlia\u201d, relatou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, a especialista trouxe uma explica\u00e7\u00e3o did\u00e1tica sobre a compara\u00e7\u00e3o entre os produtos, desmistificando a ideia de que os dispositivos eletr\u00f4nicos seriam uma alternativa \u201cmenos pior\u201d. \u201c\u00c9 muito comum as pessoas perguntarem \u2018Ah, mas o cigarro eletr\u00f4nico \u00e9 menos pior que o convencional, n\u00e9?\u2019. E a resposta \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 melhor, nem pior, \u00e9 diferente\u201d, explicou. Segundo ela, embora haja distin\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o, ambos compartilham um elemento central: \u201cO que eles t\u00eam em comum? Nicotina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pneumologista destacou ainda que as diferen\u00e7as qu\u00edmicas n\u00e3o significam redu\u00e7\u00e3o de danos. \u201cO cigarro tradicional tem milhares de subst\u00e2ncias formadas pela combust\u00e3o. J\u00e1 o l\u00edquido do vape tamb\u00e9m gera compostos \u2014 muitas vezes diferentes, em quantidades diferentes \u2014, mas isso n\u00e3o o faz ser melhor ou pior.\u201d E refor\u00e7ou um ponto cr\u00edtico do debate cient\u00edfico atual: \u201cPara v\u00e1rias subst\u00e2ncias cancer\u00edgenas, associadas \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do DNA, elas podem estar at\u00e9 mais presentes na degrada\u00e7\u00e3o do l\u00edquido do vape\u201d, pontuou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao concluir o racioc\u00ednio, a Dra. Fl\u00e1via foi enf\u00e1tica: \u201cVamos deixar muito claro: os dois s\u00e3o ruins, os dois s\u00e3o p\u00e9ssimos, os dois s\u00e3o drogas\u201d, concluiu.<br><br>Ao final da audi\u00eancia, a senadora Damares Alves retomou os dados apresentados e fez um alerta direto \u00e0s fam\u00edlias, destacando a dimens\u00e3o do problema. \u201cDurante todo o momento aqui foi apresentado o relat\u00f3rio da PeNSE. Em n\u00edvel nacional, quase 30% dos adolescentes entre 13 e 17 anos est\u00e3o consumindo cigarros eletr\u00f4nicos. Mas, para minha tristeza, no Distrito Federal esse n\u00famero chega a 43%\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tom de preocupa\u00e7\u00e3o, a parlamentar chamou a aten\u00e7\u00e3o para o papel das fam\u00edlias na preven\u00e7\u00e3o. \u201cPais e m\u00e3es do Distrito Federal, 43% dos adolescentes j\u00e1 experimentaram ou est\u00e3o usando vapes e, muitas vezes, os pais n\u00e3o sabem.\u201d A senadora tamb\u00e9m enfatizou a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia e do acompanhamento no ambiente familiar. \u201cVoc\u00eas est\u00e3o olhando a mochila dos seus filhos? Ser\u00e1 que n\u00e3o tem um cigarro eletr\u00f4nico ali disfar\u00e7ado de caneta? Como foi mencionado durante a audi\u00eancia, estudos indicam que cerca de tr\u00eas em cada quatro adolescentes que experimentam cigarro eletr\u00f4nico continuam usando .Porque algu\u00e9m seduziu, porque \u00e9 bonito, porque \u00e9 atrativo\u201d, alertou.<br><br>Diante disso, a senadora tamb\u00e9m informou que o tema seguir\u00e1 em discuss\u00e3o no Senado, com a realiza\u00e7\u00e3o de novas audi\u00eancias p\u00fablicas para aprofundar o debate e ampliar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os riscos dos dispositivos eletr\u00f4nicos para fumar.<br><br>Para assistir a audi\u00eancia na \u00edntegra, <strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=e_jytBqS7Yg\">clique aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda-feira (06\/04), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) participou de audi\u00eancia p\u00fablica realizada no Senado Federal para discutir o uso de cigarros eletr\u00f4nicos e seus impactos na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, especialmente entre crian\u00e7as e adolescentes.\u00a0O debate foi proposto pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), diante da crescente preocupa\u00e7\u00e3o com a populariza\u00e7\u00e3o desses dispositivos no pa\u00eds. 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