Desafios e prioridades no tratamento da Tuberculose no Brasil.

Por Carlos Basilia, Observatório Tuberculose Brasil (CRPHF/ENSP/Fiocruz).

Observatório TB – Em que condições de estrutura você encontrou o Programa Nacional de Controle da Tuberculose no momento em que assumiu a coordenação em março de 2016?
Denise Arakaki – Havia uma grande expectativa na nomeação do novo coordenador para o PNCT, uma vez que o cargo estava vazio havia alguns meses. No entanto, posso afirmar que havia também um ambiente de união e responsabilidade entre os técnicos do Programa que, cientes de seus papéis, honraram todos os compromissos assumidos anteriormente. Por isso, meu retorno à equipe do PNCT aconteceu num clima de companheirismo e tranquilidade.

Observatório TB – Qual o tamanho do corte no orçamento das atividades exclusivas do PNCT, como supervisões, reuniões, pesquisas, campanhas, publicações, viagens, apoio a Parceria, Rede de Comitês, organizações não governamentais etc.?
Denise Arakaki – Temos trabalhado com orçamentos limitados, mas não há um valor numérico relacionado à esta restrição. Além disso, estamos todos empenhados em executar as ações com racionalização de recursos financeiros e estamos explorando outras ferramentas de trabalho no nosso cotidiano, em especial, vídeo conferências. Também temos utilizado mídias para divulgação do trabalho e temos conseguido responder às demandas de estados e municípios. Reconheço que precisamos explorar potenciais cooperações técnicas e estreitar parcerias com agências financiadoras.

Observatório TB – Quais são os maiores desafios para o controle e eliminação da TB como problema de saúde pública no Brasil?
Denise Arakaki – Há muitos desafios. O principal deles é definir o plano estratégico nacional para os próximos anos em consonância com a estratégia de eliminação da tuberculose como problema de saúde pública. Ao mesmo tempo precisamos estreitar o diálogo com estados e municípios prioritários para tuberculose, manter o compromisso político nos níveis locais, apoiar a descentralização das ações de controle, fortalecer a articulação com a sociedade civil e qualificar o cuidado dos vulneráveis.

Observatório TB – Qual a importância da participação da sociedade civil e do controle social no enfrentamento da tuberculose?
Denise Arakaki – Historicamente a participação social está intimamente relacionada com a reforma sanitária como um contraponto para a regulação da saúde pelo mercado e pela luta por um sistema de saúde marcado por princípios que estão diretamente relacionados com as necessidades e fragilidades apresentadas pela pessoa afetada direta ou indiretamente pela tuberculose. Desde então temos testemunhado movimentos exitosos liderados pela sociedade civil para melhoria do cuidado de diversas patologias. Na tuberculose não tem sido diferente. Tivemos grandes avanços, como por exemplo, a atuação do Observatório, a criação de frentes parlamentares estaduais e municipais como fruto da articulação da sociedade civil, a própria frente parlamentar brasileira, etc. O trabalho dos comitês estaduais também se destaca e demonstra a força do movimento. Espero fortalecer a participação da sociedade civil na proposição, elaboração e avaliação das ações do programa. A experiência no nível central deve estar refletida nos níveis locais.

Observatório TB Quais são as suas prioridades como nova coordenadora do PNCT?
Denise Arakaki – Já começamos a trabalhar na finalização da revisão do manual de recomendações para o controle da tuberculose, também estamos revendo as atividades em curso e definindo cenários epidemiológicos com foco na elaboração do plano estratégico. Estas são as necessidades imediatas.

 

Denise Arakaki-Sanchez é Coordenadora Geral de Doenças do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde.