{"id":24826,"date":"2022-11-22T13:21:45","date_gmt":"2022-11-22T13:21:45","guid":{"rendered":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/?p=24826"},"modified":"2022-11-22T13:21:45","modified_gmt":"2022-11-22T13:21:45","slug":"meu-consultorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/meu-consultorio\/","title":{"rendered":"Meu consult\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"\/inicio\" alt=\"\" \/>MEU CONSULT\u00d3RIO<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: left\">Dicas para profissionalizar o seu consult\u00f3rio em n\u00edvel empresarial e alcan\u00e7ar os melhores resultados tanto para os seus pacientes quanto para o seu neg\u00f3cio, al\u00e9m de dicas para se proteger de problemas mais comuns do dia-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/\/defesa-profissional\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-24857 size-full\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/back2.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"72\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<table class=\"table table-hover\" style=\"height: 647px;width: 100%\" border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">1. <a href=\"\/#lgpd01\">PRECISO DA LGPD NA CL\u00cdNICA?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">2. <a href=\"\/#impostos\">COMO PAGAR MENOS IMPOSTOS NA MINHA CL\u00cdNICA<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">3. <a href=\"\/#governanca\">GOVERNAN\u00c7A CL\u00cdNICA<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 32px\">\n<td style=\"height: 32px\">4. <a href=\"\/#marketing\">MARKETING NO CONSULT\u00d3RIO<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">5. <a href=\"\/#tempo\">TEMPO DE CONSULTA EM PNEUMOLOGIA<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">6. <a href=\"\/#mei\">QUANDO MUDAR DE MEI PARA MICROEMPRESA<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">7. <a href=\"\/#consentimento\">TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO E ESCLARECIDO<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">8. <a href=\"\/#contaminados\">INDENIZA\u00c7\u00c3O AOS CONTAMINADOS POR COVID-19<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">9. <a href=\"\/#offlabel\">POSSO SER RESPONSABILIZADO POR PRESCREVER MEDICA\u00c7\u00c3O OFF-LABEL?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">10. <a href=\"\/#olhadinha\">PEDIDO DE \u201cDAR UMA OLHADINHA\u201d NO EXAME<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 24px\">\n<td style=\"height: 24px\">11. <a href=\"\/#ataque\">ATAQUE AO M\u00c9DICO EM REDES SOCIAIS<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 32px\">\n<td style=\"height: 32px\">12. <a href=\"\/#urgencia\">URG\u00caNCIA X EMERG\u00caNCIA<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 32px\">\n<td style=\"height: 32px\">13. <a href=\"\/#seguro\">DEVO FAZER SEGURO M\u00c9DICO?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 32px\">\n<td style=\"height: 32px\">14. <a href=\"\/#carimbo\">\u00c9 OBRIGAT\u00d3RIO USAR SEMPRE O CARIMBO?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 32px\">\n<td style=\"height: 32px\">15. <a href=\"\/#atendimento\">VALOR DO ATENDIMENTO M\u00c9DICO DESVALORIZADO<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 61px\">\n<td style=\"height: 61px\">16. <a href=\"\/#agredido\">O QUE FAZER SE O M\u00c9DICO FOR AGREDIDO VERBALMENTE OU FISICAMENTE?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 32px\">\n<td style=\"height: 32px\">17. <a href=\"\/#gravar\">O PACIENTE PODE GRAVAR UMA CONSULTA M\u00c9DICA?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 61px\">\n<td style=\"height: 61px\">18. <a href=\"\/#atestados\">PRECISO OBRIGATORIAMENTE INFORMAR DIAGN\u00d3STICOS NOS ATESTADOS?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 61px\">\n<td style=\"height: 61px\">19. <a href=\"\/#laudo\">POSSO COBRAR POR PREENCHER LAUDO DO SEGURO SOLICITAO PELO PACIENTE?<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 32px\">\n<td style=\"height: 32px\">20. <a href=\"\/#formalidades\">FORMALIDADES PARA REPETIR A RECEITA DO OUTRO COLEGA<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<hr \/>\n<p><strong><a name=\"lgpd01\"><\/a>1. PRECISO DE LGPD NA CL\u00cdNICA?<\/strong><\/p>\n<p>Sim voc\u00ea precisar\u00e1 adequar-se \u00e0 LGPD, mesmo que seja um consult\u00f3rio com uma sala, um m\u00e9dico, e uma secret\u00e1ria. Ou poder\u00e1 amargar uma multa de at\u00e9 2% do seu faturamento anual.<\/p>\n<p>Muitos m\u00e9dicos, em especial cl\u00ednicas e hospitais, est\u00e3o solicitando alguns esclarecimentos sobre a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o De Dados (LGPD) aplicada \u00e0 \u00e1rea de sa\u00fade, em especial na \u00e1rea m\u00e9dica. A ideia de proteger dados de pacientes n\u00e3o \u00e9 nova, nem foi exig\u00eancia trazida pela LGPD. Na verdade, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal j\u00e1 estabelece a obrigatoriedade de se proteger a privacidade, intimidade, al\u00e9m de prever o sigilo correspond\u00eancia e o <em>habeas data<\/em>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m outras leis brasileiras tratam da prote\u00e7\u00e3o de dados, tais como o marco civil da internet, C\u00f3digo de Defesa do Consumidor &#8211; CDC e C\u00f3digo Civil &#8211; CC, por exemplo.<\/p>\n<p>A LGPD \u2013 Lei 13709\/2018 \u2013 \u00e9 quase c\u00f3pia de uma lei portuguesa. Sua aplica\u00e7\u00e3o independentemente de o atendimento em sa\u00fade ser ou n\u00e3o presencial. A norma citada trouxe algumas regras b\u00e1sicas:<\/p>\n<ul>\n<li>Onde existem pessoas f\u00edsicas com seus dados coletados por algu\u00e9m, h\u00e1 incid\u00eancia da prote\u00e7\u00e3o da LGPD;<\/li>\n<li>Estabelece regras sobre coleta, armazenamento, tratamento, uso e compartilhamento de dados;<\/li>\n<li>S\u00e3o dados: qualquer informa\u00e7\u00e3o capaz de tornar algu\u00e9m identificada diretamente ou identific\u00e1vel (indiretamente com dados cruzados): documentos diversos (CPF, CRM, matr\u00edculas etc), caracteres pessoais e f\u00edsicos, tatuagens, IP de computador, <em>cookies<\/em>, contatos etc;<\/li>\n<li>Quem tem seus dados coletados pode exigir informa\u00e7\u00f5es sobre eles, inclusive quais s\u00e3o essas informa\u00e7\u00f5es, formas de armazenamento, ordem de exclus\u00e3o etc;<\/li>\n<li>Em Medicina se aplica, por exemplo, na situa\u00e7\u00e3o de se pedir portabilidade dos seus dados e\/ou prontu\u00e1rio para outro m\u00e9dico\/hospital;<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m na \u00e1rea de sa\u00fade \u00e9 essencial saber o conceito de dados sens\u00edveis: s\u00e3o aqueles que podem gerar algum tipo de preconceito ou retalia\u00e7\u00e3o, informe de gravidez\/doen\u00e7as, inclusive religi\u00e3o, opini\u00e3o pol\u00edtica, op\u00e7\u00e3o sexual, dados biom\u00e9tricos, fotos de pacientes etc;<\/li>\n<li>Sendo assim, \u00e9 poss\u00edvel concluir que na sa\u00fade s\u00f3 se trabalha com dados sens\u00edveis \u2013 exames, prontu\u00e1rio, diagn\u00f3stico, receita \u2013 dados guardados pelo m\u00e9dico e pela institui\u00e7\u00e3o, da\u00ed a import\u00e2ncia de saber sobre a LGPD, sob pena de o profissional e\/ou a institui\u00e7\u00e3o sofrer problemas judiciais e extrajudiciais;<\/li>\n<li>Como premissa b\u00e1sica, \u00e9 mandat\u00f3rio que a coleta de dados se resuma ao essencial do que se precisa. O objetivo \u00e9 preservar a seguran\u00e7a e a privacidade dos pacientes;<\/li>\n<li>Consult\u00f3rios e institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade devem ter um termo espec\u00edfico de consentimento, informando os direitos do paciente quanto aos seus dados armazenados;<\/li>\n<li>Aos pacientes, sempre de deve deixar claro e por escrito no termo de consentimento expresso, livre e esclarecido, para qual finalidade os dados colhidos ser\u00e3o usados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A rigor, os dados deveriam ser exclu\u00eddos ap\u00f3s o uso, mas na Medicina isso n\u00e3o pode ocorrer j\u00e1 que h\u00e1 o tempo de guarda obrigat\u00f3rio do prontu\u00e1rio f\u00edsico, digitalizado ou microfilmado por vinte anos, determina\u00e7\u00e3o essa ressalvada pela pr\u00f3pria LGPD Art. 16 \u2013 I, que prev\u00ea a conserva\u00e7\u00e3o dos dados para cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o legal. Por isso, o m\u00e9dico deve indicar como as informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o guardadas e resguardadas da curiosidade alheia por todo esse tempo.<\/p>\n<p>O desrespeito \u00e0 LGPD sujeita o infrator (m\u00e9dico ou institui\u00e7\u00e3o) a sofrer san\u00e7\u00f5es pesadas como multa, que pode chegar a 50 milh\u00f5es, por incidente (com base no faturamento do ano anterior), multa di\u00e1ria; pode ser proibido de operar dados, suspender suas atividades, e ainda serem estabelecidas outras san\u00e7\u00f5es judiciais como processos \u00e9ticos, penais e indenizat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Resumindo: a mera utiliza\u00e7\u00e3o indevida dos dados do consumidor\/paciente, sem pr\u00e9vio e expresso consentimento, gera dano moral e \u00e9 pass\u00edvel de multas.<\/p>\n<p><a name=\"impostos\"><\/a><strong>2. COMO PAGAR MENOS IMPOSTOS NA MINHA CL\u00cdNICA<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quanto de impostos seu consult\u00f3rio\/cl\u00ednica voc\u00ea paga hoje? Se respondeu que voc\u00ea \u00e9 PJ e j\u00e1 paga o menos poss\u00edvel (12-15%), saiba que voc\u00ea poderia estar pagando metade disso (5-8%). Isto vale para todos os seus procedimentos m\u00e9dicos que voc\u00ea executa em seu consult\u00f3rio\/cl\u00ednica, MENOS CONSULTAS M\u00c9DICAS SIMPLES. Inclusive \u00e9 v\u00e1lido para treinamentos, cursos e palestras ligados \u00e0 sua \u00e1rea m\u00e9dica. Em outras palavras, em seu consult\u00f3rio\/cl\u00ednica voc\u00ea paga imposto normal para receitas geradas das consultas, por\u00e9m de todas as outras atividades (terapias, exames) voc\u00ea pagar\u00e1 menos da metade.<\/p>\n<p>Existe um processo jur\u00eddico que voc\u00ea pode entrar via escrit\u00f3rios especializados em direito tribut\u00e1rio que faz o que chamamos de <strong>equipara\u00e7\u00e3o hospitalar<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tico, leva tempo (6 meses a 2 anos), mas voc\u00ea tem boas chances de conseguir caso voc\u00ea se enquadre nos requisitos. Caso ganhe o processo, sua cl\u00ednica passa a pagar 70% menos impostos e ainda poder\u00e1 receber os retroativos de 5 anos que voc\u00ea j\u00e1 pagou.<\/p>\n<p>Trata-se de uma manobra tribut\u00e1ria-jur\u00eddica dentro da Lei (Lei 9.249\/1995) de equiparar os atos m\u00e9dicos praticados em seu consult\u00f3rio como equivalentes aos praticados em uma unidade hospitalar, e, portanto, receber os mesmos benef\u00edcios fiscais. Equiparar cl\u00ednica a hospital est\u00e1 entre as principais formas de gerar redu\u00e7\u00e3o de algumas al\u00edquotas inevit\u00e1veis para pequenas, m\u00e9dias e grandes empresas na \u00e1rea m\u00e9dica. A redu\u00e7\u00e3o pode chegar at\u00e9 70% nos seus impostos. Mesmo assim, poucas pessoas sabem do que se trata e como faz\u00ea-la.<\/p>\n<p>Tendo em mente que a carga tribut\u00e1ria do Brasil \u00e9 complexa e extremamente alta, essa pr\u00e1tica se destaca por ser uma solu\u00e7\u00e3o bem \u00fatil aos olhos dos gestores. Ainda assim, essa t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o popular quanto outras formas de elis\u00e3o fiscal. Vale destacar que o processo de equipara\u00e7\u00e3o entre cl\u00ednica m\u00e9dica a hospital \u00e9 uma pr\u00e1tica de elis\u00e3o fiscal. Ao contr\u00e1rio de evas\u00e3o ou sonega\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica conta com apoio jur\u00eddico e pode ser feita a partir do apoio de advogados\/contadores especializados em planejamento tribut\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao equiparar cl\u00ednica m\u00e9dica a hospital, a cl\u00ednica se beneficia da redu\u00e7\u00e3o de dois impostos que possuem al\u00edquotas bem expressivas: o j\u00e1 mencionado Imposto de Renda de Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e a Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL). Ambos as al\u00edquotas trabalham com a porcentagem de 32% e incidem sobre um calend\u00e1rio-ano.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao aplicar a equipara\u00e7\u00e3o entre cl\u00ednica m\u00e9dica ao hospital, voc\u00ea provoca uma redu\u00e7\u00e3o legal dentro das al\u00edquotas. A al\u00edquota passa a ser aqui est\u00e1 logo abaixo:<\/p>\n<ul>\n<li>IRPJ: de 32% para 8%;<\/li>\n<li>CSLL: de 32% para 12%.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Agora, vamos a um exemplo pr\u00e1tico:<\/p>\n<p>A Cl\u00ednica Dr. Pneumos fatura R$ 200 mil\/m\u00eas, sendo R$ 100.000,00 em consultas m\u00e9dicas simples e R$ 100.000,00 em outros procedimentos (espirometria, ecobroncoscopia, imunoterapia, laringoscopia, medida de pico de fluxo expirat\u00f3rio, monoximetria, oximetria n\u00e3o-invasiva, polissonografia, provas imuno-al\u00e9rgicas, teste caminhada 6 minutos, etc).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tabela_01_meu_consultorio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-24839 size-full\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tabela_01_meu_consultorio.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tabela_01_meu_consultorio.png 600w, https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/tabela_01_meu_consultorio-300x79.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para ganhar o benef\u00edcio da equipara\u00e7\u00e3o hospitalar, voc\u00ea precisa estar enquadrado no regime tribut\u00e1rio de Lucro Presumido. Atualmente, h\u00e1 tr\u00eas tipos de regimes: Simples Nacional, indicado para pequenas e m\u00e9dias empresas; Lucro Real, que se mostra vantajoso apenas para grandes multinacionais; e o Lucro Presumido, principal alternativa para empresas que est\u00e3o em crescimento constante.<\/p>\n<p>O Lucro Presumido costuma ser indicado para os neg\u00f3cios que faturam at\u00e9 78 milh\u00f5es de reais ao longo do ano. Neste regime tribut\u00e1rio, o c\u00e1lculo das al\u00edquotas parte da m\u00e9dia de lucro do seu segmento de atua\u00e7\u00e3o. Na sequ\u00eancia, voc\u00ea precisa reunir alguns documentos que o nosso time de contadores solicita para que haja a transforma\u00e7\u00e3o da sua cl\u00ednica em hospital aos olhos da Receita Federal e da Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria).<\/p>\n<p>Caso o seu consult\u00f3rio\/cl\u00ednica n\u00e3o cumpra os requisitos acima, \u00e9 poss\u00edvel fazer uma adequa\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil de sua empresa m\u00e9dica para que a mesma fique de acordo.<\/p>\n<p><a name=\"governanca\"><\/a><strong>3. GOVERNAN\u00c7A CL\u00cdNICA<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>A <strong>Governan\u00e7a Cl\u00ednica<\/strong> \u00e9 uma estrat\u00e9gia que surgiu em 1997, no Reino Unido, com o objetivo de melhorar continuamente a qualidade dos servi\u00e7os de sa\u00fade, garantir um alto padr\u00e3o nos atendimentos, evitar desperd\u00edcios e criar um ambiente de excel\u00eancia cl\u00ednica. Ela possui um papel fundamental para o sistema de sa\u00fade, j\u00e1 que quando executada de forma eficiente melhora a seguran\u00e7a assistencial, experi\u00eancia do paciente e contribui diretamente na gest\u00e3o de custos.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a em Sa\u00fade (IBGS), apesar da express\u00e3o Governan\u00e7a derivar do termo governo, sua interpreta\u00e7\u00e3o passou a depender do enfoque e da aplica\u00e7\u00e3o, restando como defini\u00e7\u00e3o geral o \u201c<strong>conjunto de processos, normas, regulamentos, decis\u00f5es, costumes, ideias que demonstram a forma como empresas privadas ou estatais, s\u00e3o dirigidas e administradas<\/strong>\u201d, tendo como caracter\u00edsticas a seguran\u00e7a, efici\u00eancia, responsabilidade, comprometimento, transpar\u00eancia e sustentabilidade da opera\u00e7\u00e3o e das atividades da empresa em geral perante a sociedade.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar o objetivo da governan\u00e7a assistencial, as cl\u00ednicas precisam motivar o <strong>comprometimento dos gestores e profissionais<\/strong> no seguimento correto das normas estabelecidas, analisando n\u00e3o s\u00f3 os resultados quantitativos de um atendimento, mas todos aqueles que impactam no desfecho de uma jornada. Al\u00e9m disso, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia valorizar a comunica\u00e7\u00e3o \u00e1gil e simples entre todas as equipes e setores, com r\u00e1pido acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Governan\u00e7a Cl\u00ednica tem como objetivos empoderar o benefici\u00e1rio e implementar processos, costumes e rotinas a fim de oferecer assist\u00eancia focada na seguran\u00e7a do paciente, via processo de qualidade e de Governan\u00e7a Organizacional. Segundo a defini\u00e7\u00e3o do NHS (<em>National Health System<\/em>), trata-se de um \u201csistema pelo qual as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por melhorar continuamente a qualidade dos seus servi\u00e7os e garantir elevados padr\u00f5es de atendimento, criando um ambiente de excel\u00eancia de cuidados cl\u00ednicos\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para gerar resultados positivos, esse modelo de gest\u00e3o deve ser executado com base em alguns pilares de atua\u00e7\u00e3o que visam melhorar a efici\u00eancia global da institui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que possuem impacto direto entre si. Esse modelo de gest\u00e3o \u00e9 centrado na pessoa e nos resultados obtidos, exigindo comprometimento dos profissionais envolvidos.