{"id":21435,"date":"2021-09-17T17:09:53","date_gmt":"2021-09-17T17:09:53","guid":{"rendered":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/?p=21435"},"modified":"2021-09-17T17:09:53","modified_gmt":"2021-09-17T17:09:53","slug":"cem-covid-atraso-vacinacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/cem-covid-atraso-vacinacao\/","title":{"rendered":"COVID-19 no Brasil: vacina\u00e7\u00e3o e desafios inadi\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">No Boletim 016\/2021, o Comit\u00ea Extraordin\u00e1rio de Monitoramento da Covid-19 (CEM_AMB) descreve os desafios relacionados \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde os primeiros casos e \u00f3bitos por COVID-19 no Brasil se passaram 18 meses (1,5 anos). O impacto \u00e9 devastador: mais de 21 milh\u00f5es de casos notificados e estamos bem pr\u00f3ximos de 600 mil mortes. O pa\u00eds ocupa o segundo lugar no ranking de \u00f3bitos em n\u00fameros absolutos em todo o mundo. Quanto aos casos, um em cada dez brasileiros j\u00e1 contra\u00edram o v\u00edrus SARS-Cov-2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 obrigat\u00f3rio registrar que, para al\u00e9m desse universo, temos uma legi\u00e3o de pessoas assintom\u00e1ticas. Estudos em pa\u00edses que acompanharam essa popula\u00e7\u00e3o indicam que 18% a 33% permanecem sem sintomas o tempo todo. H\u00e1 ainda os que contra\u00edram formas leves de Covid leve e nem fizerem o teste. S\u00e3o grupos sobre os quais n\u00e3o existem estat\u00edsticas sustent\u00e1veis no Brasil.<\/p>\n<h5>Imuniza\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s atraso consider\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pa\u00edses desenvolvidos como Estados Unidos, Israel e Reino Unido \u2013 somente em meados janeiro de 2021 o Brasil iniciou timidamente a vacina\u00e7\u00e3o, mas os primeiros meses de imuniza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds tiveram baix\u00edssima velocidade, por falta de planejamento na aquisi\u00e7\u00e3o internacional e de produ\u00e7\u00e3o local das diversas plataformas de vacinas dispon\u00edveis no mercado. Apenas em abril de 2021, com mudan\u00e7a na pol\u00edtica do enfrentamento e prioriza\u00e7\u00e3o da imuniza\u00e7\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o de vacinas atingiu patamar adequado para a emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica vivida em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atribua-se \u00e0 extrema efetividade e capilaridade do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) do Brasil chegarmos rapidamente \u00e0 velocidade m\u00e9dia de um milh\u00e3o de doses ao dia e picos de mais de dois milh\u00f5es, aumentando consideravelmente o percentual de brasileiros imunizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como consequ\u00eancia do engrenar da vacina\u00e7\u00e3o, a partir de julho de 2021 a m\u00e9dia m\u00f3vel de \u00f3bitos por COVID-19 iniciou queda linear e sustentada, mantendo rela\u00e7\u00e3o diretamente proporcional com o aumento da imuniza\u00e7\u00e3o populacional. Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontam redu\u00e7\u00e3o de 67% da mortalidade quando comparado os meses de abril com agosto de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o (PNI) do Brasil utiliza at\u00e9 agora tr\u00eas plataformas de Vacinas COVID (mRNA, vetor viral e v\u00edrus inativado), de quatro fabricantes distintas com o percentual de doses distribu\u00eddas \u00e0 saber: Oxford\/AstraZeneca \u2013 vetor viral (47%), Coronavac \u2013 v\u00edrus inativado (35%), Pfizer \u2013 mRNA (15%) e Janssen \u2013 vetor viral (3%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que temos atualmente em grandes estudos observacionais de vida real (estudos de efetividade de fase 4), publicados com dados de milh\u00f5es de pessoas em diversos pa\u00edses, incluindo o Brasil, s\u00e3o resultados homog\u00eaneos quando se avaliam os desfechos cl\u00ednicos mais importantes: redu\u00e7\u00e3o de hospitaliza\u00e7\u00e3o e \u00f3bitos, prote\u00e7\u00e3o em torno de 70 a 90% em favor dos vacinados quando comparados aos n\u00e3o imunizados na popula\u00e7\u00e3o em geral, mesmo no contexto atual de circula\u00e7\u00e3o das variantes de aten\u00e7\u00e3o, VOCs, Alfa, Gama e Delta.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\">Desafios<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, a efetividade das Vacinas COVID na redu\u00e7\u00e3o de hospitaliza\u00e7\u00e3o e \u00f3bitos \u00e9 demonstrada. Mas ao menos tr\u00eas desafios se colocam no presente momento para que os resultados do enfrentamento da pandemia sejam otimizados no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro e mais importante desafio \u00e9 completar o esquema vacinal daqueles que receberam apenas uma dose dos imunizantes Coronavac, Oxford\/Astrazeneca e Pfizer, pois a imuniza\u00e7\u00e3o parcial \u00e9 sub-\u00f3tima para a prote\u00e7\u00e3o contra casos leves e principalmente de COVID grave, em especial no contexto da circula\u00e7\u00e3o das variantes Gama e Delta no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dados oficiais apontam que apesar de 53 milh\u00f5es de brasileiros estarem com o