{"id":32990,"date":"2025-04-08T19:58:41","date_gmt":"2025-04-08T19:58:41","guid":{"rendered":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/?p=32990"},"modified":"2025-04-08T19:58:41","modified_gmt":"2025-04-08T19:58:41","slug":"neste-dia-mundial-de-combate-ao-cancer-que-tal-repensarmos-as-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/neste-dia-mundial-de-combate-ao-cancer-que-tal-repensarmos-as-palavras\/","title":{"rendered":"Neste Dia Mundial de Combate ao C\u00e2ncer, que tal repensarmos as palavras?"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje, mais do que um dia de luta, deveria ser um dia de escuta.<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas, o c\u00e2ncer tem sido globalmente tratado como uma guerra. Se, antes, a inomin\u00e1vel doen\u00e7a era considerada uma senten\u00e7a de morte, hoje, pacientes s\u00e3o chamados de guerreiros enquanto todo o processo \u00e9 descrito como uma sequ\u00eancia de batalhas perdidas, vit\u00f3rias heroicas, rendi\u00e7\u00f5es e resist\u00eancias. Mas ser\u00e1 que essa linguagem realmente ajuda ou acaba impondo um fardo ainda maior a quem j\u00e1 carrega o peso da doen\u00e7a?<\/p>\n<p>No artigo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, em coautoria com a Dra. Thais Azzi Gon\u00e7alves, o coordenador da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica de C\u00e2ncer de Pulm\u00e3o da SBPT, Dr. Gustavo Faibischew Prado, nos convida a enxergar por outra perspectiva: e se o paciente n\u00e3o quiser ser um soldado? E se o cansa\u00e7o for leg\u00edtimo? E se aceitar n\u00e3o for um sinal de fraqueza, mas de humanidade?<\/p>\n<p>Segundo o autor, a motiva\u00e7\u00e3o para o texto surgiu de uma inquieta\u00e7\u00e3o com o uso quase autom\u00e1tico dessas met\u00e1foras de guerra \u2014 uma tentativa, muitas vezes bem-intencionada, de suavizar um tema dif\u00edcil, carregado de estigma e dor.<\/p>\n<p>\u201cAcho que \u00e9 isso que sempre me incomodou. Porque determina que aquela pessoa que n\u00e3o teve escolha sobre adoecer, se comporte com coragem sempre, atitudes positivas, enfrentamento incondicional, e n\u00e3o se permita demonstrar tristeza, medo, ang\u00fastia. Talvez, essas pessoas s\u00f3 desejassem uma vida calma, a sorte de um amor tranquilo, do que morrer como heroi\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Para ele, ao substituir a complexidade do adoecimento por express\u00f5es heroicas, corremos o risco de impor ao paciente uma expectativa irreal de for\u00e7a, bravura e positividade ininterrupta justamente quando ele mais precisa ser acolhido, e n\u00e3o cobrado.<\/p>\n<p>\u201cQuando o tratamento n\u00e3o responde, quando a dor se intensifica, quando a morte chega, a narrativa da batalha pode transformar o paciente em algu\u00e9m que &#8216;n\u00e3o lutou o suficiente&#8217;. Mas a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma guerra. E ningu\u00e9m deve morrer achando que perdeu\u201d, explica.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer \u00e9 uma jornada. Feita de dias bons e dias dif\u00edceis, de decis\u00f5es complexas, de dor e de amor, de limites que se imp\u00f5em, e de afetos que acolhem. \u201cEnt\u00e3o, mais do que encerrar a discuss\u00e3o, o artigo nasce com o desejo humilde de provocar uma d\u00favida, uma reflex\u00e3o e, talvez, quem sabe, abrir caminho para novas formas de comunicar, cuidar e acolher\u201d, conclui Prado.<\/p>\n<p>Neste Dia Mundial de Combate ao C\u00e2ncer, convidamos voc\u00ea a ler este bel\u00edssimo artigo e a compartilhar dessa reflex\u00e3o com quem cuida, com quem trata, com quem est\u00e1 ali, junto.<\/p>\n<p>Afinal, repensar a linguagem \u00e9 tamb\u00e9m transformar o cuidado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jornaldepneumologia.com.br\/details\/4089\/en-US\">Clique aqui<\/a> para ler o artigo na \u00edntegra.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, mais do que um dia de luta, deveria ser um dia de escuta.<br \/>\nPor d\u00e9cadas, o c\u00e2ncer tem sido globalmente tratado como uma guerra. 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