<\/p>\n<p>Os 4 pilares da Governan\u00e7a Cl\u00ednica s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Experi\u00eancia do Paciente<\/li>\n<li>Gest\u00e3o de Risco<\/li>\n<li>Efetividade e Efici\u00eancia cl\u00ednica<\/li>\n<li>Auditoria Cl\u00ednica<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>EXPERI\u00caNCIA DO PACIENTE<\/strong><\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o dos processos impacta diretamente na experi\u00eancia do paciente, sendo ela positiva ou negativa. A Governan\u00e7a Cl\u00ednica prev\u00ea que os processos assistenciais e de apoio devem ser desenhados a fim de atender as expectativas e entregar uma experi\u00eancia satisfat\u00f3ria ao paciente. No conceito de governan\u00e7a assistencial temos o paciente como centro do atendimento. Ou seja, a equipe multidisciplinar deve considerar sempre as expectativas e prioridades do paciente e seus cuidadores, entendendo quais s\u00e3o suas principais preocupa\u00e7\u00f5es para avaliar e promover um cuidado adequado.<\/p>\n<p>O cuidado coordenado \u00e9 fundamental para garantir a melhor experi\u00eancia do paciente, j\u00e1 que busca organizar todos os recursos dispon\u00edveis para realizar as atividades necess\u00e1rias e promover a assist\u00eancia adequada ao paciente, como profissionais e tecnologias. Embora muito importante, a implementa\u00e7\u00e3o do cuidado coordenado \u00e9 desafiada por alguns fatores como:<\/p>\n<ul>\n<li>A responsabilidade do cuidado \u00e9 compartilhada, dificultando a descoberta da causa raiz de um desfecho negativo;<\/li>\n<li>A aus\u00eancia ou problemas no relacionamento entre os profissionais podem causar atritos na comunica\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Tempos e esfor\u00e7os adicionais com transi\u00e7\u00e3o de cuidado e consultas geralmente n\u00e3o s\u00e3o reembolsados;<\/li>\n<li>A maioria das pr\u00e1ticas de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria n\u00e3o possui equipe ou tecnologias necess\u00e1rias para coordenar o atendimento de forma eficaz.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nesse ponto, \u00e9 importante ressaltar o quanto a qualidade t\u00e9cnica e o tratamento humanizado da equipe de assist\u00eancia m\u00e9dica fazem a diferen\u00e7a na experi\u00eancia do paciente. Por esse motivo, os gestores devem sempre incentivar o aperfei\u00e7oamento profissional dos colaboradores e criar um ambiente prop\u00edcio para esse desenvolvimento. Al\u00e9m disso, implantar pr\u00e1ticas de humaniza\u00e7\u00e3o e fortalecer v\u00ednculos com os pacientes s\u00e3o algumas das formas de garantir mais qualidade de vida dentro das possiblidades de um atendimento.<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o do cuidado em sua institui\u00e7\u00e3o \u00e9 eficiente? Quais tecnologias voc\u00ea tem usado para compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre o cuidado dos pacientes?<\/p>\n<p><strong>GEST\u00c3O DO RISCO<\/strong><\/p>\n<p>O ambiente hospitalar\/cl\u00ednicas tem riscos inerentes. Por isso, \u00e9 de suma import\u00e2ncia que hospitais e cl\u00ednicas estudem e avaliem os fatores que podem impactar direta e indiretamente nos resultados da Governan\u00e7a Cl\u00ednica, permitindo a corre\u00e7\u00e3o \u00e1gil desses problemas. Desse modo, \u00e9 importante que exista uma cultura de transpar\u00eancia e de responsabiliza\u00e7\u00e3o da equipe envolvida. Controlar todos os fatores que podem impactar nesse processo \u00e9 primordial para a seguran\u00e7a do paciente.<\/p>\n<p>S\u00e3o apenas alguns dos fatores importantes a se analisar:<\/p>\n<ul>\n<li>Consumo inadequado de materiais, exames e medicamentos;<\/li>\n<li>Entender todos os fatores que eventos o tratamento e que podem influenciar em seu resultado;<\/li>\n<li>Avaliar o que pode dar errado ou falhar durante o atendimento como eventos adversos ou infec\u00e7\u00f5es hospitalares;<\/li>\n<li>Levar em considera\u00e7\u00e3o outros eventos que j\u00e1 aconteceram anteriormente;<\/li>\n<li>Utilizar sistemas que ajudam a reduzir riscos e falhas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A dificuldade da equipe cl\u00ednica para identificar e avaliar ofensores de riscos aos processos assistenciais \u00e9 um problema muito comum. Para isso, \u00e9 muito comum notar uma vis\u00e3o retrospectiva do processo, analisando os eventos que impactaram na jornada a partir de notifica\u00e7\u00f5es e reuni\u00f5es de discuss\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 importante tamb\u00e9m analisar de forma prospectiva, direcionando esfor\u00e7os para evitar riscos.<\/p>\n<p><strong>EFETIVIDADE E EFICI\u00caNCIA CL\u00cdNICA<\/strong><\/p>\n<p>De forma did\u00e1tica, a efetividade cl\u00ednica trata-se do desfecho de um atendimento, isto \u00e9, o resultado entregue. J\u00e1 a efici\u00eancia se refere \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre o benef\u00edcio oferecido e seu custo. Nesse sentido, as institui\u00e7\u00f5es precisam avaliar quais modelos trazem melhores desfechos, e identificar sua motiva\u00e7\u00e3o. Esse pilar \u00e9 fundamental para a efici\u00eancia da Governan\u00e7a Cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Para tanto, faz-se necess\u00e1rio o uso de metodologias e solu\u00e7\u00f5es inteligentes que auxiliem os gestores a identificar os modelos de fluxos das cl\u00ednicas mais eficientes e com melhores desfechos. Ou seja, todos os resultados precisam ter evid\u00eancias de efetividade e efici\u00eancia para o paciente. Tudo deve ser baseado em dados de qualidade e reconhecidos por entidades de sa\u00fade como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso prezar pelas condutas cientificamente comprovadas, pelo conhecimento dos profissionais de sa\u00fade e pela melhor melhoria constante dos processos que ser\u00e3o aplicados.<\/p>\n<p><strong>AUDITORIA CL\u00cdNICA<\/strong><\/p>\n<p>A auditoria cl\u00ednica avalia a execu\u00e7\u00e3o dos processos visando a melhoria cont\u00ednua, a fim de aprimorar os resultados de qualidade e efici\u00eancia da assist\u00eancia. Para um processo assertivo, a institui\u00e7\u00e3o deve dispor de uma equipe preparada e tecnologias que suportem a an\u00e1lise da realidade dos processos na sa\u00fade a partir do tratamento dos dados coletados, isto \u00e9, apresentando a realidade do hospital de uma forma que fa\u00e7a sentido para os auditores e alinhado a estrat\u00e9gia da Governan\u00e7a Cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa an\u00e1lise, o debate e divulga\u00e7\u00e3o dos resultados permitir\u00e1 a melhoria dos processos, entregando maior efici\u00eancia \u00e0 estrat\u00e9gia de Governan\u00e7a Cl\u00ednica. A fiscaliza\u00e7\u00e3o, ou acompanhamento, s\u00e3o geralmente feitos por sistemas de qualidade que focam no valor que \u00e9 entregue durante o atendimento.<\/p>\n<p>A auditoria cl\u00ednica contribui tamb\u00e9m para a conquista de modelos de certifica\u00e7\u00e3o e acredita\u00e7\u00e3o, que entregam mais valor e boa reputa\u00e7\u00e3o para os servi\u00e7os da cl\u00ednica\/hospital. Esses modelos comprovam que sua cl\u00ednica segue os padr\u00f5es de excel\u00eancia e requisitos em qualidade e seguran\u00e7a no atendimento.<\/p>\n<p><strong>MAIS EFICI\u00caNCIA PARA SUA GOVERNAN\u00c7A CL\u00cdNICA<\/strong><\/p>\n<p>A alta complexidade de processos assistenciais e de apoio em ambientes de cl\u00ednicas\/hospitalares implica em maior dificuldade na monitora\u00e7\u00e3o dos quatro pilares propostos, j\u00e1 que muitas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o possuem tecnologias adequadas para trazer maior efici\u00eancia para a Governan\u00e7a Cl\u00ednica.\u00a0 Nesse cen\u00e1rio, a minera\u00e7\u00e3o de processos surge como uma solu\u00e7\u00e3o para entregar maior agilidade na an\u00e1lise de efici\u00eancia da experi\u00eancia do paciente, gest\u00e3o de risco, efici\u00eancia cl\u00ednica e auditoria de contas m\u00e9dicas. A minera\u00e7\u00e3o de processos permite a an\u00e1lise profunda e obten\u00e7\u00e3o de insights sobre a realidade dos processos assistenciais e de apoio, entregando maior agilidade para projetos de melhoria de acordo com a estrat\u00e9gia de governan\u00e7a cl\u00ednica.<\/p>\n<p><a name=\"marketing\"><\/a><strong>4. MARKETING NO CONSULT\u00d3RIO<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>O marketing \u00e9 definido como um conjunto de processos para criar, comunicar, fornecer e trocar ofertas que tragam valor para os clientes. Trazendo para medicina, o marketing m\u00e9dico consiste em promover e divulgar o seu trabalho como m\u00e9dico, mas tamb\u00e9m comunicar e entregar valor para os pacientes como informa\u00e7\u00f5es sobre as doen\u00e7as e seus tratamentos. Para isso, podemos fazer uso de diversas estrat\u00e9gias que variam de acordo com as prefer\u00eancias do perfil do seu p\u00fablico, local, cultura, costumes, n\u00edvel socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>Dentre as estrat\u00e9gias de marketing m\u00e9dico, temos:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>P\u00e1ginas amarelas:<\/strong> antigos cat\u00e1logos de v\u00e1rios servi\u00e7os, praticamente em desuso.<\/li>\n<li><strong>Outdoors:<\/strong> explora ambiente visual em locais estrat\u00e9gicos de maior fluxo de pessoas em vias p\u00fablicas.<\/li>\n<li><strong>Revistas de sa\u00fade:<\/strong> revistas que trazem informa\u00e7\u00f5es sobre o m\u00e9dico, doen\u00e7as que tratam, estrutura da cl\u00ednica, novas t\u00e9cnicas e tecnologias. Ap\u00f3s a pandemia, teve diminui\u00e7\u00e3o grande de tiragens deste m\u00e9todo impresso.<\/li>\n<li><strong>R\u00e1dio:<\/strong> ainda bem utilizada e com bom alcance e com possibilidade de segmentar os informes conforme perfil ouvintes para cada tipo de esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio.<\/li>\n<li><strong>Televis\u00e3o:<\/strong> ainda continua sendo o m\u00e9todo de maior impacto\/retorno, por\u00e9m com pre\u00e7os mais caros. Atualmente, muitos canais de televis\u00e3o vendo o potencial da \u00e1rea da sa\u00fade apresentam propostas comerciais espec\u00edficos para o perfil m\u00e9dico (propagandas, entrevistas em programas, reportagens).<\/li>\n<li><strong>Site:<\/strong> local onde o m\u00e9dico poder\u00e1 colocar todos os seus conte\u00fados, estrutura da cl\u00ednica, doen\u00e7as e tratamentos, sua expertise\/forma\u00e7\u00e3o, blogs com suas publica\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos. Na verdade, esta estrat\u00e9gia serve para trazer um paciente que esteja procurando sobre voc\u00ea especificamente (ap\u00f3s uma recomenda\u00e7\u00e3o) ou ainda funcionar como uma p\u00e1gina de captura de clientes que veio de outro local da internet (Google), tamb\u00e9m conhecido como <em>Landpage<\/em>. Este paciente que estava em uma outra p\u00e1gina ou google e foi levado para sua p\u00e1gina oficial damos o nome de lead (potencial paciente). Por isso, quanto mais espec\u00edfico o site, melhor a convers\u00e3o (lead vira cliente\/paciente).<\/li>\n<li><strong>Google:<\/strong> dentro da internet \u00e9 a ferramenta mais utilizada pelos pacientes para buscar assuntos relacionados ao seu problema. Segundo relat\u00f3rios da Google Health, cerca de 7% das buscas di\u00e1rias no Google est\u00e3o relacionadas \u00e0 sa\u00fade, o que corresponde a 70 mil pesquisas\/minuto. Desta forma, o m\u00e9dico poder\u00e1 utilizar de metodologias desta ferramenta (palavras-chave do Google Ads) para direcionar as procuras no Google para o seu site profissional (<em>landpage<\/em>). Google ads \u00e9 ferramenta de gerenciamento de propagandas permite que voc\u00ea \u201cpuxe\u201dclientes\/pacientes da p\u00e1gina de procura para dentro do seu ambiente virtual (site\/landpage). Atrav\u00e9s de estrat\u00e9gias de impulsionamento (pago dentro do Google ads), voc\u00ea posiciona o seu site como o que primeiro aparece no resultado da procura daquele perfil de pacientes. Cada vez que um paciente clica no seu site, um valor \u00e9 descontado do dinheiro que voc\u00ea gastou para impulsionar aquela promo\u00e7\u00e3o. Ao final de uma campanha de propaganda, \u00e9 poss\u00edvel saber quantos cliques foram dados, e o valor para cada clique.<\/li>\n<li><strong>Facebook:<\/strong> apesar de ser uma rede \u201csocial\u201d, esta ferramenta permite que voc\u00ea crie um site dentro do Facebook para o seu perfil m\u00e9dico ou ainda de sua cl\u00ednica. Os clientes normalmente entram ap\u00f3s procurar no Google, para uma valida\u00e7\u00e3o social de sua cl\u00ednica (coment\u00e1rios de outros pacientes, seguidores, ranking, visualizar estrutura, etc). Normalmente \u00e9 utilizado por pacientes com perfil de faixa et\u00e1ria mais alta (acima 40 anos). Voc\u00ea poder\u00e1 utilizar algumas automa\u00e7\u00f5es desta ferramenta para se comunicar com seus pacientes, direct para falar com os mesmos sobre d\u00favidas, e direcionar para sua cl\u00ednica. Apresenta tamb\u00e9m um gerenciador de propagandas (facebook business) que voc\u00ea pode utilizar para criar propagandas mais elaboradas, impulsionar conte\u00fados, direcionar conte\u00fados conforme perfil do paciente.<\/li>\n<li><strong>Instagram:<\/strong> tamb\u00e9m um canal de rede social muito semelhante ao Facebook, por\u00e9m com perfil de clientes com faixa et\u00e1ria mais nova (abaixo 40 anos). Utilizado tamb\u00e9m como um validador social, ou seja, o cliente\/paciente procurou assunto de seu problema de sa\u00fade no Google, ouviu na r\u00e1dio, viu na TV ou ainda recebeu uma recomenda\u00e7\u00e3o de outro conhecido sobre o seu nome e veio no perfil do seu Instagram para ver: n\u00famero de seguidores, quem segue, conte\u00fados, coment\u00e1rios, se o problema de sa\u00fade que ele tem realmente seria com voc\u00ea para tratar. Al\u00e9m disso e curiosamente, os pacientes gostam muito de seguir o dia-dia da rotina do m\u00e9dico e principalmente sobre sua vida pessoal e fam\u00edlia. Por ter uma proposta mais informal, evite falar de forma t\u00e9cnica demais nas suas postagens. Esta ferramenta cria uma maior conex\u00e3o com o paciente por conta disso, mas principalmente se o m\u00e9dico produz conte\u00fados de valor para o paciente. Desde que utilizado de forma \u00e9tica, trata-se de uma ferramenta importante de capta\u00e7\u00e3o de pacientes\/clientes e principalmente de fideliza\u00e7\u00e3o do mesmo. Da mesma forma que o facebook, existe uma ferramenta para poder customizar as campanhas de divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fado (facebook business tamb\u00e9m), direcionar para p\u00fablicos espec\u00edficos permitindo um alto grau de refinamento desse p\u00fablico (ex, \u00e9 poss\u00edvel entregar uma publica\u00e7\u00e3o a pacientes do sexo feminino, idade entre 50-70 anos, que gostam do assunto \u201cX\u201d e que moram no bairro \u201cY\u201d). Atualmente, tem sido a ferramenta de maior utiliza\u00e7\u00e3o para convers\u00e3o de pacientes.<\/li>\n<li><strong>YouTube:<\/strong> o melhor canal para produzir v\u00eddeos mais elaborados e adquirir promotores do seu consult\u00f3rio. Nessa plataforma, voc\u00ea pode optar tanto pela linguagem formal quanto informal. Assim, crie s\u00e9ries sobre as doen\u00e7as mais comuns na sua \u00e1rea, inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas nos tratamentos e procedimentos, dicas de alimenta\u00e7\u00e3o, etc.<\/li>\n<li><strong>Linkedin:<\/strong> muito semelhante \u00e0s demais redes sociais, por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um local onde os pacientes procuram sobre suas doen\u00e7as. Trata-se de uma ferramenta mais de relacionamento entre profissionais de v\u00e1rias \u00e1reas, busca de profissionais, oferta de emprego, conte\u00fados mais elitizados.<\/li>\n<li><strong>Whatsapp Business:<\/strong> trata-se do mesmo whatsapp que utilizamos, por\u00e9m com possiblidades que permitem configurar os dados de sua cl\u00ednica, cat\u00e1logos de seus servi\u00e7os, respostas automatizadas quando voc\u00ea est\u00e1 ausente, mensagem de boas-vindas, respostas r\u00e1pidas conforme palavras-chaves dentre outras possibilidades. \u00c9 como se voc\u00ea tivesse um mini-site sobre voc\u00ea e sua cl\u00ednica dentro do perfil\/n\u00famero do whatsapp que voc\u00ea est\u00e1 utilizando. Este whatsapp permite inclusive que voc\u00ea coloque n\u00fameros fixos, e voc\u00ea pode compartilhar com o whatsapp Web com suas secret\u00e1rias, colocar em suas redes sociais. Quando o paciente clicar em sua foto no whatsapp, abre-se um mini-site com informa\u00e7\u00f5es sobre sua cl\u00ednica. Recomenda-se que m\u00e9dicos tenham ambos aplicativos no seu celular: Whatsapp normal para seus contatos pessoais, e Whatsapp Business para relacionamento com seus pacientes. Isso permite n\u00e3o misturar redes de contato, e o m\u00e9dico pode ter ambos os aplicativos no celular sem problemas. Whatsapp Business pode ser baixado na Apple Store ou Google Play.