esquema imunizante completo, quase nove milh\u00f5es de pessoas ainda n\u00e3o retornaram para a segunda dose das Vacinas COVID que demandam duas aplica\u00e7\u00f5es, e, portanto, n\u00e3o est\u00e3o devidamente protegidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O segundo desafio \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o das variantes de aten\u00e7\u00e3o, VOCs, em especial da Delta, j\u00e1 circulando em distintas regi\u00f5es do pa\u00eds, substituindo a VOC Gama, surgido aqui em dezembro de 2020. A VOC Delta tem como principal problema a alta transmissibilidade, cerca de 2 a 3 vezes maior que o SARS-COV-2 original. No Brasil a preval\u00eancia dessa variante passou de apenas 2,3% em junho para quase 40% em agosto de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A despeito de os estudos de vida real das vacinas COVID no Brasil evidenciarem boa efetividade na redu\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios graves e \u00f3bitos, inclusive com a VOC Delta, medidas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas de preven\u00e7\u00e3o devem ser otimizadas no cen\u00e1rio de circula\u00e7\u00e3o dessa variante. \u00c9 a\u00e7\u00e3o inadi\u00e1vel frente ao risco de explos\u00e3o de casos e de maior chance de doen\u00e7a grave em n\u00e3o vacinados e eventualmente situa\u00e7\u00f5es de falha vacinal.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\">Doses de refor\u00e7o<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">O terceiro desafio \u00e9 a menor efetividade das Vacinas COVID em idosos e imunossuprimidos, que j\u00e1 foi demonstrada de forma linear para todas as plataformas de imunizantes. Devido ao fen\u00f4meno conhecido como imunossenesc\u00eancia, idosos acima de 70 anos t\u00eam resultados menos efetivos de prote\u00e7\u00e3o contra quadros graves e fatais de COVID-19 do que a popula\u00e7\u00e3o em geral, principalmente ap\u00f3s cinco a seis meses ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O mesmo fen\u00f4meno ocorre em indiv\u00edduos recebendo quimioterapia para c\u00e2ncer, medica\u00e7\u00f5es imunossupressoras, transplantados, pessoas vivendo com HIV\/Aids com contagem de linf\u00f3citos T CD4 menor que 200 c\u00e9ls\/mm e pacientes em hemodi\u00e1lise.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\">Intercambialidade de vacinas<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 intercambialidade, estudos em andamento buscam avaliar benef\u00edcio de uma dose de refor\u00e7o de Vacina COVID nessas popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. At\u00e9 o momento, resultados dos ensaios cient\u00edficos dispon\u00edveis apontam para a necessidade de dose extra nessas condi\u00e7\u00f5es, posi\u00e7\u00e3o adotada em nota t\u00e9cnica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Brasil em agosto, contemplando a popula\u00e7\u00e3o idosa e os imunossuprimidos, utilizando como imunizante de refor\u00e7o vacinas de mRNA ou de vetor viral, preferindo a intercambialidade em rela\u00e7\u00e3o ao esquema original.<br \/>\nPap\u00e9is do Estado e do cidad\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os desafios da Vacina\u00e7\u00e3o COVID no Brasil tamb\u00e9m passam por temas como a equidade, imuniza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes, entre outros. De forma geral, apesar da demora inicial na implementa\u00e7\u00e3o de um programa realmente efetivo, gra\u00e7as \u00e0 efici\u00eancia do SUS e da baix\u00edssima recusa vacinal (2 a 4% das indica\u00e7\u00f5es) o cen\u00e1rio da pandemia no pa\u00eds \u00e9, nessa hora, de situa\u00e7\u00e3o de menor impacto em termos de mortalidade, o que s\u00f3 se consolidar\u00e1 se a na\u00e7\u00e3o mantiver o ritmo adequado de imuniza\u00e7\u00e3o aliado ao pacote de preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o-farmacol\u00f3gico, uso de m\u00e1scaras, higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os com \u00e1gua e sab\u00e3o\/\u00e1lcool gel e distanciamento social.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>S\u00e3o Paulo, 16 de setembro de 2021.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/amb.org.br\/cem-covid\/boletim-comite-extraordinario-de-monitoramento-covid-19-cem-covid_amb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">AMB<\/a>.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Boletim 016\/2021, o Comit\u00ea Extraordin\u00e1rio de Monitoramento da Covid-19 (CEM_AMB) descreve os desafios relacionados \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o no Brasil. Desde os primeiros casos e \u00f3bitos por COVID-19 no Brasil se passaram 18 meses (1,5 anos). O impacto \u00e9 devastador: mais de 21 milh\u00f5es de casos notificados e estamos bem pr\u00f3ximos de 600 mil mortes. O [&hellip;]<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":20139,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[68],"tags":[125,118,558,316],"class_list":["post-21435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-amb","tag-covid-19","tag-imunizacao","tag-vacina"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21435\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sbpt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}