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O marketing tradicional engloba estrat\u00e9gias offline, ou seja, iniciativas que n\u00e3o s\u00e3o realizadas no ambiente digital, mas sim no f\u00edsico. Este tipo de a\u00e7\u00e3o envolve o uso da televis\u00e3o, do r\u00e1dio, do papel e do telefone. Embora ainda possam ser utilizadas, elas tendem a se tornar obsoletas, pois o comportamento das pessoas mudou e, cada vez mais, elas buscam solu\u00e7\u00f5es para seus problemas na internet, principalmente nas quest\u00f5es ligadas \u00e0 sa\u00fade. Neste sentido, para atender \u00e0s necessidades dos seus pacientes, recomenda-se investir em marketing digital, que consiste em utilizar todo tipo de m\u00eddia online para comunicar, informar e divulgar produtos ou servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Ao avaliar qual forma de marketing aplicar no seu consult\u00f3rio, considere a mudan\u00e7a no comportamento dos pacientes e a forma como eles utilizam a internet para se manterem informados sobre sua sa\u00fade. Por isso, o marketing digital \u00e9 a estrat\u00e9gia mais eficaz a ser realizada nos dias atuais. Dentre as in\u00fameras vantagens que podemos mencionar, se destacam:<\/p>\n<ul>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o no investimento necess\u00e1rio para atrair pacientes, pois as m\u00eddias digitais possuem um custo baixo;<\/li>\n<li>Possibilidade de alcan\u00e7ar um p\u00fablico ainda maior, fora dos seus limites territoriais;<\/li>\n<li>A\u00e7\u00f5es podem ser segmentadas de acordo com o perfil dos seus pacientes, fazendo com que sejam mais assertivas;<\/li>\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de um relacionamento mais pr\u00f3ximo com os pacientes, por meio da oferta de informa\u00e7\u00e3o de qualidade, envio de e-mails e intera\u00e7\u00e3o nas redes sociais;<\/li>\n<li>Conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 necessidade de procurar profissionais de sa\u00fade e dos perigos de buscar respostas na internet.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>O QUE PODE OU N\u00c3O PODE NO MARKETING M\u00c9DICO<\/strong><\/p>\n<p>Uma especificidade do marketing m\u00e9dico \u00e9 que existem limita\u00e7\u00f5es quanto ao que pode ser feito. Como a sa\u00fade \u00e9 um tema que desperta o interesse da popula\u00e7\u00e3o, o CFM decidiu estabelecer uma norma para orientar, proibir e autorizar a pr\u00e1tica dessa estrat\u00e9gia. Assim, foi criada a <strong>resolu\u00e7\u00e3o n.\u00ba 1.974\/11<\/strong> que estabeleceu o Manual de Publicidade M\u00e9dica, um guia para todos os profissionais de sa\u00fade nortearem as suas a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos seus servi\u00e7os. Em resumo, a norma menciona que:<\/p>\n<ul>\n<li>Nas campanhas publicit\u00e1rias, fica proibido fazer uso de express\u00f5es que indiquem a superioridade do seu trabalho, como, por exemplo, \u201co melhor\u201d, \u201co mais eficiente\u201d, \u201co \u00fanico capacitado\u201d, \u201cresultado garantido\u201d e similares;<\/li>\n<li>\u00c9 vetada a divulga\u00e7\u00e3o de fotos de pacientes nas a\u00e7\u00f5es de marketing, mesmo que autorizado por eles;<\/li>\n<li>Fica autorizado o an\u00fancio de equipamentos m\u00e9dicos, desde que n\u00e3o indiquem que a superioridade tecnol\u00f3gica garanta o sucesso do procedimento;<\/li>\n<li>Os m\u00e9dicos n\u00e3o devem usar seus canais de comunica\u00e7\u00e3o para compartilhar not\u00edcias sensacionalistas que alarmam \u00e0 sociedade;<\/li>\n<li>Ao participar de entrevistas, publicar artigos ou divulgar informa\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico, a autopromo\u00e7\u00e3o deve ser evitada;<\/li>\n<li>Todo material impresso de car\u00e1ter institucional deve conter nome do m\u00e9dico, especialidade ou \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, CRM local, o Registro de Qualifica\u00e7\u00e3o de Especialista (RQE), nome e CRM do diretor t\u00e9cnico;<\/li>\n<li>Fica proibido anunciar uma especialidade que n\u00e3o possui e\/ou que n\u00e3o est\u00e1 registrada no conselho de classe;<\/li>\n<li>As m\u00eddias digitais n\u00e3o devem ser utilizadas para realizar consultas, diagn\u00f3sticos ou prescri\u00e7\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia;<\/li>\n<li>Ao criar qualquer tipo de propaganda ou publicidade, \u00e9 obrigat\u00f3rio informar o nome do profissional, especialidade e\/ou \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, CRM, n\u00famero do RQE;<\/li>\n<li>Veta a participa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos em a\u00e7\u00f5es publicit\u00e1rias para promover empresas ou produtos ligados \u00e0 Medicina;<\/li>\n<li>Pro\u00edbe que profissionais de sa\u00fade fa\u00e7am divulga\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos ou t\u00e9cnicas que n\u00e3o sejam aceitas pela comunidade cient\u00edfica;<\/li>\n<li>\u00c9 vetado o recebimento de pr\u00eamios no estilo \u201cm\u00e9dico do ano\u201d;<\/li>\n<li>Ao criar pe\u00e7as publicit\u00e1rias, \u00e9 proibido divulgar pre\u00e7o dos procedimentos, formas de pagamento, possibilidade de parcelamento ou oferecer descontos;<\/li>\n<li>Exige que m\u00e9dicos n\u00e3o autorizem a utiliza\u00e7\u00e3o do seu nome em propagandas enganosas desenvolvidas por terceiros e nem em mat\u00e9rias desprovidas de qualquer rigor cient\u00edfico.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>BOAS PR\u00c1TICAS EM MARKETING M\u00c9DICO<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de existirem muitas limita\u00e7\u00f5es, ainda \u00e9 poss\u00edvel desenvolver v\u00e1rias estrat\u00e9gias de marketing m\u00e9dico. Uma delas que \u00e9, inclusive, encorajada pelo CFM \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de blog, pois o \u00f3rg\u00e3o o entende como uma ferramenta de dissemina\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Ademais, para evitar infringir a norma e ser penalizado pelo Conselho Federal de Medicina, conhe\u00e7a algumas boas pr\u00e1ticas ao fazer o marketing do seu consult\u00f3rio:<\/p>\n<ul>\n<li>Seja claro e objetivo na sua mensagem em todas as comunica\u00e7\u00f5es que realizar;<\/li>\n<li>Evite chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com textos sensacionalistas e termos que indiquem superioridade;<\/li>\n<li>Ao divulgar um tratamento ou procedimento com alta taxa de sucesso, por mais que seja tentador, n\u00e3o ofere\u00e7a garantia de resultado;<\/li>\n<li>Nas campanhas em que promova o seu t\u00edtulo de especialista, limite-se a, no m\u00e1ximo, duas especialidades;<\/li>\n<li>\u00c9 permitido divulgar endere\u00e7o e telefone do consult\u00f3rio nas redes sociais.<\/li>\n<\/ul>\n<p><a name=\"tempo\"><\/a><strong>5.<\/strong> <strong>TEMPO DE CONSULTA EM PNEUMOLOGIA<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Diretoria de Defesa Profissional tem recebido questionamentos sobre o tempo ideal para consulta em pneumologia<\/p>\n<p>Reconhecemos que o motivo tem sido a press\u00e3o que alguns colegas sofrem quando s\u00e3o contratados por hora para atender determinado n\u00famero de pacientes em servi\u00e7os ambulatoriais de medicina de grupo, cl\u00ednicas de especialidades ou mesmo em servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Regulamenta\u00e7\u00e3o:<\/strong> N\u00e3o existem normas a este respeito na ANS (que regula o atendimento de sa\u00fade suplementar) ou no SUS. Os conselhos regionais e o CFM que fiscalizam a atividade m\u00e9dica dentro de princ\u00edpio \u00e9ticos e legais da boa pr\u00e1tica tamb\u00e9m n\u00e3o estipulam limites a este respeito<\/p>\n<p>Fatores que influenciam o tempo de uma consulta:<\/p>\n<ul>\n<li>Ser primeira consulta ou consulta de acompanhamento<\/li>\n<li>Fluxo de entrada e sa\u00edda do pacienta da sala de consulta<\/li>\n<li>Sistema de pr\u00e9-consulta por auxiliar param\u00e9dico<\/li>\n<li>Uso de question\u00e1rios pr\u00e9-consulta<\/li>\n<li>Prontu\u00e1rio informatizado<\/li>\n<li>Sistema de grava\u00e7\u00e3o de voz<\/li>\n<li>Uso de modelos prontos de receitas, pedidos, encaminhamentos e relat\u00f3rios<\/li>\n<li>Padroniza\u00e7\u00e3o de condutas<\/li>\n<li>Disponibilidade de t\u00e9cnico de espirometria, evitando que o pr\u00f3prio pneumologista a execute.<\/li>\n<li>P\u00f3s-consulta com outro profissional para orienta\u00e7\u00f5es sobre dispositivos inalat\u00f3rios<\/li>\n<li>Secret\u00e1rias para preenchimento de documenta\u00e7\u00e3o de alto-custo<\/li>\n<li>Uso de scanner para digitaliza\u00e7\u00e3o de resultados de exames<\/li>\n<li>Tipo de popula\u00e7\u00e3o atendida (faixa et\u00e1ria e grau de instru\u00e7\u00e3o)<\/li>\n<li>Atendimento espec\u00edfico de um grupo de doen\u00e7as<\/li>\n<\/ul>\n<p>Se considerarmos uma primeira consulta isolada de uma patologia complexa como DPOC, asma, fibrose e SAOS em uma popula\u00e7\u00e3o com comorbidades, o tempo m\u00ednimo de meia hora se faz necess\u00e1rio para anamnese, exame f\u00edsico, orienta\u00e7\u00f5es e prescri\u00e7\u00e3o, por\u00e9m esta consulta se dilui entre outras de retorno e casos mais simples.<\/p>\n<p>Em ambulat\u00f3rios de pneumologia geral com ferramentas facilitadoras \u00e9 poss\u00edvel atender 4 pacientes de retorno ou um paciente de primeira consulta e dois retornos em <strong>uma hora<\/strong> de atendimento com qualidade e resolutividade<\/p>\n<p>Em servi\u00e7os de atendimento de alta complexidade ou de doen\u00e7as espec\u00edficas como fibrose pulmonar recomenda-se pelo menos <strong>30 minutos para cada consulta<\/strong>, independente de tratar-se de primeira consulta ou retorno.<\/p>\n<p>Recomendamos que quando o pneumologista trabalha em servi\u00e7os de terceiros ou servi\u00e7o p\u00fablico participe da decis\u00e3o sobre o fluxo de pacientes, tipo de clientela e disponibilidade de recursos facilitadores.<\/p>\n<p>Definitivamente <strong>n\u00e3o recomendamos<\/strong> trabalhar em servi\u00e7os que exijam um atendimento a cada <strong>10 minutos<\/strong> por ser imposs\u00edvel em tempo t\u00e3o ex\u00edguo resolver quest\u00f5es respirat\u00f3rias complexas al\u00e9m do desgaste do profissional<\/p>\n<p>Lembrando que com o advento de medica\u00e7\u00f5es especiais torna-se cada vez mais frequente a necessidade de preencher documentos e preparar relat\u00f3rios para tratamento de asma grave e fibrose<\/p>\n<p><a name=\"mei\"><\/a><strong>6. QUANDO MUDAR DE MEI PARA MICROEMPRESA<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>MEI (Micro Empreendedor Individual), um tipo de sociedade que tem tributa\u00e7\u00e3o reduzida, por\u00e9m que, em algumas situa\u00e7\u00f5es, pode esbarrar em necessidades do empreendedor. Neste modelo, h\u00e1 limites que o obrigam a mudar a forma da pessoa jur\u00eddica, por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>O faturamento ultrapassa o limite de R$ 60 mil por ano;<\/li>\n<li>O empreendedor tem a necessidade de contratar mais de um funcion\u00e1rio;<\/li>\n<li>A oportunidade de admitir um novo s\u00f3cio na empresa;<\/li>\n<li>A necessidade de abrir uma filial ou outra empresa em nome do empres\u00e1rio;<\/li>\n<li>A oportunidade de exercer novas atividades vedadas ao MEI.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nesses casos, quando o empreendedor sabe que precisar\u00e1 transformar sua empresa em uma Microempresa (ME), se depara com uma d\u00favida muito comum: \u201cComo devo proceder?\u201d<\/p>\n<p>Vou tentar ser bem sucinto na resposta. A transforma\u00e7\u00e3o do Microempreendedor Individual em Microempresa pode ser feita a qualquer momento, por op\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do empreendedor ou pelas limita\u00e7\u00f5es como as citadas acima, o que torna a comunica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nesses casos, o empreendedor deve solicitar o ato de desenquadramento no portal do SIMEI. Ap\u00f3s o registro, o empreendedor precisa registrar esse ato de desenquadramento na Junta Comercial de seu Estado. Vai ser necess\u00e1rio apresentar os seguintes documentos:<\/p>\n<ul>\n<li>Comunica\u00e7\u00e3o de Desenquadramento do SIMEI;<\/li>\n<li>Formul\u00e1rio de desenquadramento; e<\/li>\n<li>Requerimento do empres\u00e1rio.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Registrado o desenquadramento na Junta, voc\u00ea estar\u00e1 cadastrado como Empres\u00e1rio Individual. Voc\u00ea deve ficar atento, pois os impostos ter\u00e3o uma nova forma de c\u00e1lculo a sua empresa passar\u00e1 a ter novas obriga\u00e7\u00f5es fiscais, incluindo a entrega de obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias (declara\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Assim, cuidado! Como haver\u00e1 mudan\u00e7as societ\u00e1rias, impactos tribut\u00e1rios e novas obriga\u00e7\u00f5es para o empres\u00e1rio, \u00e9 muito recomend\u00e1vel consultar um profissional de contabilidade no momento do desenquadramento.<\/p>\n<p><a name=\"consentimento\"><\/a><strong>7. TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO E ESCLARECIDO<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Trata-se de assunto sempre presente como objeto de debates e d\u00favidas.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o consentimento? Qual a diferen\u00e7a termo e consentimento? Como deve ser obtido e o que deve conter esse termo? Quanto tempo devo guardar?<\/p>\n<p>S\u00e3o perguntas que aqui ser\u00e3o respondidas de uma vez por todas. Falar em consentimento \u00e9 necessariamente falar em seguran\u00e7a jur\u00eddica e por isso a guarda f\u00edsica ou digitalizada deve ser de vinte anos, tanto como \u00e9 o prontu\u00e1rio e, deste, o consentimento \u00e9 apenas um dos incont\u00e1veis documentos. A validade deste consentimento depende de ele ser previamente e comprovadamente informado e esclarecido. O paciente deve receber informa\u00e7\u00f5es completas e adequadas, entenda-se, em linguagem clara, objetiva e acess\u00edvel a ele; e todas as d\u00favidas e questionamentos devem ser esclarecidos.<\/p>\n<p>O consentimento difere do termo. Consentimento \u00e9 procedimento; termo \u00e9 como o consentimento \u00e9 materialmente documentado, ou seja, como ele \u00e9 apresentado a quem de direito, se necess\u00e1rio for. O termo \u00e9 conhecido como Termo de Consentimento Esclarecido \u2013 TCE, Termo de Consentimento Informado \u2013 TCI, Termo de Consentimento Informado e Esclarecido \u2013 TCIE ou Termo de Consentimento e Autoriza\u00e7\u00e3o &#8211; TCA.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/storage.googleapis.com\/bkpsbpt\/arquivos\/def_prof\/Juridico\/TCLE_SBPT_261222.pdf\">Clique aqui para baixar o modelo de TCLE da SBPT<\/a>.<\/p>\n<p>V\u00e1rios artigos do C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica expressamente falam sobre o consentimento e determinam que os m\u00e9dicos est\u00e3o impedidos de executar procedimento diagn\u00f3sticos, terap\u00eauticos ou de pesquisa sem o devido e adequado esclarecimento pr\u00e9vio ao paciente, com finalidade de obter seu livre consentimento.<\/p>\n<p>Obter o TCI \u00e9 sempre dever do m\u00e9dico, sob pena de esse fato, por si s\u00f3, caracterizar neglig\u00eancia, sendo a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o de obten\u00e7\u00e3o pr\u00e9via os casos de urg\u00eancia ou emerg\u00eancia, tendo-se o cuidado de obt\u00ea-lo assim que for poss\u00edvel. O cuidado com a confec\u00e7\u00e3o do termo se aplica ao paciente e aos familiares (exclusivamente para os respons\u00e1veis pelo paciente menor ou incapaz).<\/p>\n<p>Obter o consentimento reveste-se de dever jur\u00eddico de informa\u00e7\u00e3o, a fim de que o paciente\/familiar possa exercer de forma livre e consciente a sua autonomia e determinar o que ser\u00e1 feito no seu pr\u00f3prio corpo, de proteger a inviolabilidade de sua pessoa, podendo inclusive escolher o tipo de tratamento de sua prefer\u00eancia entre aqueles dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>\u00c9 um documento elaborado entre m\u00e9dico\/institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e o paciente\/familiar. Nele s\u00e3o informados detalhes como riscos, benef\u00edcios e consequ\u00eancias dos procedimentos indicados e recusados. Busca obter a concord\u00e2ncia do paciente ao que lhe \u00e9 proposto.<\/p>\n<p>\u00c9 a mais pura manifesta\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e ao exerc\u00edcio da autonomia do paciente; condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para efetivar uma rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente contempor\u00e2nea, que prima por transpar\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o, tornando-a igualit\u00e1ria e cidad\u00e3.<\/p>\n<p>Uma pessoa aut\u00f4noma e capaz passa por pr\u00e9vio e detalhado processo informativo e toma uma decis\u00e3o volunt\u00e1ria, livre e consciente para aceita\u00e7\u00e3o de um procedimento m\u00e9dico espec\u00edfico de indiscut\u00edvel necessidade, estando, no momento de sua escolha, consciente dos riscos, benef\u00edcios e poss\u00edveis consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>O processo de obten\u00e7\u00e3o do consentimento, al\u00e9m de refor\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, gera um ambiente de empatia, confian\u00e7a e esperan\u00e7a, sem falar no fato de o paciente passar a ser coparticipe do seu processo de cura.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s informado e esclarecido, o paciente\/familiar assume o protagonismo e a responsabilidade de seguir fielmente todas as recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, e isso \u00e9 bom para todos os envolvidos, inclusive no tocante \u00e0 seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n<p>O TCI deve ser proposto ap\u00f3s a anamnese, exame f\u00edsico, exames complementares, proposta detalhada de procedimentos e explica\u00e7\u00f5es, com checagem se o paciente entendeu realmente o que foi dito e proposto.<\/p>\n<p>Essa conversa pode ser oral, mas tudo registrado sempre por escrito, para ser juntado ao prontu\u00e1rio. Quanto maior a complexidade e mais elevado o risco para o paciente, mais cuidado se deve ter na obten\u00e7\u00e3o do consentimento e maiores cuidados dever\u00e3o ser adotados, para se documentar a concord\u00e2ncia e a ades\u00e3o do paciente.<\/p>\n<p>S\u00e3o requisitos essenciais, portanto indispens\u00e1veis, do consentimento e do conte\u00fado do termo:<\/p>\n<ul>\n<li>Paciente maior de 18 anos. Se menor que essa idade ou incapaz, tem que ter representante legal, que muitas vezes \u00e9 um familiar;<\/li>\n<li>Deve ser personalizado para cada caso e\/ou procedimentos, ou seja, n\u00e3o existe essa hist\u00f3ria de modelo pronto ou modelo \u00fanico para todos os procedimentos;<\/li>\n<li>Deve ser escrito. O termo verbal \u00e9 inv\u00e1lido juridicamente e n\u00e3o tem como provar que pelo menos existiu, muito menos os seus termos;<\/li>\n<li>\u00c9 pr\u00e9vio para todo e qualquer procedimento, em especial nos de diagn\u00f3stico, pesquisa ou tratamento (cl\u00ednico ou cir\u00fargico, ambulatorial ou hospitalar);<\/li>\n<li>Letra leg\u00edvel \u2013 recomenda-se que seja digitado e letra com tamanho 12, no m\u00ednimo;<\/li>\n<li>Clareza, ou seja, sem termos t\u00e9cnicos e, se esses existirem, com explica\u00e7\u00e3o de cada palavra;<\/li>\n<li>Objetivo;<\/li>\n<li>Op\u00e7\u00f5es ofertadas e a escolhida;<\/li>\n<li>Vantagens, riscos de cada op\u00e7\u00e3o, inclusive da n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do procedimento;<\/li>\n<li>Deve conter as alternativas de procedimento, os benef\u00edcios e as poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es de cada uma delas;<\/li>\n<li>Deve possuir espa\u00e7o para paciente, de pr\u00f3prio punho, referendar o que lhe foi devidamente informa- do e esclarecido, bem como o motivo de sua op\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Descri\u00e7\u00e3o passo a passo do procedimento proposto, com garantia de uso de todos os meios de diagn\u00f3stico e tratamento da literatura m\u00e9dica e das condi\u00e7\u00f5es estruturais do local;<\/li>\n<li>Cuidados e efeitos pr\u00e9 e p\u00f3s-operat\u00f3rios;<\/li>\n<li>Resultado buscado e prov\u00e1vel, sem garantia de obten\u00e7\u00e3o deste resultado, j\u00e1 que o m\u00e9dico n\u00e3o pode garanti-lo, pois depende de vari\u00e1veis alheias a sua vontade e at\u00e9 \u00e0 vontade do pr\u00f3prio paciente;<\/li>\n<li>Se usar da tecnologia: especificar essa tecnologia, suas vantagens, indica\u00e7\u00f5es de uso e riscos espec\u00edficos. Nesse caso, \u00e9 recomend\u00e1vel o m\u00e9dico detalhar a sua forma\u00e7\u00e3o\/experi\u00eancia com o m\u00e9todo;<\/li>\n<li>Deve possuir o prazo esperado para que o tratamento e procedimento alcancem os resultados desejados, deixando claro que o resultado, al\u00e9m de n\u00e3o ser garantido, pode variar de paciente para paciente, e que podem n\u00e3o ser definitivo;<\/li>\n<li>Autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para possibilidade de mudan\u00e7a\/acr\u00e9scimos no procedimento em prol do paciente, se ocorrer algo imprevis\u00edvel\/inesperado numa situa\u00e7\u00e3o em que o paciente n\u00e3o possa expressar a sua vontade;<\/li>\n<li>Aceite do paciente, expressando o conhecimento, a sua autodetermina\u00e7\u00e3o e o seu consentimento;<\/li>\n<li>Elaborado por advogado especialista na \u00e1rea de Direito M\u00e9dico.<\/li>\n<\/ul>\n<p>H\u00e1 de se respeitar o per\u00edodo de reflex\u00e3o m\u00ednimo, de sete dias entre termo de consentimento pronto e o procedimento. Esse tempo \u00e9 uma derradeira oportunidade para esclarecer as d\u00favidas e fazer os ajustes necess\u00e1rios no procedimento e na vers\u00e3o final do termo que ser\u00e1 assinado.<\/p>\n<p>Importante dizer que o termo de consentimento do m\u00e9dico independe e \u00e9 independente do termo usualmente padr\u00e3o utilizado pela institui\u00e7\u00e3o, e ambos os consentimentos devem existir e se complementar; e, necessariamente, devem estar no prontu\u00e1rio t\u00e3o logo assinados.<\/p>\n<p>Atualmente, a simples falta de termo de consentimento pr\u00e9vio e escrito, devidamente documentado, implica em defici\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o e isso, por si s\u00f3, pode gerar pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es nos Conselhos de Medicina.<\/p>\n<p>Por fim, um alerta: o TCI n\u00e3o \u00e9 licen\u00e7a para erro. Ainda que o termo exista e tenha sido adequadamente obtido, se houve falha profissional, o documento n\u00e3o exime responsabilidade do m\u00e9dico, apenas afasta acusa\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es inadequadas, n\u00e3o explica\u00e7\u00e3o dos efeitos adversos, instru\u00e7\u00f5es descumpridas pelo paciente, coa\u00e7\u00e3o na assinatura e falta de capacidade de o paciente decidir.<\/p>\n<p><a name=\"contaminados\"><\/a><strong>8. INDENIZA\u00c7\u00c3O AOS CONTAMINADOS POR COVID-19<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 uma lei \u2013 Lei 14128 de 26 de mar\u00e7o de 2021 \u2013 que determina uma compensa\u00e7\u00e3o financeira a ser paga pela Uni\u00e3o aos profissionais de sa\u00fade ou aos trabalhadores da sa\u00fade que, durante o per\u00edodo de emerg\u00eancia nacional de sa\u00fade p\u00fablica, devido ao coronav\u00edrus, por terem trabalhado no atendimento direto a pacientes acometidos pelo v\u00edrus, ou realizado visitas domiciliares a esses pacientes, se tornarem permanentemente incapacitados para o trabalho Se o profissional faleceu, essa indeniza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 devida ao seu c\u00f4njuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>A lei considera como profissional ou trabalhador de sa\u00fade:<\/p>\n<ol style=\"list-style-type: lower-alpha\">\n<li>profiss\u00f5es de n\u00edvel superior reconhecidas pelo Conselho Nacional de Sa\u00fade, tais como m\u00e9dicos, profissionais da enfermagem, al\u00e9m de fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e profissionais que trabalham com testagem nos laborat\u00f3rios de an\u00e1lises cl\u00ednicas;<\/li>\n<li>tamb\u00e9m as profiss\u00f5es, de n\u00edvel t\u00e9cnico ou auxiliar, vinculadas a \u00e1rea de sa\u00fade e os agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade e de combate a endemias;<\/li>\n<li>aqueles que, mesmo n\u00e3o exercendo atividades-fim nas \u00e1reas de sa\u00fade, auxiliam ou prestam servi\u00e7o de apoio presencial nos estabelecimentos de sa\u00fade, para a consecu\u00e7\u00e3o daquelas atividades \u2013 inclui atribui\u00e7\u00f5es em servi\u00e7os administrativos, de copa, de lavanderia, de limpeza, de seguran\u00e7a e de condu\u00e7\u00e3o de ambul\u00e2ncias, entre outros, al\u00e9m dos trabalhadores dos necrot\u00e9rios e dos coveiros e<\/li>\n<li>aqueles cujas profiss\u00f5es, de n\u00edvel superior, m\u00e9dio e fundamental, s\u00e3o reconhecidas pelo Conselho Nacional de Assist\u00eancia Social, que atuam no Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A lei presume a Covid-19 como causa da incapacidade permanente para o trabalho, ou do \u00f3bito, mesmo que n\u00e3o tenha sido a causa \u00fanica, principal nem imediata. Exige-se, por\u00e9m, o requisito de manuten\u00e7\u00e3o entre o nexo temporal, a data de in\u00edcio da doen\u00e7a e a ocorr\u00eancia da incapacidade permanente para o trabalho ou \u00f3bito, se houver:<\/p>\n<p>I. Diagn\u00f3stico de Covid-19 comprovado por exame laboratorial; ou<\/p>\n<p>II. Laudo m\u00e9dico que ateste quadro cl\u00ednico compat\u00edvel com a Covid-19.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se dizer que a presen\u00e7a de comorbidades n\u00e3o afasta o direito ao recebimento da compensa\u00e7\u00e3o financeira. A concess\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o financeira estar\u00e1 sujeita \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o documental, se \u00f3bito ou presencial, se incapacidade permanente. Essa an\u00e1lise ser\u00e1 feita pela Per\u00edcia M\u00e9dica Federal.<\/p>\n<p>O valor total a ser calculado ser\u00e1 pago em tr\u00eas parcelas mensais e sucessivas de igual valor. O custeio ser\u00e1 feito pelo Tesouro Nacional. O valor total da indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 composto de duas partes, uma fixa e uma vari\u00e1vel. A parte fixa da indeniza\u00e7\u00e3o corresponde a 50 mil reais devida ao trabalhador incapacitado permanentemente para o trabalho.<\/p>\n<p>Em caso de \u00f3bito do profissional, esse valor de 50 mil \u00e9 devido ao seu c\u00f4njuge ou companheiro, aos seus dependentes e aos seus herdeiros necess\u00e1rios, sujeita, nesta hip\u00f3tese, a rateio igual entre os benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p>A parte vari\u00e1vel corresponde a um valor devido a cada um dos dependentes do trabalhador falecido, menores de 21 anos ou, se cursando curso superior na data do \u00f3bito, at\u00e9 os 24 anos.<\/p>\n<p>Esse valor ser\u00e1 calculado da seguinte forma: multiplica\u00e7\u00e3o da quantia de 10 mil reais pelo n\u00famero de anos, inteiros e incompletos, que faltarem, para cada um dos dependentes, na data do \u00f3bito do trabalhador de sa\u00fade, para atingir a idade de 21 anos completos ou, se cursando curso superior, na data do \u00f3bito, at\u00e9 os 24 anos.<\/p>\n<p>Importante ainda dizer que, em rela\u00e7\u00e3o a essa parcela vari\u00e1vel, o dependente do profissional falecido que for deficiente legal, independentemente da idade, ser\u00e1 devido valor resultante da multiplica\u00e7\u00e3o de R$ 10.000,00 (dez mil reais) pelo n\u00famero m\u00ednimo de cinco anos.<\/p>\n<p>No caso de \u00f3bito, ao valor do somat\u00f3rio entre a parte fixa a vari\u00e1vel, ser\u00e1 acrescido o valor relativo \u00e0s despesas de funeral, desde que devidamente comprovadas.<\/p>\n<p>Como qualquer montante de natureza indenizat\u00f3ria, esse valor da compensa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 um valor livre, portanto isento de imposto de renda e de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria. O embolso da indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o prejudica o direito ao recebimento de nenhum benef\u00edcio previdenci\u00e1rio como aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria (antigo aux\u00edlio-acidente) ou aux\u00edlio por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez), nem prejudica o recebimento de aux\u00edlios assistenciais como LOAS, bolsa fam\u00edlia ou aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n<p>Essa lei da indeniza\u00e7\u00e3o aos infectados por Covid-19 se aplica aos contaminados no per\u00edodo de estado de Emerg\u00eancia de Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Nacional (ESPIN), que foi declarado pela Portaria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00ba 188, de 3 de fevereiro de 2020; ou seja, s\u00e3o amparadas pela lei as pessoas v\u00edtimas de contamina\u00e7\u00f5es ocorridas de 3 de fevereiro de 2020 at\u00e9 o momento em que, oficialmente, se considerar\u00e1 encerrada a pandemia, por meio de publica\u00e7\u00e3o de novo e espec\u00edfico ato do Ministro da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Como se viu, al\u00e9m de o assunto ser novo, ele \u00e9 complexo por ter v\u00e1rios aspectos, envolvendo Direito, Sa\u00fade e per\u00edcias. Se o leitor acha que se enquadra na situa\u00e7\u00e3o acima explicada, dada sua complexidade, procure um advogado especialista em Direito M\u00e9dico que seja familiarizado com os temas, e busque os seus direitos o mais breve poss\u00edvel, seja na esfera administrativa ou at\u00e9 na esfera judicial.<\/p>\n<p><a name=\"offlabel\"><\/a><strong>9. POSSO SER RESPONSABILIZADO POR PRESCREVER MEDICA\u00c7\u00c3O OFF-LABEL?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com a pandemia de Covid-19, esse tema foi objeto de d\u00favidas dos m\u00e9dicos, em especial, pela prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos como ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina, corticoide etc.<\/p>\n<p>Embora na atualidade esse assunto esteja mais ligado ao Covid, na pr\u00e1tica, se aplica a todas as prescri\u00e7\u00f5es <em>off label<\/em>.<\/p>\n<p>Os procedimentos m\u00e9dicos <em>off label<\/em> s\u00e3o aqueles em que o m\u00e9dico-assistente prescreve materiais ou f\u00e1rmacos fora das indica\u00e7\u00f5es em bula, liberada pela ANVISA ou fora de protocolos cl\u00ednicos tradicionais.<\/p>\n<p>Havendo decis\u00e3o m\u00e9dica de prescrever medicamentos com finalidades terap\u00eauticas distintas das quais tiveram aprova\u00e7\u00e3o na ANVISA, esta prescri\u00e7\u00e3o ser\u00e1 considerada como pesquisa m\u00e9dica combinada com cuidados profissionais, sendo obrigat\u00f3ria a obten\u00e7\u00e3o do pr\u00e9vio consentimento livre e esclarecido do paciente. Lembra-se que essa obrigatoriedade de obten\u00e7\u00e3o do pr\u00e9vio termo de consentimento ocorre n\u00e3o somente para Covid-19, mas para qualquer atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Importante dizer que uso <em>off label<\/em> de um medicamento \u00e9 feito por conta e risco do m\u00e9dico que o prescreve, e pode eventualmente vir a caracterizar um erro m\u00e9dico. Na grande parte das vezes, trata-se de uso essencialmente correto, apenas ainda n\u00e3o aprovado.<\/p>\n<p>Na verdade, h\u00e1 casos mesmo em que esta indica\u00e7\u00e3o, embora empiricamente correta, nunca ser\u00e1 aprovada por uma ag\u00eancia reguladora, como em doen\u00e7as raras.<\/p>\n<p>O uso <em>off label<\/em> de material\/medicamento ocorre por uma indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica pontual e espec\u00edfica, em desconformidade com a bula e sob risco e responsabilidade do profissional que a indicou.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 saber que o m\u00e9dico tem autonomia para utilizar medicamentos que entender adequados para o caso espec\u00edfico do paciente, ficando obrigado a explicar ao paciente que n\u00e3o existe, at\u00e9 o momento, nenhum trabalho cient\u00edfico, com ensaio cl\u00ednico adequado, feito por pesquisadores reconhecidos e publicado em revistas cient\u00edficas de alto n\u00edvel, que comprove qualquer benef\u00edcio daquele procedimento proposto, para o diagn\u00f3stico ou tratamento da patologia em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Como em todos os demais casos envolvendo a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, h\u00e1 necessidade do registro minucioso em prontu\u00e1rio das motiva\u00e7\u00f5es para tal forma de conduta e do pr\u00e9vio consentimento esclarecido do paciente ou, em raz\u00e3o de impedimento, de seu respons\u00e1vel legal.<\/p>\n<p>Em todas as situa\u00e7\u00f5es, os princ\u00edpios que devem, obrigatoriamente, nortear o tratamento do paciente s\u00e3o os da benefic\u00eancia, n\u00e3o malefic\u00eancia e o da autonomia do m\u00e9dico, assim como a valoriza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, sempre com o objetivo de oferecer o melhor procedimento m\u00e9dico dispon\u00edvel no momento.<\/p>\n<p>Em todos os contextos, a conduta proposta caber\u00e1 ao m\u00e9dico-assistente, mas sempre com decis\u00e3o compartilhada com o paciente.<\/p>\n<p>Resumindo, o m\u00e9dico possui autonomia para prescrever, devendo o paciente ser informado dos riscos, efeitos adversos e precau\u00e7\u00f5es por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, bem como que os resultados da utiliza\u00e7\u00e3o dessas medica\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas experimentais e n\u00e3o h\u00e1, ainda, evid\u00eancias cient\u00edficas comprovando a sua efic\u00e1cia em seres humanos.<\/p>\n<p>Se for o caso, al\u00e9m da Justi\u00e7a, aos Conselhos de Medicina compete julgar os insucessos sob a \u00f3tica do risco a que o m\u00e9dico submeteu seu paciente.<\/p>\n<p>Em tempo de pandemia da Covid-19, em raz\u00e3o da excepcionalidade, j\u00e1 existem decis\u00f5es dos Conselhos que atestam que n\u00e3o cometer\u00e1 infra\u00e7\u00e3o \u00e9tica o m\u00e9dico que, amparado em sua autonomia e nas leis reguladoras da profiss\u00e3o, utilizar por exemplo, a cloroquina ou hidroxicloroquina, isoladamente ou em associa\u00e7\u00e3o a outros f\u00e1rmacos, em pacientes portadores da enfermidade, ap\u00f3s o estabelecimento de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).<\/p>\n<p><a name=\"olhadinha\"><\/a><strong>10. PEDIDO DE \u201cDAR UMA OLHADINHA\u201d NO EXAME?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quem j\u00e1 n\u00e3o passou pela inusitada situa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m chegar para voc\u00ea, m\u00e9dico, \u00e0s vezes at\u00e9 em eventos festivos, e dizer a seguinte frase: \u201cDoutor, o senhor pode s\u00f3 dar uma olhadinha aqui?\u201d N\u00e3o raro vem um arremate&#8230; \u201cDoutor, \u00e9 coisa simples e r\u00e1pida&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Direto ao ponto: N\u00e3o existe olhadinha, nem rapidinho, nem s\u00f3 um minutinho, nem s\u00f3 para tirar uma d\u00favida.<\/p>\n<p>Esses \u201cpedidos\u201d t\u00eam um significado bem claro \u2013 traduzem solicita\u00e7\u00f5es de atendimento m\u00e9dico seu, sem o respectivo pagamento de honor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Essa \u201colhadinha\u201d \u00e9 um atendimento m\u00e9dico como qualquer outro, nela se estabelece uma rela\u00e7\u00e3o contratual, que \u00e9 t\u00e3o de consumo quanto aquela que voc\u00ea faz no seu consult\u00f3rio, com todo o conforto, cuidado e seguran\u00e7a que um atendimento minimamente adequado deve ter.<\/p>\n<p>Partindo-se dessa premissa, do ponto de vista jur\u00eddico, se na sua olhadinha houver alguma falha na sua percep\u00e7\u00e3o e, comumente, isso pode ocorrer, j\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o estava nas condi\u00e7\u00f5es adequadas de avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, ainda que voc\u00ea tenha tido o intuito de ajudar, isso lhe torna sujeito pass\u00edvel de sofrer s\u00e9rias consequ\u00eancias jur\u00eddicas, inclusive na \u00e1rea c\u00edvel (indeniza\u00e7\u00e3o), criminal e \u00e9tica.<\/p>\n<p>O tempo da olhadinha n\u00e3o \u00e9 o da avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em si, mas, sim, todo o tempo despendido por voc\u00ea: noites acordadas, tempo que subtraiu de seus entes queridos e de festividades, estudando, trabalhando e ganhando experi\u00eancia.<\/p>\n<p>O que deve ser contabilizado \u00e9 o tempo de treinamento para que voc\u00ea possa decidir o jogo em pouco tempo com a sua olhadinha. Isso deve ser valorizado, a come\u00e7ar por voc\u00ea mesmo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea deve se valorizar e deve sempre se posicionar nesses pedidos de olhadinha.<\/p>\n<p>Inicialmente diga que, se n\u00e3o for caso de urg\u00eancia\/ emerg\u00eancia, voc\u00ea n\u00e3o faz esse tipo de atendimento, at\u00e9 porque \u00e9 o examinado que corre riscos na sua sa\u00fade com esse procedimento que no m\u00ednimo j\u00e1 \u00e9 irregular.<\/p>\n<p>Oriente ao paciente que est\u00e1 a sua inteira disposi\u00e7\u00e3o e pe\u00e7a que ele marque uma consulta em seu consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>Fa\u00e7a o atendimento m\u00e9dico da melhor maneira poss\u00edvel e com a m\u00e1xima seguran\u00e7a e o m\u00e1ximo conforto, utilizando-se de todos os meios poss\u00edveis de diagn\u00f3stico e tratamento.<\/p>\n<p>Cobre regularmente por esse seu atendimento e pelo seu tempo. Lembre-se de que o ponto n\u00e3o \u00e9 o tempo para se apertar um parafuso, mas saber qual parafuso apertar e tamb\u00e9m quando come\u00e7ar e quando parar esse aperto.<\/p>\n<p><a name=\"ataque\"><\/a><strong>11. ATAQUE AO M\u00c9DICO EM REDES SOCIAIS<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>M\u00eddias sociais como o Facebook, Instagram, Twitter, LinkedIn, entre outros, sacramentaram uma nova forma de comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas, tornando-se importantes ferramentas para conect\u00e1-las ao redor de todo o mundo, elevando o termo \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d a patamares nunca antes vistos.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas isso gera incont\u00e1veis aspectos positivos, mas, por outro lado, se usados de forma indevida, muitos aspectos negativos extremamente danosos podem ocorrer, pois h\u00e1 facilidade de exposi\u00e7\u00f5es individuais que podem gerar repercuss\u00f5es que ultrapassam as barreiras de cidades, estados e at\u00e9 pa\u00edses, em mil\u00e9simos de segundos.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje, previamente, rotineiramente, se faz a busca de informa\u00e7\u00f5es sobre a reputa\u00e7\u00e3o de um produto ou de um profissional, na tentativa de executar a melhor escolha; desnecess\u00e1rio dizer que a internet est\u00e1 repleta de informa\u00e7\u00f5es sobre tudo e todos.<\/p>\n<p>Essas pesquisas, naturalmente, tamb\u00e9m se aplicam ao paciente, que busca um bom m\u00e9dico ou um servi\u00e7o de sa\u00fade de qualidade.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a cada dia se v\u00ea mais e mais ataques de pacientes ou familiares insatisfeitos contra m\u00e9dicos no meio virtual. Comumente diversos m\u00e9dicos veem seu nome exposto em grupos, blogs e nas mais diversas redes sociais.<\/p>\n<p>S\u00e3o pacientes e familiares descontentes que, em vez de buscar seus direitos na Justi\u00e7a, preferem ofender a honra destes profissionais, nos mais variados meios de comunica\u00e7\u00e3o, usando do instrumento da vingan\u00e7a privada (vedada pelo Direito) e, pior, quase sempre com base em suas superficiais e leigas percep\u00e7\u00f5es, sem qualquer embasamento t\u00e9cnico-cient\u00edfico na Medicina.<\/p>\n<p>Os ataques s\u00e3o cada vez mais frequentes, e mais intensos, quanto mais p\u00fablico \u00e9 o profissional ofendido. Os m\u00e9dicos, que lidam com emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o delicadas e diferentes dos pacientes, est\u00e3o particularmente expostos a esse fen\u00f4meno. Ao mesmo tempo que um m\u00e9dico pode ser enaltecido, pode tamb\u00e9m ser ofendido em sua honra pessoal e profissional. Por mais capaz que o m\u00e9dico seja, profissionalmente, por mais que se atualize e que busque estabelecer uma boa rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, ainda assim ele est\u00e1 exposto.<\/p>\n<p>Sempre que isso acontece, surgem diversas d\u00favidas: A conduta ofensora do insatisfeito \u00e9 legalmente correta?<\/p>\n<p>Seria a manifesta\u00e7\u00e3o do seu Direito constitucional \u00e0 liberdade de express\u00e3o?<\/p>\n<p>Como fica a imagem pessoal e profissional do m\u00e9dico ap\u00f3s a devasta\u00e7\u00e3o ocasionada por estas condutas?<\/p>\n<p>H\u00e1 um dizer cl\u00e1ssico em Direito \u2013 \u201c<em>O direito de um acaba quando come\u00e7a o direito do outro<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que o paciente tem direito, como todas as pessoas, \u00e0 liberdade de express\u00e3o, por\u00e9m este direito n\u00e3o \u00e9 absoluto, nem ilimitado.<\/p>\n<p>Sendo assim, o Direito pro\u00edbe abusos e n\u00e3o autoriza a ofensa de outros direitos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o, como a honra e a imagem de outrem (no caso do m\u00e9dico ofendido), que em geral, s\u00e3o os lesados nessas condutas precipitadas dos pacientes.<\/p>\n<p>O paciente que, em vez de buscar seus supostos direitos na Justi\u00e7a, prefere publicizar sua insatisfa\u00e7\u00e3o e ofende e lesa a imagem pessoal ou profissional do M\u00e9dico, injuriando-o, difamando-o ou caluniando-o, dever ser processado e punido, nas esferas penal e indenizat\u00f3ria, e isso independe do fato de o m\u00e9dico, naquele caso, ter realmente errado.<\/p>\n<p>Mas observe: esse erro s\u00f3 ser\u00e1 confirmado ap\u00f3s o fim de um processo judicial, com per\u00edcias e todas as demais provas.<\/p>\n<p>Tal conduta agressiva do paciente \u00e9 abusiva e considerada il\u00edcita; fere direitos do m\u00e9dico, que se encontram respaldados, por exemplo, na Constitui\u00e7\u00e3o Federal brasileira, no C\u00f3digo Civil Brasileiro e no C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>Mais uma vez: aquele paciente que se achar prejudicado em algum dos seus direitos, pode e deve procurar a justi\u00e7a, pleiteando tudo o que achar adequado, mas, em hip\u00f3tese nenhuma, pode se utilizar de instrumentos para atacar a honra de outras pessoas, sob pena de tamb\u00e9m se sujeitar a ser responsabilizado, independentemente do fundamento pelo qual fez isso.<\/p>\n<p>Tal risco de processo e condena\u00e7\u00e3o se aplica tanto ao m\u00e9dico que desrespeita direitos do paciente ou familiares, mas tamb\u00e9m e em mesma medida, se aplica aos pacientes e familiares que desrespeitam os direitos do m\u00e9dico. \u00c9 uma via de m\u00e3o dupla.<\/p>\n<p>Importante dizer que o risco de ser responsabilizado se dirige n\u00e3o apenas a quem efetivamente postou a agress\u00e3o ao m\u00e9dico, mas a todos os que eventualmente emitiram coment\u00e1rios inadequados ou tenham repostado a agress\u00e3o e que, de alguma forma, lesionem a honra pessoal ou profissional do m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Mas afinal&#8230; o que o m\u00e9dico deve fazer se tiver a sua honra pessoal ou profissional atacada por algu\u00e9m?<\/p>\n<p>No caso de divulga\u00e7\u00e3o em redes sociais: deve reunir todo o acervo probat\u00f3rio e acompanhar a p\u00e1gina. Deve imprimir, fotografar, printar as postagens, coment\u00e1rios, compartilhamentos e curtidas.<\/p>\n<p>Tudo deve ser devidamente documento e registrado, inclusive os preju\u00edzos financeiros sofridos, como o uso planilha que comprove queda no n\u00famero de atendimentos ap\u00f3s postagem.<\/p>\n<p>Uma vez coletadas as provas, imediatamente deve procurar um advogado especializado em defesa m\u00e9dica, para proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o, penal e c\u00edvel, buscando a repara\u00e7\u00e3o de todos os danos materiais e morais sofridos, al\u00e9m de eventual retrata\u00e7\u00e3o e enquadramento criminal da conduta do ofensor. Na mesma linha e no mesmo momento, no processo, o m\u00e9dico dever\u00e1 exigir que cesse a les\u00e3o aos seus direitos, requerendo a imediata retirada do conte\u00fado injurioso da m\u00eddia e multa di\u00e1ria que ser\u00e1 revertida em proveito do pr\u00f3prio m\u00e9dico ofendido, a cada nova postagem ofensiva ou manuten\u00e7\u00e3o da postagem danosa anterior.<\/p>\n<p>Ao paciente\/familiar sugere-se o seguinte: a acaso achar que teve algum dos seus direitos lesados, busque esses direitos e a compensa\u00e7\u00e3o deles na Justi\u00e7a, mas jamais fa\u00e7a postagens ofensivas a quem quer que seja.<\/p>\n<p>A voc\u00ea, m\u00e9dico, essa \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o: jamais admita qualquer ataque a sua honra pessoal ou profissional. Al\u00e9m do seu preju\u00edzo moral e material, inclusive da queda da clientela de pacientes, a passividade gera um ciclo vicioso e pernicioso n\u00e3o somente a voc\u00ea, mas a toda categoria, fazendo com que cada vez mais m\u00e9dicos sejam agredidos, na certeza de n\u00e3o haver repres\u00e1lias.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, quando os profissionais come\u00e7arem a exercer o seu direito contra esses ofensores, eles pensar\u00e3o duas vezes antes de praticar qualquer conduta ofensiva contra um m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Contudo, usando um <em>compliance<\/em> m\u00e9dico bem-feito, h\u00e1 de minimizar o problema, pois \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o para se prevenir desse grande desgaste.<\/p>\n<p><strong>12.<\/strong> <a name=\"urgencia\"><\/a><strong>URG\u00caNCIA X EMERG\u00caNCIA<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre urg\u00eancia e emerg\u00eancia \u00e9 confundida entre n\u00e3o m\u00e9dicos em geral, em especial pacientes e familiares, quando buscam atendimento remoto, presencial ou em chamados ao Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia \u2013 SAMU 192.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, esse desconhecimento de n\u00e3o m\u00e9dicos \u00e9 at\u00e9 compreens\u00edvel. O problema \u00e9 que, infelizmente, esse desconhecimento tamb\u00e9m se aplica aos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Nesse t\u00f3pico, essa d\u00favida ser\u00e1 esclarecida de uma vez por todas, j\u00e1 que a sua exata compreens\u00e3o \u00e9 decisiva para muitas condutas m\u00e9dicas, em especial para definir prioridades de atendimentos e para o m\u00e9dico se proteger de eventuais questionamentos de falhas t\u00e9cnicas, inclusive de acusa\u00e7\u00f5es por omiss\u00e3o de socorro.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o urg\u00eancia e emerg\u00eancia foi estabelecida pelo Conselho Federal de Medicina \u2013 CFM em 1995. O que diz o Conselho?<\/p>\n<ul>\n<li><strong>URG\u00caNCIA<\/strong> \u00e9 a ocorr\u00eancia imprevista de agravo \u00e0 sa\u00fade COM OU SEM risco potencial de vida, cujo portador necessita de assist\u00eancia m\u00e9dica imediata;<\/li>\n<li><strong>EMERG\u00caNCIA<\/strong> a constata\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de condi\u00e7\u00f5es de agravo \u00e0 sa\u00fade que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, <strong>exigindo<\/strong> portanto, tratamento m\u00e9dico imediato.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Significa dizer que a emerg\u00eancia atende a pacientes em condi\u00e7\u00e3o mais grave do que aqueles classificados como em situa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia. A distin\u00e7\u00e3o repousa no fato de que na urg\u00eancia n\u00e3o h\u00e1 sofrimento intenso, nem risco iminente de morte, mas o paciente necessita ser atendido o quanto antes, para que n\u00e3o evolua negativamente e n\u00e3o complique, a ponto de vir a passar por aquele sofrimento intenso ou pelo risco iminente de morrer.<\/p>\n<p>Entenda-se: na urg\u00eancia se exige assist\u00eancia m\u00e9dica imediata, mas n\u00e3o tratamento m\u00e9dico imediato ou, do contr\u00e1rio, seria emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Observe que, na pior das hip\u00f3teses, a urg\u00eancia tem um agravo de sa\u00fade com risco potencial de vida, mas n\u00e3o iminente de vida. Para que o risco potencial de vida se transforme em risco iminente de vida, ou seja, para que uma urg\u00eancia se transforme em emerg\u00eancia, h\u00e1 necessariamente um lapso temporal para que a assist\u00eancia m\u00e9dica possa ocorrer e evitar esse agravamento. Outro ponto importante, como j\u00e1 dito, \u00e9 que na urg\u00eancia se necessita assist\u00eancia m\u00e9dica imediata; na emerg\u00eancia, al\u00e9m da assist\u00eancia ter que ser imediata, a interven\u00e7\u00e3o para tratar tamb\u00e9m deve ser imediata.<\/p>\n<p>Pode-se citar como exemplos de urg\u00eancia, ou seja, como casos de menor gravidade: convuls\u00f5es, luxa\u00e7\u00f5es, fraturas simples, agress\u00e3o \u00e0 bala na m\u00e3o ou p\u00e9 e dor intensa e persistente nos membros.<\/p>\n<p>Se pode citar como emerg\u00eancia (grau m\u00e1ximo de gravidade): fraturas expostas com grande comprometimento de partes moles ou vasos\/nervos, grandes hemorragias, mal convulsivo, parada cardiorrespirat\u00f3ria e agress\u00f5es por arma de fogo na cabe\u00e7a, pesco\u00e7o ou t\u00f3rax.<\/p>\n<p>E o que n\u00e3o se enquadra em urg\u00eancia ou emerg\u00eancia? Chama-se de atendimento eletivo e pode esperar um lapso de tempo maior.<\/p>\n<p>Aproveitando a oportunidade, se colocam tr\u00eas importantes informa\u00e7\u00f5es relacionadas ao tema e, mais especificamente, ao Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia \u2013 conhecido como SAMU \u2013 192:<\/p>\n<ul>\n<li>A primeira \u00e9 que o SAMU 192, como o pr\u00f3prio nome diz, s\u00f3 deve ser acionado, minimamente, apenas em casos de urg\u00eancias e, por \u00f3bvio, em todas as emerg\u00eancias. A rigor, tudo aquilo que n\u00e3o se enquadrar na conceitua\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, deve ser objeto de acionamento e remo\u00e7\u00e3o por outros meios diversos do SAMU, tais como meios pr\u00f3prios ou de terceiros. SAMU n\u00e3o \u00e9 mero transporte e jamais deve ser usado como t\u00e1xi ou <em>Uber<\/em>;<\/li>\n<li>A segunda \u00e9 para esclarecer o que j\u00e1 foi perguntado algumas vezes. Quais as especialidades m\u00e9dicas que devem existir em servi\u00e7os de plant\u00f5es em pronto-socorro? No m\u00ednimo: Anestesiologia; Cl\u00ednica M\u00e9dica; Pediatria; Cirurgia Geral e Traumato-ortopedia;<\/li>\n<li>A terceira e \u00faltima \u00e9 que a car\u00eancia dos planos de sa\u00fade para urg\u00eancia e emerg\u00eancia, assim reconhecidas, \u00e9 de 24h ap\u00f3s a contrata\u00e7\u00e3o do plano de sa\u00fade.<\/li>\n<\/ul>\n<p><a name=\"seguro\"><\/a><strong>13. DEVO FAZER UM SEGURO M\u00c9DICO?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>O presente t\u00f3pico responde a uma das perguntas mais comuns. M\u00e9dicos de todo o pa\u00eds sempre perguntam sobre os seguros m\u00e9dicos ou, como eles dizem leigamente \u2013 seguro para erros m\u00e9dicos. E se devem ou n\u00e3o fazer.<\/p>\n<p>Fundamentadamente ser\u00e1 apresentado o que pensam os Conselhos de Medicina e as entidades de classe.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade tem trazido preocupa\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia aos m\u00e9dicos. Por isso, muitos profissionais menos informados procuram uma sa\u00edda que lhes parece ser a mais segura: a contrata\u00e7\u00e3o de seguro m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Mas o que parece ser uma solu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de n\u00e3o resolver o problema, tende a se tornar um transtorno ainda maior para o m\u00e9dico, at\u00e9 por gerar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Falar em seguro m\u00e9dico \u00e9 falar em seguro de responsabilidade civil profissional, que por sua vez significa seguro patrimonial.<\/p>\n<p>O seguro de responsabilidade civil prev\u00ea o reembolso de indeniza\u00e7\u00f5es por danos, causados n\u00e3o intencionalmente a terceiros pelo m\u00e9dico. Quando o m\u00e9dico \u00e9 procurado por um seguro, as in\u00fameras desvantagens s\u00e3o omitidas, e poucas vantagens lhe s\u00e3o apresentadas.<\/p>\n<p>Em resumo, para o m\u00e9dico, pode se dizer que os argumentos usados para o convencer a contratar um seguro seriam: dar ao profissional maior tranquilidade e prote\u00e7\u00e3o no trabalho e, principalmente, lhe dar seguran\u00e7a patrimonial.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 mesmo? Na imensa maioria dos casos, para quem tem conhecimentos b\u00e1sicos em Direito, s\u00f3 pela nomenclatura \u2013 seguro patrimonial \u2013 j\u00e1 se observa que a imensa maioria deles s\u00f3 inclui defesa profissional na esfera c\u00edvel, pelos chamados danos materiais, e somente \u00e0s vezes t\u00eam cobertura (irris\u00f3ria) para danos morais, danos est\u00e9ticos ou para o m\u00e9dico supostamente poder contratar um advogado de sua confian\u00e7a.<\/p>\n<p>De rotina, esses seguros excluem processos \u00e9ticos, processos administrativos fora dos Conselhos \u2013 como em locais de trabalho \u2013 e, principalmente, excluem despesas com procedimentos criminais (esses cada vez mais frequentes em delegacias, varas criminais ou varas do Tribunal do J\u00fari).<\/p>\n<p>Importante dizer que muitos ju\u00edzes criminais j\u00e1 est\u00e3o fixando um valor a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o inicial pelo crime cometido, e, aqui, o m\u00e9dico, ordinariamente, est\u00e1 totalmente descoberto de seguro.<\/p>\n<p>Para os Conselhos de Medicina e entidades representativas m\u00e9dicas, in\u00fameras s\u00e3o as desvantagens do seguro de responsabilidade civil, que anulam ou superam em muito as supostas vantagens e benef\u00edcios alegados:<\/p>\n<ul>\n<li>Estimula os processos contra m\u00e9dicos;<\/li>\n<li>Como resposta aos seguros, os m\u00e9dicos tenderiam a adotar postura defensiva, que resulta em aumento dos custos dos servi\u00e7os de sa\u00fade;<\/li>\n<li>N\u00e3o h\u00e1 como viabilizar economicamente este seguro sem espoliar o j\u00e1 massacrado m\u00e9dico nacional, principalmente porque, na imensa maioria das vezes, n\u00e3o tem como o fornecedor de servi\u00e7os, no caso, o m\u00e9dico, repassar os custos do seguro para os consumidores, no caso, pacientes, como ocorrem em outras rela\u00e7\u00f5es de consumo.<\/li>\n<li>Tudo acima reflete negativamente na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, estimulando uma rela\u00e7\u00e3o agress\u00e3o-defesa, que resultar\u00e1 numa perda de qualidade dos servi\u00e7os, num setor em que a confian\u00e7a e o respeito m\u00fatuos s\u00e3o vitais.<\/li>\n<li>Esses recursos deveriam ser usados em benef\u00edcio dos pacientes, e ser\u00e3o desviados para exames desnecess\u00e1rios do ponto de vista m\u00e9dico, para fins de prote\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. De certa forma, isso j\u00e1 ocorre, n\u00e3o pelo seguro, mas por aumento de processos;<\/li>\n<li>A falsa sensa\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o pode gerar desaten\u00e7\u00e3o e facilitar o erro m\u00e9dico, prejudicando m\u00e9dico e paciente;<\/li>\n<li>Facilita a \u201cind\u00fastria\u201d das indeniza\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>Fornece uma prote\u00e7\u00e3o aparente para o profissional;<\/li>\n<li>Cria um cen\u00e1rio espec\u00edfico de supostos erros m\u00e9dicos para o profissional;<\/li>\n<li>A vis\u00e3o do dinheiro, apresentada pelas empresas de seguro, estimula a cobi\u00e7a pelo valor a ser pago, deixando de lado aquilo que verdadeiramente importa para a sociedade, que \u00e9 uma humana, Medicina solid\u00e1ria, acess\u00edvel economicamente a todos, e centrada no entendimento de que tem na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, com m\u00fatuo respeito e confian\u00e7a, o seu maior valor;<\/li>\n<li>As demandas existentes levar\u00e3o inexoravelmente as seguradoras a aumentarem progressivamente o valor do que o m\u00e9dico pagar\u00e1 na contrata\u00e7\u00e3o, que, apesar de um valor \u00fanico no in\u00edcio para todos, em breve ter\u00e1 o car\u00e1ter diferenciado, incidindo mais sobre aquelas especialidades e aqueles m\u00e9dicos que forem mais demandados ou mais novi\u00e7os (entenda-se: menos experientes). Isso far\u00e1 desabar o \u00faltimo basti\u00e3o defensor de um suposto car\u00e1ter de solidariedade social, neste tipo de seguro;<\/li>\n<li>Levando em considera\u00e7\u00e3o o baixo ganho dos m\u00e9dicos brasileiros, e constante desvaloriza\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios,<\/li>\n<\/ul>\n<p><a name=\"carimbo\"><\/a><strong>14. \u00c9 OBRIGAT\u00d3RIO USAR SEMPRE O CARIMBO?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pare para pensar&#8230; Quais os principais instrumentos de trabalho do m\u00e9dico? Estetosc\u00f3pio? Instrumental cir\u00fargico? N\u00e3o&#8230; s\u00e3o a caneta e o carimbo.<\/p>\n<p>A depender da especialidade, muitos m\u00e9dicos h\u00e1 tempos n\u00e3o pegam num estetosc\u00f3pio, nem em material cir\u00fargico, mas todos, sem exce\u00e7\u00e3o, diariamente usam o seu carimbo.<\/p>\n<p>Se ele \u00e9 t\u00e3o presente na vida do m\u00e9dico, ousa-se dizer que \u00e9 o principal instrumento de trabalho do m\u00e9dico, pergunta-se: o seu uso \u00e9 obrigat\u00f3rio?<\/p>\n<p>Alguns profissionais j\u00e1 fizeram a pergunta sobre se o uso do carimbo \u00e9 ou n\u00e3o obrigat\u00f3rio; a imensa maioria indiretamente demonstra n\u00e3o saber a resposta, ao falar que n\u00e3o pode emitir documento m\u00e9dico por n\u00e3o estar com o seu carimbo, em determinada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A regra \u00e9 bem simples e se aplica em quase todos os casos, salvo as exce\u00e7\u00f5es pontuadas mais adiante. A utiliza\u00e7\u00e3o de carimbo em todos os documentos m\u00e9dicos \u00e9 opcional, pois n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade legal ou \u00e9tica. O que se exige, ou seja, o que \u00e9 obrigat\u00f3ria, \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o clara do profissional, com seu nome, seu respectivo CRM e estado e, se anunciar especialidade ou \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, junto com o an\u00fancio, deve vir obrigatoriamente o n\u00famero do RQE e respectivo CRM de emiss\u00e3o deste RQE e, claro, n\u00e3o pode faltar a assinatura do profissional.<\/p>\n<p>Desde que o m\u00e9dico seja identificado no documento m\u00e9dico emitido, n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia legal nem \u00e9tica para o uso de carimbo; ali\u00e1s, tamb\u00e9m n\u00e3o existe modelo proposto, para confec\u00e7\u00e3o de carimbos.<\/p>\n<p>Sendo assim, em todos os seus documentos emitidos, pode o m\u00e9dico deixar esses dados de identifica\u00e7\u00e3o profissional j\u00e1 impressos no documento, dispensando assim o uso do carimbo.<\/p>\n<p>Na impossibilidade ocasional do uso do carimbo, a assinatura pode ser acompanhada nas folhas de evolu\u00e7\u00e3o, prescri\u00e7\u00e3o e de exames complementares do nome do m\u00e9dico, CRM e estado e, se tiver e quiser colocar, a especialidade ou \u00e1rea da atua\u00e7\u00e3o, citando, nesse caso, o respectivo RQE. Mesmo na prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos controlados, o uso do carimbo pode ser substitu\u00eddo pelo uso de impressos, em que conste os dados que estariam em um carimbo.<\/p>\n<p>Bom, essa \u00e9 a regra geral da n\u00e3o obrigatoriedade do uso do carimbo. E as exce\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>O Manual de Preenchimento de Declara\u00e7\u00e3o de \u00d3bito do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, tamb\u00e9m orienta a utiliza\u00e7\u00e3o do carimbo do m\u00e9dico emissor nesta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por excepcionalidade legal, \u00e9 obrigat\u00f3rio o uso do carimbo para recebimento do talon\u00e1rio para prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos e subst\u00e2ncias das listas A1 e A2 (entorpecentes) e A3 (psicotr\u00f3picos).<\/p>\n<p>Outra exce\u00e7\u00e3o ocorre quando o profissional pertencer a uma institui\u00e7\u00e3o ou estabelecimento hospitalar, e usar o talon\u00e1rio dessa institui\u00e7\u00e3o. Nesse caso, como seus dados n\u00e3o est\u00e3o impressos, dever\u00e1 identificar-se com seu carimbo e sua assinatura, permitindo-se, por\u00e9m, que essa identifica\u00e7\u00e3o seja feita de forma manual, desde que sempre e necessariamente esteja leg\u00edvel.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m recusar um documento m\u00e9dico leg\u00edtimo, apenas por n\u00e3o ter carimbo, mas o profissional estiver devidamente identificado, cabe aos prejudicados \u2013 m\u00e9dico e paciente \u2013 responsabilizarem por danos morais aquele que o recusou e, se quem recusa for servidor p\u00fablico, cabe responsabiliza\u00e7\u00e3o em processo administrativo, podendo, a depender do caso, ser enquadrado at\u00e9 em improbidade administrativa.<\/p>\n<p><a name=\"atendimento\"><\/a><strong>15. VALOR DO ATENDIMENTO M\u00c9DICO DESVALORIZADO<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Historicamente, e na pr\u00e1tica, o m\u00e9dico tem enorme dificuldade de estabelecer os valores de seus honor\u00e1rios em servi\u00e7os particulares. Pior do que essa dificuldade, somente cobrar o valor estabelecido.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 um problema. O m\u00e9dico, o paciente e a sociedade t\u00eam que entender que a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente \u00e9 de consumo; que o m\u00e9dico \u00e9 um profissional liberal como qualquer outro, e que sustenta a si e a sua fam\u00edlia com o suor do seu trabalho.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico, o paciente e a sociedade devem saber que a Medicina, sim, \u00e9 um sacerd\u00f3cio, mas nunca foi pela gratuidade, afinal, \u00e9 uma profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A natureza sacerdotal da Medicina sacramenta a dedica\u00e7\u00e3o do profissional desde os seus tenros anos de estudo, ainda na adolesc\u00eancia e, antes mesmo de entrar na Medicina, isso j\u00e1 na fase de sele\u00e7\u00e3o para uma das vagas no curso m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Quantas noites mal dormidas&#8230; quantas faltas em eventos sociais e familiares por estar estudando ou trabalhando&#8230; Esse \u00e9 o sacerd\u00f3cio de que tanto se fala: dedica\u00e7\u00e3o e abnega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa linha de racioc\u00ednio, o C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica estabelece que \u00e9 direito do m\u00e9dico estabelecer seus honor\u00e1rios de forma justa e digna.<\/p>\n<p>Honor\u00e1rios se referem \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o. \u00c9 a contrapresta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria decorrente de um servi\u00e7o profissional contratado.<\/p>\n<p>O direito de fixar os honor\u00e1rios \u00e9 exclusivo do m\u00e9dico, j\u00e1 que s\u00f3 ele pode aquilatar o grau de sua qualifica\u00e7\u00e3o profissional, qualidade e a dificuldade de cada ato m\u00e9dico seu. Essa liberdade, por\u00e9m, n\u00e3o tem car\u00e1ter absoluto. Por quest\u00f5es \u00e9ticas, os honor\u00e1rios devem ser fixados num valor adequado e m\u00f3dico. N\u00e3o pode ser extremado para nenhum dos polos; nem para baixo, nem para cima.<\/p>\n<p>Remunera\u00e7\u00e3o digna \u00e9 aquela que atende \u00e0s necessidades da dignidade do profissional, assegurando-lhe condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas e \u00e0 sua fam\u00edlia, no que se refere \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, ao trabalho, \u00e0 moradia, ao lazer, \u00e0 seguran\u00e7a, ao vestu\u00e1rio, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m ao seu constante aperfei\u00e7oamento profissional.<\/p>\n<p>Por sua vez, remunera\u00e7\u00e3o justa \u00e9 aquela considerada adequada, razo\u00e1vel, correta, dentro dos padr\u00f5es de correi\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a. Se contrap\u00f5e \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o vil ou extorsiva, prejudicial \u00e0 sociedade e nociva \u00e0 categoria e ao bom nome da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Vil \u00e9 aquilo desprez\u00edvel, m\u00edsero, \u00ednfimo, insignificante, degradante.<\/p>\n<p>Cobrar honor\u00e1rios a pre\u00e7o vil, al\u00e9m de denegrir o profissional, desprestigia a profiss\u00e3o que exerce; isso sem falar na concorr\u00eancia desleal com os colegas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 definir o limite do valor considerado vil. Ser\u00e1 que a imensa maioria dos procedimentos e consultas pagos pelo SUS n\u00e3o s\u00e3o vis? Certamente que sim.<\/p>\n<p>Mas, como responsabilizar a maioria da categoria por atender pelo SUS? E a popula\u00e7\u00e3o, sem atendimento pelo SUS, como ficaria? Seria o valor pago pelo SUS o patamar m\u00ednimo? S\u00e3o perguntas que possuem respostas divergentes. Sobre o tema, o CRM-PR, em um Parecer de 1998, apontou que trabalhar pelo SUS seria a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra do pre\u00e7o vil, por quest\u00e3o de solidariedade social e interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esquecer que a remunera\u00e7\u00e3o justa e digna se refere n\u00e3o apenas ao valor, mas tamb\u00e9m, em mesma hierarquia de import\u00e2ncia, a se saber quando esse pagamento realmente ocorrer\u00e1. Observe que h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o de receber remunera\u00e7\u00e3o a pre\u00e7o vil, imagine prestar servi\u00e7o de forma gratuita. Indubitavelmente, prestar servi\u00e7o gratuito e bem mais grave que valorar de forma vil.<\/p>\n<p>E o que seria valor extorsivo ou abusivo? Na pr\u00e1tica, n\u00e3o existe qualquer limita\u00e7\u00e3o para cobran\u00e7a de honor\u00e1rios m\u00e9dicos, afinal, a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre o m\u00e9dico e seu paciente \u00e9 contratual. O entendimento jur\u00eddico e \u00e9tico \u00e9 que a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios \u00e9 livre e de consenso pr\u00e9vio e escrito, entre as partes.<\/p>\n<p>Jamais o conceito de \u201cextorsivo ou abusivo\u201d, deve ser entendido como uma limita\u00e7\u00e3o na fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios particulares, mesmo porque fere o princ\u00edpio constitucional da livre concorr\u00eancia, que sempre deve ser estimulado e lesa o par\u00e2metro de que \u00e9 direito de o m\u00e9dico estabelecer seus honor\u00e1rios de forma justa e digna.<\/p>\n<p>De forma excepcional, se pode entender como honor\u00e1rios extorsivos como aqueles impostos ao paciente ou a seus familiares, em situa\u00e7\u00e3o em que inexiste ato volunt\u00e1rio, pois n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de escolher, de dialogar ou de contratar livremente por parte do paciente e\/ou familiares. Seria quando o m\u00e9dico se aproveita de urg\u00eancia ou emerg\u00eancia, da afli\u00e7\u00e3o e da ang\u00fastia, para cobrar um valor excessivo (comparado com valor de mercado de outros profissionais) pelo seu trabalho.<\/p>\n<p>Em urg\u00eancia e emerg\u00eancia, sempre e de in\u00edcio, se atende e se tira o paciente dessa situa\u00e7\u00e3o ou pelo menos o estabiliza. S\u00f3 depois vem o estabelecimento de honor\u00e1rios. N\u00e3o se diga que esses sejam gratuitos, apenas a cobran\u00e7a (e o pagamento) ser\u00e1 feita depois.<\/p>\n<p>Aprofundando sobre pre\u00e7o vil, cabe assinalar que h\u00e1 dois padr\u00f5es que estabelecem um piso de remunera\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico. O mais conhecido \u00e9 a Tabela de Honor\u00e1rios M\u00e9dicos da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (Tabela AMB), mais conhecida como Classifica\u00e7\u00e3o Brasileira Hierarquizada de Procedimentos M\u00e9dicos \u2013 CBHPM, de elabora\u00e7\u00e3o conjunta pelo CFM, AMB, Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos \u2013 FENAM, representantes m\u00e9dicos estaduais e as Sociedades de Especialidades.<\/p>\n<p>Outro par\u00e2metro, menos conhecido, foi estabelecido pelo CRM\/ES, em 2011. Por meio de Resolu\u00e7\u00e3o, foi fixado um valor referencial de R$80,00 (oitenta reais) para consultas m\u00e9dicas, como padr\u00e3o remunerat\u00f3rio e \u00e9tico m\u00ednimos. Observe&#8230; em 2011, o sal\u00e1rio-m\u00ednimo era de R$ 545,00 e o CRM fixou em R$ 80,00 o valor m\u00ednimo da consulta (14,68% do sal\u00e1rio-m\u00ednimo).<\/p>\n<p>Hoje, em 2021, o sal\u00e1rio-m\u00ednimo \u00e9 de R$ 1100,00 \u2013 o dobro, o que significa dizer que o valor m\u00ednimo da consulta deveria tamb\u00e9m ser o dobro de R$80,00, ou seja R$ 160,00.<\/p>\n<p>Salvo no SUS, em tese, abaixo desse valor, o profissional m\u00e9dico estaria submetido \u00e0 contrapresta\u00e7\u00e3o degradante, indigna, e n\u00e3o contemplaria a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho humano.<\/p>\n<p>Para finalizar, \u00e9 sabido que muitas vezes o paciente vem fazer consultas para leil\u00e3o, buscando o menor pre\u00e7o. Ele est\u00e1 em seu direito ao fazer uso dessa manobra. Sempre quando algu\u00e9m alegar que seus valores est\u00e3o caros ou que Dr. fulano cobra mais barato, voc\u00ea deve se posicionar. Se ele falar do pre\u00e7o menor de outro colega, seja cordial e encerre a conversa.<\/p>\n<p>Se o questionamento for apenas por achar caro, pergunte como o paciente qualifica o caro ou o barato, se n\u00e3o conhece os seus anos de estudo, sua expertise e dedica\u00e7\u00e3o ao paciente.<\/p>\n<p>Diferencie pre\u00e7o de valor. O pre\u00e7o \u00e9 o que se paga por algo; valor \u00e9 o que se recebe pelo pre\u00e7o pago. Destaque o valor que voc\u00ea entrega como m\u00e9dico-assistente aos seus pacientes e pergunte a eles o que gostariam de valor a mais pelo pre\u00e7o proposto.<\/p>\n<p>Mas se valorize&#8230;desde que sempre fixe seus honor\u00e1rios em pre\u00e7os m\u00f3dicos.<\/p>\n<p><a name=\"agredido\"><\/a><strong>16. O QUE FAZER SE O M\u00c9DICO FOR AGREDIDO VERBALMENTE OU FISICAMENTE?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Est\u00e1 ficando cada vez mais comum a agress\u00e3o a m\u00e9dicos e aos demais profissionais de sa\u00fade, seja por pacientes, seja por familiares. Mas a isso n\u00e3o se resume. Existem tamb\u00e9m desentendimentos entre o m\u00e9dico e outros colegas de trabalho; inclusive h\u00e1 agress\u00f5es de m\u00e9dicos a colegas de profiss\u00e3o. Nesse texto, procuraremos dar um direcionamento detalhado aos m\u00e9dicos de como agir nessas situa\u00e7\u00f5es, mas ressalta-se que essas orienta\u00e7\u00f5es se aplicam, de uma maneira geral, contra qualquer pessoa agressora.<\/p>\n<p>Afinal, o que o m\u00e9dico pode fazer quando algu\u00e9m o agride no exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o?<\/p>\n<p>Para um direcionamento de orienta\u00e7\u00e3o, algumas perguntas iniciais devem ser respondidas t\u00e3o logo cessadas as agress\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>A agress\u00e3o foi verbal ou f\u00edsica?<\/li>\n<li>Qual o tipo de agress\u00e3o verbal ou qual o tipo de agress\u00e3o f\u00edsica?<\/li>\n<li>No local existiam c\u00e2meras de seguran\u00e7a ou testemunhas?<\/li>\n<li>Algu\u00e9m filmou? Quem filmou?<\/li>\n<li>Foi em servi\u00e7o p\u00fablico ou no servi\u00e7o privado?<\/li>\n<li>Se foi no p\u00fablico, ocorreu na esfera federal, estadual ou municipal?<\/li>\n<li>Voc\u00ea, m\u00e9dico agredido, revidou a agress\u00e3o?<\/li>\n<\/ul>\n<p>A depender das respostas, h\u00e1 estrat\u00e9gias diferentes, alternativas do que se pode fazer para punir o agressor do m\u00e9dico. Inicia-se pelos tipos de agress\u00f5es verbais e f\u00edsicas. Come\u00e7a-se pelas agress\u00f5es verbais. Esse tipo de agress\u00e3o \u00e9 o mais comum e pode ser dividido em tr\u00eas subtipos: cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria. Pode ocorrer presencialmente ou a dist\u00e2ncia, inclusive por meio das redes sociais.<\/p>\n<p>Quando se presencia uma pessoa xingando ou acusando outra de algo, \u00e9 bastante comum que se levante a hip\u00f3tese de crimes contra a honra, que s\u00e3o cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou inj\u00faria.<\/p>\n<p>Embora parecidos os crimes, existem v\u00e1rias diferen\u00e7as entre eles.<\/p>\n<p>A cal\u00fania e a difama\u00e7\u00e3o s\u00e3o crimes contra a honra objetiva, ou seja, que atingem a reputa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo perante a sociedade, perante outras pessoas e, por isso, devem chegar ao conhecimento de uma terceira pessoa, para o crime se consumar. Por isso, \u00e9 importante comprovar esse conhecimento de outras pessoas \u2013 por v\u00eddeos e testemunhas, por exemplo.<\/p>\n<p>J\u00e1 a inj\u00faria afeta a honra subjetiva \u2013 em outras palavras, o sentimento de respeito pessoal da pr\u00f3pria pessoa agredida. Por isso, n\u00e3o precisa chegar ao conhecimento de uma terceira pessoa para o crime se consumar.<\/p>\n<p>O crime de cal\u00fania est\u00e1 previsto no artigo 138 do C\u00f3digo Penal, e consiste em atribuir falsamente a algu\u00e9m a autoria de um crime. Para que se configure o crime de cal\u00fania, \u00e9 preciso que seja narrado publicamente um fato criminoso.<\/p>\n<p>Um exemplo aplic\u00e1vel ao m\u00e9dico seria expor, na internet, o nome e foto de um profissional como autor de delitos como: homic\u00eddio, les\u00e3o corporal, omiss\u00e3o de socorro ou ass\u00e9dio sexual, sem ter provas disso. Mais uma vez, para o crime se consumar, \u00e9 necess\u00e1rio provar que outras pessoas diversas de agressor e agredido tomaram conhecimento da ofensa. A pena pelo crime de cal\u00fania \u00e9 deten\u00e7\u00e3o de seis meses a dois anos e multa. Parte-se \u00e0 explica\u00e7\u00e3o do segundo crime \u2013 a difama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Prevista no artigo 139 do C\u00f3digo Penal, a difama\u00e7\u00e3o consiste em imputar a algu\u00e9m um fato ofensivo a sua reputa\u00e7\u00e3o, embora o fato n\u00e3o constitua crime, como ocorre com a cal\u00fania. \u00c9 o caso, por exemplo, de um m\u00e9dico que tem ataques a sua vida profissional expostos em uma m\u00eddia social, como sendo um mau m\u00e9dico, carniceiro, a\u00e7ougueiro, irrespons\u00e1vel, que sempre se atrasa nos atendimentos ou que n\u00e3o d\u00e1 o suporte necess\u00e1rio ao paciente.<\/p>\n<p>Neste caso, ainda que o fato narrado seja ver\u00eddico, divulg\u00e1-lo constitui crime e tamb\u00e9m deve chegar ao conhecimento de outra pessoa, para se consumar. A pena para esse crime \u00e9 deten\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses a um ano e multa.<\/p>\n<p>O terceiro crime contra a honra \u2013 crime de inj\u00faria \u2013 previsto no artigo 140 do C\u00f3digo Penal, ocorre quando uma pessoa dirige a outra algo desonroso e que ofende a sua dignidade \u2013 \u00e9 o famoso xingamento em qualquer uma de suas modalidades.<\/p>\n<p>Como se trata de um crime que ofende a honra subjetiva, no crime de inj\u00faria n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que terceiros tomem ci\u00eancia da ofensa para que o crime se consuma. Basta o agredido ter ci\u00eancia da agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Na hip\u00f3tese de a inj\u00faria envolver elementos referentes \u00e0 ra\u00e7a, cor, etnia, religi\u00e3o origem ou a condi\u00e7\u00e3o de pessoa idosa ou portadora de defici\u00eancia, a pena \u00e9 aumentada para reclus\u00e3o de um a tr\u00eas anos e multa.<\/p>\n<p>Um dado importante: o ofendido por um dos crimes contra a honra tem prazo de seis meses para abrir o processo criminal, contado do dia em que vier a saber quem \u00e9 o autor do crime. Se deixar passar, perde a oportunidade, uma vez por todas, de processar o seu agressor.<\/p>\n<p>Explicadas as agress\u00f5es verbais, passa-se \u00e0s agress\u00f5es f\u00edsicas. Inicialmente existem as vias de fato, uma contraven\u00e7\u00e3o penal, uma esp\u00e9cie de crime brando ou an\u00e3o, como dizem os estudiosos juristas. Nesse il\u00edcito, existe amea\u00e7a \u00e0 integridade f\u00edsica atrav\u00e9s da pr\u00e1tica de atos de ataque ou viol\u00eancia contra pessoa, que n\u00e3o resulte em les\u00f5es corporais. S\u00e3o agress\u00f5es f\u00edsicas que n\u00e3o deixam marcas ou sequelas no corpo da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Como a conduta \u00e9 menos grave, a pena prevista \u00e9 de pris\u00e3o simples de quinze dias a tr\u00eas meses. Pode ser aumentada em at\u00e9 1\/3, caso a v\u00edtima seja maior que 60 anos. Servem como exemplos os atos de: empurrar, sacudir, rasgar roupas, puxar cabelo, alguns socos ou pontap\u00e9s leves, arremessar objetos e demais atos, desde que n\u00e3o cheguem a causar les\u00e3o corporal.<\/p>\n<p>E o que seriam les\u00f5es corporais? Essas s\u00e3o crimes e necessariamente ofendem a integridade corporal ou a sa\u00fade do agredido. A constata\u00e7\u00e3o da les\u00e3o corporal, em regra, \u00e9 realizada atrav\u00e9s de laudo pericial \u2013 exame de corpo de delito feito no Instituto M\u00e9dico Legal \u2013 IML. Caso o laudo n\u00e3o aponte les\u00e3o, o caso pode ser tratado como vias de fato. A les\u00e3o corporal pode ser grav\u00edssima, grave e, por exce\u00e7\u00e3o, a que n\u00e3o se enquadrar nas hip\u00f3teses legais citadas, \u00e9 considerada de natureza leve.<\/p>\n<p>Na les\u00e3o corporal de natureza grave, existe uma das seguintes situa\u00e7\u00f5es: incapacidade para as ocupa\u00e7\u00f5es habituais, por mais de trinta dias; perigo de vida; debilidade permanente de membro, sentido ou fun\u00e7\u00e3o ou acelera\u00e7\u00e3o de parto. A pena \u00e9 de reclus\u00e3o, de um a cinco anos.<\/p>\n<p>Na les\u00e3o corporal de natureza grav\u00edssima, existe uma das situa\u00e7\u00f5es: incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade incur\u00e1vel; perda ou inutiliza\u00e7\u00e3o do membro, sentido ou fun\u00e7\u00e3o; deformidade permanente ou aborto, com pena de reclus\u00e3o, de dois a oito anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das agress\u00f5es verbais e f\u00edsicas, j\u00e1 explicadas, ainda existe o crime de amea\u00e7a, que \u00e9 previsto no artigo 147 do C\u00f3digo Penal, e que consiste no ato de amea\u00e7ar algu\u00e9m, por palavras, gestos ou outros meios, de lhe causar mal injusto e grave e, como puni\u00e7\u00e3o, a lei determina deten\u00e7\u00e3o de um a seis meses ou multa.<\/p>\n<p>A\u00ed voc\u00ea, m\u00e9dico, reflete. Entendi os tipos de agress\u00e3o. Mas o que eu devo fazer quando for agredido no exerc\u00edcio de minha profiss\u00e3o?<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1&#8230;Recomenda-se que voc\u00ea, m\u00e9dico agredido, siga os seguintes passos:<\/p>\n<ul>\n<li>Evitar ao m\u00e1ximo entrar na discuss\u00e3o. Se cale e saia imediatamente do recinto. Regra geral: n\u00e3o revide a agress\u00e3o.<\/li>\n<li>Tenha calma e paci\u00eancia. Voc\u00ea dar\u00e1 a resposta \u00e0 altura da agress\u00e3o, mas esse n\u00e3o \u00e9 o momento e nem o local.<\/li>\n<li>Concentre-se em manter dist\u00e2ncia de seguran\u00e7a e de ir para um recinto onde existam c\u00e2meras de seguran\u00e7a ou testemunhas. Sempre que poss\u00edvel, identifique de alguma forma quem \u00e9 o ofensor e quem ser\u00e3o as testemunhas. Se poss\u00edvel filme com o seu celular ou pe\u00e7a para algu\u00e9m o fazer. Avise ao ofensor que a agress\u00e3o est\u00e1 sendo filmada.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Normalmente, seguindo esses passos, j\u00e1 \u00e9 suficiente para fazer a agress\u00e3o cessar.<\/p>\n<p>Quando a agress\u00e3o cessar, imediatamente avise o ocorrido aos seus superiores e \u00e0 Dire\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica; solicite substituto e diga que, por quest\u00e3o de seguran\u00e7a pessoal, est\u00e1 suspendendo o atendimento naquele momento e se ausentando do local, e que ir\u00e1 imediatamente iniciar os procedimentos contra o ofensor, a come\u00e7ar pelo registro de Boletim de Ocorr\u00eancia \u2013 BO.<\/p>\n<p>O BO deve ser registrado imediatamente com todos os detalhes poss\u00edveis, inclusive com os dados de identifica\u00e7\u00e3o do ofensor, se existem c\u00e2meras de seguran\u00e7a no local ou informa\u00e7\u00f5es sobre quem filmou, para a pol\u00edcia requisitar essas provas.<\/p>\n<p>Mas onde o BO deve ser registrado? Se o fato ocorreu em \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico da esfera federal, ou em decorr\u00eancia de v\u00ednculo de trabalho na esfera federal, sempre ser\u00e1 a Pol\u00edcia Federal quem deve ser chamada presencialmente, se necess\u00e1rio for, e \u00e9 na delegacia da PF que dever\u00e1 ser registrado o BO.<\/p>\n<p>Se a agress\u00e3o n\u00e3o ocorreu em \u00f3rg\u00e3o federal ou em decorr\u00eancia de fun\u00e7\u00e3o ou cargo federal, por exce\u00e7\u00e3o, todos os demais casos, s\u00e3o de compet\u00eancia da pol\u00edcia do estado (militar ou civil, a depender do caso). \u00c9 ela quem deve ser chamada ao local, se necess\u00e1rio for, e ser\u00e1 em delegacia normal onde o seu BO deve ser registrado.<\/p>\n<p>Se ocorreu agress\u00e3o f\u00edsica, solicite ao delegado a emiss\u00e3o de guia de corpo de delito para o Instituto M\u00e9dico Legal \u2013 IML, a fim de documentar as les\u00f5es.<\/p>\n<p>Munido das provas contra o agressor, imediatamente, procure um advogado especialista em Direito M\u00e9dico.<\/p>\n<p>N\u00e3o somente por voc\u00ea, mas por toda a categoria, ingresse com for\u00e7a m\u00e1xima contra o agressor ou a ocorr\u00eancia tende a virar um ciclo vicioso, cada vez mais presente de agress\u00f5es contra os m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Nada justifica uma agress\u00e3o contra um profissional da sa\u00fade; o argumento de que o paciente\/familiar agressor estava transtornado, para aliviar o seu sofrimento ou de um familiar n\u00e3o se justifica, afinal, o profissional est\u00e1 trabalhando sobrecarregado, quase sempre em estrutura prec\u00e1ria e subdimensionada e, ainda assim, fazendo o seu melhor e o poss\u00edvel por todos os pacientes.<\/p>\n<p>A depender do que ocorreu, voc\u00ea pode at\u00e9 pedir um desagravo ao seu Conselho Regional de Medicina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do processo criminal cab\u00edvel, voc\u00ea deve entrar com processo de indeniza\u00e7\u00e3o contra o ofensor. Se voc\u00ea n\u00e3o quer ou n\u00e3o precisa do dinheiro que vai receber, receba-o e doe para uma institui\u00e7\u00e3o de caridade, mas responsabilize o seu agressor. Se o ofensor for profissional, e proferiu as agress\u00f5es no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, voc\u00ea tamb\u00e9m deve represent\u00e1-lo no Conselho de classe e na institui\u00e7\u00e3o em que o ofensor trabalha. Para finalizar, nem se deveria dizer isso&#8230; mas \u00e9 oportuno.<\/p>\n<p>Nunca, jamais aceite agress\u00e3o f\u00edsica!!! Deve-se sempre evitar revides ou confrontos. Se e quando algu\u00e9m notoriamente vier lhe agredir fisicamente, sempre perante filmagens e testemunhas, deixe-o sempre iniciar a agress\u00e3o, mas revide imediatamente de forma incisiva e r\u00e1pida, com o que tiver ao alcance das m\u00e3os, sem excessos, mas apenas o suficiente para repelir a injusta agress\u00e3o; isso \u00e9 leg\u00edtima defesa. \u00c9 medida de exce\u00e7\u00e3o que deve ser provada num processo ao qual voc\u00ea ir\u00e1 responder, mas, se comprovada, voc\u00ea n\u00e3o ser\u00e1 punido. Em situa\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes, melhor se defender e repelir a agress\u00e3o, do que ser agredido.<\/p>\n<p><a name=\"gravar\"><\/a><strong>17. O PACIENTE PODE GRAVAR UMA CONSULTA M\u00c9DICA?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Comumente, muitas pessoas \u2013 m\u00e9dicos e pacientes \u2013 perguntam sobre a grava\u00e7\u00e3o de atendimentos m\u00e9dicos. Perguntam se podem realizar tal grava\u00e7\u00e3o e indagam, entre outros questionamentos: qual o efeito em ser desconhecida do outro interlocutor? O que fazer quando isso \u00e9 sagrado? Pode ser divulgada sem autoriza\u00e7\u00e3o do outro? Quais os cuidados nessas grava\u00e7\u00f5es? Etc.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria \u00e9 controversa e pol\u00eamica, porque envolve quest\u00f5es ligadas \u00e0 intimidade, \u00e0 privacidade, ao direito de imagem, ao ato m\u00e9dico e ao sigilo profissional, mas tamb\u00e9m \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o e \u00e0 defesa do m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Lembra-se de que uma resolu\u00e7\u00e3o dos Conselhos de Medicina lei para a categoria. Toda e qualquer resolu\u00e7\u00e3o de Medicina deve ser acatada pelos m\u00e9dicos, independentemente de qual Regional editou a norma. J\u00e1 o Parecer \u00e9 meramente opinativo; um guia de conduta, que n\u00e3o obrigatoriamente deve ser seguido.<\/p>\n<p>Apesar da controv\u00e9rsia do tema, n\u00e3o h\u00e1 resolu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do Conselhos de Medicina regrando o assunto. Existem v\u00e1rios Pareceres abordando o tema e muitas vezes um Parecer contradiz o outro. Para alguns Pareceres, n\u00e3o h\u00e1 justificativa para a grava\u00e7\u00e3o de voz e imagem durante a realiza\u00e7\u00e3o de um ato m\u00e9dico. Como n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o, nem proibi\u00e7\u00e3o \u00e9tica nem legal, outros Pareceres afirmam que \u00e9 poss\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00f5es de \u00e1udio e v\u00eddeo, durante atos m\u00e9dicos nos consult\u00f3rios, como meio de prova judicial, pouco importando o uso que se dar\u00e1 ao material posteriormente.<\/p>\n<p>Para o paciente, uma das finalidades \u00e9 revisar a consulta, mas comumente pode ser usada contra o m\u00e9dico; por sua vez, a grava\u00e7\u00e3o para o m\u00e9dico tem sempre o salutar intuito de resguard\u00e1-lo no exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o. Para esses pareceristas, essa falta de previs\u00e3o pode ser suprida por autoriza\u00e7\u00e3o expressa dos pacientes que ser\u00e3o filmados ou de seus representantes legais, desde que sejam tomadas todas as medidas de seguran\u00e7a necess\u00e1rias durante o processo de obten\u00e7\u00e3o e armazenamento das imagens. O autor se filia \u00e0queles que defendem que sim; que pode, e se vai mais al\u00e9m, que deve, haver grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio e v\u00eddeo em qualquer atendimento m\u00e9dico assistencialista ou n\u00e3o, eletivo ou n\u00e3o, desde que observadas algumas regras que ser\u00e3o comentadas mais adiante.<\/p>\n<p>Essa tese permissiva, al\u00e9m de majorit\u00e1ria nos Pareceres dos Conselhos de Medicina, \u00e9 a adotada no Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u2013 STJ, que, em regra, dar\u00e1 a \u00faltima palavra se e quando o m\u00e9dico for processado por algum paciente ou familiar. O STJ entende que o paciente pode gravar os atendimentos. Por analogia, o mesmo direito cabe ao m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Os defensores da tese da permiss\u00e3o para gravar demonstram que os m\u00e9dicos-assistentes j\u00e1 fazem uso de fotografias; cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos as utilizam no pr\u00e9 e p\u00f3s-operat\u00f3rio; ortopedistas, registram malforma\u00e7\u00f5es, deformidades e fixa\u00e7\u00f5es de fraturas, al\u00e9m do fato de que no estudo da marcha \u00e9 comum a grava\u00e7\u00e3o de imagem din\u00e2mica, realizada com os pacientes em trajes menores ou desnudos.<\/p>\n<p>Frequente tamb\u00e9m \u00e9 o registro de imagem feito por peritos-m\u00e9dicos, seja em inst\u00e2ncias criminais (IMLs), c\u00edveis (peritos judiciais) ou trabalhistas (m\u00e9dico do trabalho), para enriquecimento dos laudos. Existe, por\u00e9m, uma regra b\u00e1sica inicial \u2013 \u00e9 essencial haver a ci\u00eancia e o pr\u00e9vio consentimento de todos os envolvidos, m\u00e9dicos, pacientes, familiares, respons\u00e1veis legais pelo paciente. Al\u00e9m desses, em lugares coletivos como UTIs, SRs, Emerg\u00eancias, Centros Cir\u00fargicos etc, a ci\u00eancia e consentimento dos citados, al\u00e9m dos pacientes, deve incluir os demais profissionais de sa\u00fade do setor. Entende o autor que as grava\u00e7\u00f5es nos lugares como UTIs, SRs, Emerg\u00eancias, al\u00e9m da clara prote\u00e7\u00e3o, traz impactos positivos na assist\u00eancia, ensino e seguran\u00e7a dos pacientes, al\u00e9m de ter o car\u00e1ter educativo e o benef\u00edcio social na melhoria dos protocolos. O m\u00e9dico estaria obrigado ao sigilo m\u00e9dico; os n\u00e3o m\u00e9dicos estariam obrigados ao sigilo funcional.<\/p>\n<p>Dito isso, o leitor j\u00e1 entendeu que o paciente e o m\u00e9dico podem gravar os atendimentos com a ci\u00eancia um do outro. Pode o paciente filmar ou gravar a consulta, desde que com concord\u00e2ncia do m\u00e9dico, que poder\u00e1 se opor, sem que isto tamb\u00e9m implique no cometimento de falta \u00e9tica. Se a grava\u00e7\u00e3o for \u00e0s escondidas, \u00e9 prova il\u00edcita e n\u00e3o pode ser usada para fins diferentes do que a pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o do atendimento, por parte de quem gravou. Mas ent\u00e3o o m\u00e9dico pergunta: E se o paciente estiver gravando escondido? O que fazer? Pare a consulta e registre no prontu\u00e1rio\/ficha a grava\u00e7\u00e3o furtiva e solicite ao paciente para assinar o termo de confidencialidade de imagem e voz.<\/p>\n<p>Se o paciente se recusar a parar de gravar \u00e0s escondidas ou a assinar o termo, isso deve ser registrado, e a consulta imediatamente encerrada. Pode o paciente talvez n\u00e3o assinar. Nesse caso, chame duas pessoas na mesma hora para assinar como testemunhas.<\/p>\n<p>Evidentemente, respeitando posicionamentos e teses contr\u00e1rias, minorit\u00e1rias dos Conselhos de Medicina, entendo que n\u00e3o se deve proibir, ali\u00e1s, deve-se estimular a grava\u00e7\u00e3o\/filmagem de todos os atendimentos m\u00e9dicos; h\u00e1 de se informar e pedir a autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via atrav\u00e9s do termo de consentimento livre e esclarecido. Se o paciente, familiar ou representante legal n\u00e3o concordar, o atendimento n\u00e3o deve ser feito, salvo, \u00e9 claro, em situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia ou emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Desnecess\u00e1rio dizer uma verdade: que a grava\u00e7\u00e3o rotineira tende a fragilizar a rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente. Cabe a voc\u00ea, m\u00e9dico, mostrar as vantagens ao paciente e sopesar o risco-benef\u00edcio dessa grava\u00e7\u00e3o, mas, certamente, se e quando o paciente estiver mal-intencionado, o risco para voc\u00ea \u00e9 muito maior se n\u00e3o gravar.<\/p>\n<p>Sempre se deve ter em mente alguns pontos e regras importantes:<\/p>\n<ul>\n<li>A rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente \u00e9 de confian\u00e7a e sempre deve preponderar o bom senso e a transpar\u00eancia, mas tamb\u00e9m a seguran\u00e7a e a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para ambas as partes;<\/li>\n<li>Gravar o atendimento m\u00e9dico, ap\u00f3s autoriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o caracteriza il\u00edcito \u00e9tico. Divulgar o conte\u00fado da grava\u00e7\u00e3o, sem o cuidado de manter o sigilo, em processos judiciais, por exemplo, afronta o CEM e demais regras jur\u00eddicas;<\/li>\n<li>A grava\u00e7\u00e3o pode ser utilizada com o intuito de resguardar o m\u00e9dico no exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o, mas jamais pode ser usada como forma de monitora\u00e7\u00e3o de trabalho do profissional pelo empregador, nem a Auditoria M\u00e9dica pode ter acesso ao material;<\/li>\n<li>Se n\u00e3o h\u00e1 estrutura para fazer a grava\u00e7\u00e3o em todos os casos, o m\u00e9dico deve faz\u00ea-la pelo menos no seu consult\u00f3rio e sala de exames, a fim de confirmar que passou as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias do diagn\u00f3stico, tratamento, progn\u00f3stico, riscos, e que atuou sem nenhum tipo de ass\u00e9dio indevido. Isso \u00e9 uma importante prova a seu favor, se houver questionamento jur\u00eddico;<\/li>\n<li>Em defesa m\u00e9dica, a grava\u00e7\u00e3o \u00e9 importante especificamente em especialidades como ginecologia,\u00a0 radiologia, urologia e mastologia, nas alega\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio sexual, al\u00e9m de maus tratos de idosos, viol\u00eancia obst\u00e9trica e a crian\u00e7as;<\/li>\n<li>Na verdade, a grava\u00e7\u00e3o complementa o prontu\u00e1rio e dele passa a fazer parte de forma indissoci\u00e1vel;<\/li>\n<li>O m\u00e9dico est\u00e1 obrigado a garantir o sigilo, guarda, armazenamento e disponibilidade para as partes em eventuais demandas, quando requisitada a grava\u00e7\u00e3o pelos Conselhos ou pela Justi\u00e7a;<\/li>\n<li>Quando previamente acordadas as grava\u00e7\u00f5es, ainda assim, jamais podem ser utilizadas para outros fins, como exposi\u00e7\u00e3o em redes sociais, aplicativos de mensagens etc, pois fere o direito de voz e imagem do outro e, se for o m\u00e9dico que o fizer, ainda quebra o sigilo a que est\u00e1 obrigado e desrespeita a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados \u2013 LGPD.<\/li>\n<li>Sempre h\u00e1 de se preservar a intimidade do paciente e o sigilo profissional.<\/li>\n<\/ul>\n<p>H\u00e1 de se tomar alguns cuidados antes de gravar os seus pacientes:<\/p>\n<ul>\n<li>Certificar-se de que as imagens e \u00e1udios ser\u00e3o estritamente confidenciais e n\u00e3o ser\u00e3o acessados por terceiros;<\/li>\n<li>Informar ao paciente a respeito da grava\u00e7\u00e3o, mediante a fixa\u00e7\u00e3o de placa informativa ou outro meio efetivo de comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 na recep\u00e7\u00e3o e;<\/li>\n<li>Ter o consentimento pr\u00e9vio do paciente, por escrito, para a grava\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p><a name=\"atestados\"><\/a><strong>18. PRECISO OBRIGATORIAMENTE INFORMAR DIAGN\u00d3STICOS NOS ATESTADOS?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>O tema agora \u00e9 a coloca\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) do diagn\u00f3stico em documentos m\u00e9dicos, em especial nos atestados. Um diagn\u00f3stico pode ser colocado pela doen\u00e7a escrita e identificada diretamente ou por meio de codifica\u00e7\u00e3o pelo CID \u2013 C\u00f3digo Internacional de Doen\u00e7as&#8230; tanto faz..!!!<\/p>\n<p>Com a internet e com o Google, codificar pelo CID \u00e9 praticamente a mesma coisa de escrever a patologia por extenso. Em segundos se tem o que aquele CID significa. A forma de identifica\u00e7\u00e3o da enfermidade de uma ou de outra forma \u00e9 o que menos importa&#8230;O que aqui ser\u00e1 estudado, se aplica tanto \u00e0quele diagn\u00f3stico expressamente colocado por escrito quanto para o diagn\u00f3stico colocado como CID.<\/p>\n<p>O que realmente interessa \u00e9 o sigilo das informa\u00e7\u00f5es e o fato de que esse diagn\u00f3stico pode at\u00e9 ser divulgado, mas com alguns cuidados essenciais. Em regra, essa informa\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico s\u00f3 dever\u00e1 constar no atestado m\u00e9dico com autoriza\u00e7\u00e3o expressa do paciente ou, se incapaz, de seu representante legal. Muitas empresas se recusam a aceitar o atestado m\u00e9dico sem o diagn\u00f3stico. Ocorre que elas n\u00e3o devem e n\u00e3o podem recusar esses atestados. Isso \u00e9 pass\u00edvel de o paciente denunciar o fato \u00e0s autoridades competentes como a Superintend\u00eancia do Trabalho ou Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho \u2013 MPT.<\/p>\n<p>Como exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, para fins de per\u00edcia m\u00e9dica, por\u00e9m, no INSS ou em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de per\u00edcia para servidores p\u00fablicos, a indica\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico \u00e9 considerada dever legal, portanto sua coloca\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria. Salvo essa exce\u00e7\u00e3o, o m\u00e9dico est\u00e1 sujeito \u00e0 penaliza\u00e7\u00e3o se n\u00e3o garantir a privacidade ou intimidade do paciente.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as \u2013 CID faz parte da intimidade do paciente e somente ele, por meio de autoriza\u00e7\u00e3o expressa, pode autorizar que a informa\u00e7\u00e3o conste no atestado. Na pr\u00e1tica, quando o paciente solicita a coloca\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico no atestado, o m\u00e9dico deve sempre ter o cuidado de solicitar essa autoriza\u00e7\u00e3o expressa do paciente, no pr\u00f3prio corpo do atestado, com a informa\u00e7\u00e3o de que ele concorda com a quebra de sigilo do seu diagn\u00f3stico e que o documento lhe est\u00e1 sendo entregue em m\u00e3os. Deve haver espa\u00e7o logo abaixo desse texto para o paciente datar o recebimento e assinar. Tudo isso, sempre que poss\u00edvel, deve constar na frente do pr\u00f3prio atestado. O destino que vai ser dado a esse documento, \u00e9 responsabilidade exclusiva do pr\u00f3prio paciente. Esse cuidado \u00e9 imprescind\u00edvel para o m\u00e9dico evitar eventuais e futuros desgastes com os seus pacientes.<\/p>\n<p><a name=\"laudo\"><\/a><strong>19. POSSO COBRAR POR PREENCHER LAUDO DO SEGURO SOLICITADO PELO PACIENTE?<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Existem temas que s\u00e3o de desconhecimentos de m\u00e9dicos e de pacientes, e essa desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o raramente gera descontentamentos de ambos os lados. Um desses temas \u00e9 exatamente o pedido do paciente para o seu m\u00e9dico-assistente preencher um laudo de seguradora, para que o paciente possa receber determinada quantia.<\/p>\n<p>Frequentemente, os m\u00e9dicos-assistentes s\u00e3o solicitados por pacientes, quando em vida, ou por familiares, quando o paciente falece, para preencherem formul\u00e1rios pr\u00f3prios de seguradoras, com quesitos elaborados por essas empresas, na maioria das vezes, exigindo an\u00e1lise de prontu\u00e1rio, avalia\u00e7\u00e3o de capacidade ou estabelecimento de nexo causal. Isso por \u00f3bvio consome tempo e esfor\u00e7os do profissional, a come\u00e7ar por ele ser obrigado a fazer uma pesquisa sobre a veracidade e circunst\u00e2ncias do caso e, ap\u00f3s isso, responder a v\u00e1rias perguntas.<\/p>\n<p>Bom, nem pensar na possibilidade de o m\u00e9dico-assistente suspender o atendimento de outros pacientes para atender \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do paciente do seguro, para preencher o documento solicitado pela seguradora. Nesse meio tempo, se um dos pacientes que ele deixou de atender complicar, enquanto ele fazia a an\u00e1lise do prontu\u00e1rio e confeccionava o laudo, a responsabilidade ser\u00e1 do m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Afinal o m\u00e9dico-assistente pode fazer? Faz parte da consulta? Pode cobrar?<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, devem ser conhecidos alguns conceitos b\u00e1sicos. Laudo pericial \u00e9 sempre emitido pelo perito. \u00c9 decorrente de um ato espec\u00edfico que \u00e9 a per\u00edcia m\u00e9dica. N\u00e3o \u00e9 uma consulta comum. O preenchimento, pelo m\u00e9dico, de formul\u00e1rios elaborados pelas companhias de seguros n\u00e3o tem qualquer v\u00ednculo com a atesta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, relativa \u00e0 assist\u00eancia ou ao \u00f3bito. Algumas regras b\u00e1sicas n\u00e3o podem ser desconsideradas:<\/p>\n<ul>\n<li>N\u00e3o se pode cobrar honor\u00e1rios de paciente assistido em institui\u00e7\u00e3o que se destina \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos;<\/li>\n<li>Atendimento assistencial inclui avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica adequada, com coleta de hist\u00f3ria, exame f\u00edsico e, se for o caso, prescri\u00e7\u00e3o, atestado e solicita\u00e7\u00e3o de exames. N\u00e3o inclui laudo pericial.<\/li>\n<li>M\u00e9dico-assistente n\u00e3o pode ser constrangido a preencher formul\u00e1rios, com quesitos pr\u00f3prios, de entidade com quem n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o profissional ou empregat\u00edcia;<\/li>\n<li>O preenchimento do laudo constitui atividade m\u00e9dica pericial, n\u00e3o podendo ser exercida pelo m\u00e9dico-assistente;<\/li>\n<li>O C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica veda ao m\u00e9dico algumas condutas ligadas ao tema: pro\u00edbe taxativamente que o m\u00e9dico seja perito ou auditor do pr\u00f3prio paciente e o desautoriza ainda a prestar informa\u00e7\u00f5es a empresas seguradoras, sobre as circunst\u00e2ncias da morte do paciente sob seus cuidados, al\u00e9m das contidas na declara\u00e7\u00e3o de \u00f3bito.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em Resumo: \u00e9 proibido ao m\u00e9dico-assistente o preenchimento de formul\u00e1rios elaborados por empresas seguradoras, com informa\u00e7\u00f5es acerca da assist\u00eancia prestada a pacientes sob seus cuidados que faleceram ou sobreviveram. Cabe \u00e0s seguradoras disponibilizar profissionais pagos para essa fun\u00e7\u00e3o pericial.<\/p>\n<p>Por ser per\u00edcia, o perito (que n\u00e3o pode ser o m\u00e9dico-assistente) deve cobrar livremente da seguradora ou do paciente, sendo recomend\u00e1vel que seja especialista em Medicina do Trabalho ou Per\u00edcia M\u00e9dica e Medicina Legal, duas especialidades mais familiarizadas com esse tipo de atividade. Ideal mesmo \u00e9 que, preferencialmente, o perito tenha as duas especialidades ao mesmo tempo.<\/p>\n<p><a name=\"formalidades\"><\/a><strong>20. FORMALIDADES PARA REPETIR A RECEITA DE OUTRO COLEGA<\/strong><br \/><a href=\"\/#inicio\"><img decoding=\"async\" style=\"width: 21px;height: 24px\" src=\"https:\/\/d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net\/sbpt-portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/up.png\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>Muitos m\u00e9dicos n\u00e3o sabem das formalidades para repetir a receita de outros m\u00e9dicos, repeti\u00e7\u00e3o essa que \u00e9 independente do motivo. Na pr\u00e1tica, por defer\u00eancia ao paciente, simplesmente pegam a receita anterior e a transcrevem. Isso est\u00e1 certo?<\/p>\n<p>Alguns poucos m\u00e9dicos j\u00e1 fizeram essa pergunta. A imensa maioria s\u00f3 transcreve a antiga receita, sem maiores cuidados. Para responder a esse questionamento h\u00e1 de se falar da validade das receitas, que em regra \u00e9 de trinta dias, a contar do dia de seu preenchimento, de acordo e a depender dos f\u00e1rmacos a serem controlados.<\/p>\n<p>O Conselho Federal de Medicina-CFM defende que os pacientes cr\u00f4nicos, em uso de medicamentos de uso cont\u00ednuo, devem ser avaliados por seus m\u00e9dicos, no m\u00e1ximo, a cada noventa dias, em vista da boa pr\u00e1tica m\u00e9dica e da eventual necessidade de ajustes na prescri\u00e7\u00e3o e que, para isso, h\u00e1 de ser sempre precedida de uma nova avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Por exce\u00e7\u00e3o, nos programas para dispensa\u00e7\u00e3o de medicamentos de alto custo, as prescri\u00e7\u00f5es devem ser para um m\u00e1ximo de noventa dias de tratamento, embora a validade da receita continue sendo de trinta dias, a partir da data de seu preenchimento.<\/p>\n<p>J\u00e1 para programas como os medicamentos da Farm\u00e1cia Popular, com exce\u00e7\u00e3o dos anticoncepcionais, o aviamento das receitas pode ser feito por at\u00e9 180 dias, sem que o paciente precise voltar ao m\u00e9dico, ficando esse controle com as farm\u00e1cias que as aviam.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que existe uma formalidade essencial para que uma receita seja \u201crepetida\u201d ou \u201ctranscrita\u201d: N\u00e3o \u00e9 permitido repetir receitas m\u00e9dicas sem o exame direto do paciente, e tudo deve ficar registrado no prontu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a receita pode at\u00e9 ser repetida, mas n\u00e3o deixa de ser uma nova prescri\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico que a est\u00e1 transcrevendo; afinal, ele vai prestar um atendimento m\u00e9dico como qualquer outro, inclusive com coleta de hist\u00f3ria cl\u00ednica, exame do paciente e, portanto, direito \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o da consulta por isso.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MEU CONSULT\u00d3RIO Dicas para profissionalizar o seu consult\u00f3rio em n\u00edvel empresarial e alcan\u00e7ar os melhores resultados tanto para os seus pacientes quanto para o seu neg\u00f3cio, al\u00e9m de dicas para se proteger de problemas mais comuns do dia-dia. \u00a0 \u00a0 1. 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